Retrospectiva da temporada 2014 de Indy Lights (4/3)

Falei que tinha acabado a retrospectiva na postagem passada, mas eu menti. Eu não poderia terminar aqueles textos gigantes do jeito bosta em que terminei, então agora falarei do desempenho dos pilotos. Quem foi bem e quem foi mal? Quem merece (ao meu ver, sempre) subir pra Indycar? Luiz Razia foi bem e sobe ou nem? tudo isso você vai ver no Globo Repórter nessa postagem.

Antes de partir pra esse texto, se você não viu a retrospectiva de verdade, o início está aqui, o meio aqui e o fim aqui. Tem gifs legais e diz a lenda que vale a pena ler os textos incrivelmente gigantes.

como diria a Lola de A feia mais bela, "não acaba nunca, nunca acaba!"

Retrospectiva da temporada 2014 de Indy Lights (4/3) feat. Top X: notas para os onze principais pilotos da Lights desse ano.

Primeiramente, deixa eu explicar como funciona: para cada um dos pilotos aqui elencados (serão ONZE pilotos ao total, em homenagem a essa nova fase do EXO) vou dar uma nota para seu desempenho nessa temporada de zero à dez, colocar se ele fez jus à sua subida pra Indycar com um "sim"ou um "não" e outro conceito para avaliar se ele tem realmente condições (financeiras, contatos, etc...) de aparecer pelo menos numa Indy 500.

Devo alertar que sempre estudei exatas em faculdade pública, ou seja, com notas baixíssimas e onde cinco é realmente dez (diferente das escolas de humanas ou das de samba). Eu, por exemplo, dei nota 5,75 pra temporada da Indycar esse ano, o que é uma nota MUITO BOA. Assim sendo, notas pra baixo de sete serão normais por aqui, e mesmo assim serão notas muito boas.

Agora vamos as considerações finais:


Gabby Chaves:  8,5 - Sim - Muito Provavelmente.

Essa bandana certamente foi o ponto mais baixo de Chaves no ano.
Chaves foi o destaque desse ano. No início do campeonato quando os SPM se embananou toda com os pneus, ele e Veach fizeram uma grande contenda e rolou até faíscas nas provas do misto de Indianápolis. Mais a frente, quando a SPM vinha se recuperando, Veach pereceu mas Chaves não, chegou na última rodada dupla com uma certa vantagem e conseguiu segurar sua posição para ser campeão no limite, sendo o único carro da Belardi a ser campeão nos últimos dez anos.

Chaves deve pintar na Indy, já que ser campeão lhe garante US$ 750 mil e uma vaga garantida na Indy 500 do ano que vem.

Ponto alto: Todos. O colombo-americano foi surrealmente bem em praticamente todos os pontos. Em uma equipe pequena, dominou praticamente tudo nos ovais, foi agressivo quando precisou, era muito rápido nos ovais e tinha bom ritmo de prova, mesmo com o carro da Belardi perdendo desempenho mais rápido que as outras equipes no decorrer das provas.

Mais ou menos: Os outros pilotos quando comparados à ele.


Jack Harvey: 5,75 - Sim - Dificilmente.

Tente não se apaixonar por esses olhos.
Harvey foi que nem o campeonato da Indy esse ano: fez o trabalho dele, o que se esperava. Quando a SPM esteve mal, Jack fazia um trabalho razoável, ficando próximo de Razia na maioria dos momentos. Quando teve um carro rápido em mãos, dominou completamente a prova, fazendo hat trick por quatro ocasiões, e chegou na disputa pelo título e até empatou em pontos e em vitórias, mas daí perdeu em maior número de segundos lugares. Poderia seguramente estar na Indycar, principalmente pela sua regularidade e bom ritmo de prova, mas dificilmente a Racing Steps Fundation conseguira bancar uma vaga pra ele. 

