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Mesmo com dois estreantes e sem a presença de um de seus carros, a equipe de Michael Andretti liderou os dois dias de sessões do Chris Griffis Memorial Test, a atividade que abre a pré-temporada do Road to Indy em 2019.


As novidades na primeira atividade da pré-temporada vieram a rodo na Indy Lights. Primeiramente, vimos a estreia de Oliver Askew e Robert Megennis (terceiro e quinto colocados na Pro Mazda esse ano, respectivamente) dando suas primeiras voltas na Indy Lights pela Andretti Autosport.

Askew vem tentando passar pelo gargalo Cape, situação onde os pilotos que correm pela Cape Motorsports na USF2000 e na Pro Mazda em sequência tem de encontrar nova equipe para correr na Indy Lights. Dos oito pilotos que correram pela equipe na Pro Mazda nos últimos quatro anos, apenas dois (Neil Alberico e Nico Jamin) conseguiram passar pelo gargalo Cape, um correndo pela Carlin e outro pela própria Andretti Autosport na Indy Lights. Oliver Askew, aparentemente, tentará seguir a rota trilhada por Nico Jamin para subir à principal categoria do Road to Indy. Já Megennis tentará subir à Indy Lights depois de três anos na Pro Mazda e USF2000 onde, apesar de se manter regular durante o ano, conquistou apenas uma vitória na carreira (St. Pete 1, USF2000, 2017).

Os dois, em conjunto com o experiente Ryan Norman, que segue para sua terceira temporada na Indy Lights, lideraram os dois dias de testes, com os três estando sempre entre os cinco melhores tempos do dia. No primeiro dia, a experiência de Norman fez-se presente, e o campeão da F-Atlantic de 2016 fez o melhor tempo do dia.


No segundo dia, Askew mostrou velocidade e fez o melhor tempo do dia ainda na primeira sessão, com os outros pilotos chegando no mesmo décimo de segundo apenas na última sessão, quando Megennis fez o segundo melhor tempo.

Entre os três pilotos da Andretti, tinham um piloto experiente e um novato: Victor Franzoni e Rinus VeeKay.

O brasileiro Victor Franzoni, aparentemente, tentará casa nova para 2019. Depois de correr duas temporadas pela Juncos, onde se sagrou campeão da Pro Mazda no ano passado e terminou a temporada desse ano da Indy Lights em quinto lugar, após sofrer muito com um orçamento apertadíssimo, vem flertando com a Belardi Auto Racing, muito conhecida por trabalhar com pilotos com o perfil de Franzoni: que mostram talento, mas que não possuem grandes patrocínios, como Santiago Urrutia, Gabby Chaves, Aaron Telitz e Felix Rosenqvist.
Franzoni em nova casa, por enquanto.
A equipe vermelha e branca seria casa perfeita para o brasileiro, que terá também ao seu lado a experiência de uma temporada na categoria, que não deve ter muitos pilotos experientes no ano que vem. Pato O'Ward e Colton Herta subiram para a Indy, Santiago Urrutia e Dalton Kellett não sabe se encaram uma QUARTA temporada na Lights, enquanto Telitz segue na busca por patrocínio, assim como Franzoni. Apenas Norman está confirmado, por enquanto. Franzoni está em vantagem esse ano.

Já Rinus VeeKay vem embalado desde sempre. Foi vice-campeão na USF2000 o ano passado pelo simples fato de que ninguém ganha da Cape Motorsports na USF2000 e, portanto, o piloto da Cape, Oliver Askew, foi campeão. No entanto, esse ano, o holandês se vingou e foi campeão da Pro Mazda, tendo mais pontos que Askew e ganhando metade das provas da temporada. Somando suas duas temporadas, VeeKay conquistou 10 vitórias e 22 pódios em 30 corridas, uma das melhores médias de todo o Road to Indy na atualidade.