Ponto alto: Regularidade. O inglês chegou entre os cinco primeiros em TODAS as provas. Tá certo que talvez isso não seja grande desafio em corridas com, no máximo, doze carros, mas foi o único a conseguir isso nesse século e, quiçá, de toda a Indy Lights.  Essa regularidade, aliada com um bom ritmo de prova, o fez se recuperar e chegar disputando o título em Sonoma.

Ponto Mais ou menos: Apatia + ovais. Como um bom piloto inglês, Jack Harvey tem alguns problemas com ovais. Nos três do ano, o piloto teve sua pior posição da temporada em dois deles (quinto em Indianápolis e em Milwaukee).  Outro ponto que me chamou atenção nas corridas que assisti (ou seja, todas as transmitidas) foi a apatia que Harvey apresentava na hora das disputas de posição. O piloto parecia muito burocrático em ultrapassagens, seja com o companheiro (como no misto de Indianápolis) seja com adversários (como em Toronto).


Zach Veach: 4,5 - Não sei definir - Dificilmente.

"vamos ouvir o que esse bosta tem a dizer"
Esse cara complicou minha cabeça quando fui avaliá-lo, principalmente por sempre olhar com muita desconfiança o desempenho do hobbit americano. Veach mostrou bons resultados no início do ano, quando a Andretti tinha o melhor carro e ao contrário do que o piloto tinha mostrado no ano passado, com apenas um pódio quando seu companheiro de equipe conseguiu três vitórias e disputava o campeonato.  
Mas, depois sumiu e só ressurgia quando os ovais apareciam, e a última rodada dupla foi uma grande mostra disso. Ainda não tem cara de Indy, e acho difícil que um terceiro ano de Lights mude tudo isso mas, ele tem grande vínculo coma Andretti, que banca sua carreira desde a USF2000, e numa dessas pode subir pra Indy de verdadinha.

Ponto alto: boa mídia. O americano se envolve desde adolescente com vários programas de ONG que vão desde a direção defensiva nas rodovias até a propaganda anti-bullying. Pelo menos responsabilidade e consciência Veach demonstra ter.

Ponto mais ou menos: Lentidão. Não quero dizer nesse sentido que você pensou, mas sim no sentido de costume. Veach parece que demora mais do que os outros para pegar a mão de um carro e correr bem, e isso vem desde os seus primeiros anos, na USF2000.  Talvez um terceiro ano ele consiga, finalmente, andar bem o ano todo em um carro da Lights.


Matthew Brabham: 3,25 - Não - Muito dificilmente.

"Seu recalque bate no meu sobrenome e volta."
Para um piloto que subiu depois de conseguir vencer 2/3 das provas do ano passado na Pro Mazda, o que Brabham nos mostrou ficou muito aquém do esperado. Sim, ele é rápido e tem talento, caso contrário não chegaria onde está da forma que chegou com todo esse hype e os olhos voltados para suas costas. Nessa velocidade toda, mostrou-se muito bem em algumas ocasiões e conquistou uma vitória na corrida maluca do misto de Indianápolis e alguns pódios nos ovais.  
Mas quando algo não lhe favorecia, o austra-americano perdia totalmente seu ritmo de prova e, mesmo quando ia bem, cometia erros bobos quando estava sozinho.  Talvez mais um ou outro ano de Lights o faça muito bem pra se desenvolver, porque tá precisando.

Ponto alto: Velocidade.  Sim, ele é bem rápido e voltou a demonstrar isso em Indianápolis e em Milwaukee.  

Ponto mais ou menos: Amadurecimento. Brabham parecia um piloto muito verde, daqueles que são rápidos, mas ainda se complica com coisas mais básicas, como acerto do carro e erros bobos durante a prova (principalmente nas três primeiras etapas do campeonato, no decorrer foi melhorando mas ainda assim cometia alguns erros nas etapas finais). Por isso, mais um ano de Indy Lights não lhe fará mal de modo algum.


Luiz Razia: 4,75 - Sim - Provavelmente.