O holandês vem correndo pela Juncos Racing, uma das grandes do Road to Indy mas que, no ano passado, teve muitos problemas no seu programa da Indy Lights, onde teve de correr com apenas um carro (o de Victor Franzoni) e com orçamento apertadíssimo e, mesmo assim, obtendo uma vitória em Road America 2. VeeKay vem em uma situação muito parecida com a de Franzoni, com o dinheiro da bolsa e um bocado de seu patrocínio principal, a Jumbo, mas o montante não é muito maior que no ano passado. Vejamos se a Juncos conseguirá prover melhores dias para o holandês, pois velocidade ele mostrou ter, conseguindo se entremear no trio da Andretti na tabela de tempos.


Fora do Top 5 temos três estreantes e um veteraníssimo.

Primeiro temos Parker Thompson e o ressurgimento da Team Pelfrey. O canadense mostrou-se um piloto bem rápido, e sua recente associação com a Exclusive Autosport, equipe canadense do Road to Indy, Thompson conseguiu o terceiro lugar na USF2000 no ano passado e subiu à Pro Mazda nesse ano, onde liderou metade do campeonato mas acabou terminando com o vice, atrás do Rinus VeeKay. 

Thompson terminou todos os campeonatos que disputou entre os cinco primeiros colocados, mas sempre teve grandes problemas com patrocínio, o que faz sua subida pelas categorias de base um pouco mais difícil, e o acerto coma Pelfrey é um exemplo disso, pois, se a Belardi e a Juncos tem problemas de orçamento pequeno e limitado, a Pelfrey tem um orçamento menor ainda, correu apenas a primeira etapa da temporada desse ano e a famosa corrida em Indianápolis, passando o resto da temporada sem mostrar as caras. No fim, vemos a equipe amarela e preta numa posição bem parecida com o visto nos treinos: uma briga com os novatos da Belardi para não ficar no fundo do grid. Apesar da equipe dar novas esperanças com uma nova temporada, uma ressurreição da equipe parece bem difícil e pouco provável.
Lucas Kohl estreando na Indy Lights.
E, por último mas não menos importante, temos David Malukas e Lucas Kohl na Belardi Auto Racing. Para muitos, eles são as duas apostas mais arriscadas mostradas no Chris Griffis Memorial Test (apesar de, para mim, Robert Megennis na Andretti Autosport ser tão arriscado quanto). David Malukas disputou sua primeira temporada completa nos monopostos esse ano pela Pro Mazda e, apesar de ter conseguido três vitórias e seis pódios, mostrou-se inconstante durante todo o ano e terminou o campeonato na quarta posição, a mais de cem pontos atrás do campeão. Já o brasileiro Lucas Kohl fez três temporadas completas na USF2000 onde, por meio de grande regularidade e experiência, conseguiu o terceiro lugar no campeonato desse ano, ainda não pegou o gostinho da vitória nos EUA.

Ambos tem grandes saltos a fazer ao entrarem na Indy Lights, com Malukas buscando amadurecer rapidamente e conseguir a regularidade que é o requisito principal para qualquer piloto de sucesso no automobilismo americano; e Kohl buscando o caminho da vitória e dando o grande salto, ignorando a existência da Pro Mazda. 

Mas ambos mostraram que a aposta podem render frutos com o tempo. Os dois mostraram grande evolução na tabela de tempos de um dia para o outro e ambos fizeram tempos melhores que Parker Thompson e a Team Pelfrey. A aposta, apesar de arriscada, não é um chute cego, mas algo pensado e focado na habilidade dos dois pilotos.

E Heamin Choi não tem muito  o que comentar, e já o fiz aqui.

Bem, por enquanto são esses os nove que se mostraram na primeira atividade da pré-temporada, o Chris Griffis Memorial Test. Ainda tem a Carlin, que deseja alinhar dois carros na Lights, e a BN Racing, que anunciou que alinhará um carro na categoria, mas ambas não compareceram ao teste, que aconteceu no fim de setembro.

Aguardamos novidades e também as primeiras confirmações para a principal categoria de base do Road to Indy, já que não houve anúncios até agora. Até lá!

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