Razia no início do campeonato...
Ok, chegamos naquele ponto onde a maioria queria chegar, então me demorarei um pouco mais aqui. Razia chegou com um hype e, por consequência, com uma pressão imensa. Currículo vitorioso, na equipe sete vezes campeã dos últimos dez campeonatos e no carro de destaque:o da Lucas Oil, era o dream team da Indy Lights.
Mas a SPM deu umas patinadas e começou apanhando muito dos novos pneus Cooper.Como resultado, no começo do ano Razia via de longe os carros da Andreti e Belardi. Isso mudou a partir de Indianápolis, quando ele realmente brigou por vitórias e até venceu na segunda corrida do misto de Indianápolis e vinha a menos de dez pontos do líder do campeonato.
"But the tigers come at night..." e o piloto abandonou duas provas seguidas, em Pocono (errou sozinho para estrear o muro em um oval) e em Toronto (num incidente de corrida na largada). Com dois abandonos a diferença pro líder passou de 9 pontos para 97, e praticamente eliminaram as chances de título do brasileiro faltando cinco provas pro fim.
Nas últimas três etapas, Razia parecia funcionar no piloto automático, com mais dois abandonos e dois pódios, terminou o ano com um quinto lugar.

Ponto alto: Ovais. O brasileiro foi realmente bem neles. A despeito do que os resultados mostram, Razia sempre esteve no pelotão da frente tanto em Indianápolis como em Pocono. Sempre testando os seus limites, os limites  do carro e os limites das condições ambientais, e também por ser cabaço em ovais, acabava batendo ou perdendo o vácuo aqui e ali. Mas prefiro pilotos assim do que os burocráticos.

...E no fim do campeonato.
ponto mais ou menos: Adaptação. Novamente, não no sentido que a maioria espera. creio eu que o piloto não teve problemas com o Dallara IP2, nem com a falta de ultrapassagens ou o fato de menos de dez mecânicos trabalharem no seu carro em uma garagem com bancadas de madeira e com peças de carro jogadas colocadas em cantinhos de um galpão. Mas sim com dois pontos menos previsíveis: a largada lançada e a forma de disputa do campeonato.
Foi complicado para Razia lidar com as largadas um pouco mais bagunçadas da Indy Lights, vira e mexe o brasileiro perdia uma ou duas posições, e foi uma dessas perdas, na última prova do ano, que praticamente decidiu o título em favor de Chaves. 
Já no quesito campeonato, a maioria dos campeonatos americanos preza muito pela regularidade.  No caso da Indy Lights isso significa uma coisa: não abandone. Esse "não abandone" implica em uma direção muito ais defensiva do que o se acostuma nas outras escolas de automobilismo, como espalhar bem menos em uma curva quando seu adversário está lado a lado (afinal, ele pode não recolher e ambos baterem, como aconteceu com o Razia em Toronto) ou arriscar menos em território estranho como os ovais, renderiam mais frutos no campeonato.

Mas o Razia não precisa de nada disso pra entrar na Indycar, o que ele precisava era ser visto e conseguir contatos nesse universo novo que é a Indycar. Vamos ver se isso deu frutos e ele consegue uma boa vaga em equipe média da Indy no ano que vem.


Alex Baron: 6 - Não - Muito Dificilmente.

Gordinho da imigração: tá faltando esse documento no seu visto.
"Nossa, ELE tem a segunda maior nota do campeonato?" Sim! Ninguém esperava muito do francês com nome de Piloto mais ou menos da Indy surpreendeu a todos no meio do campeonato. pena que seu campeonato foi completamente prejudicado pelo seu problema com o visto americano, e o francês terminou seu campeonato em Toronto.

Baron era o conjunto de Veach, Brabham e Harvey, só que em menor proporção: ele se mostrou rápido, mas teve problemas de adaptação no início do campeonato como Brabham, mais pra frente no campeonato mostrou certa regularidade e algum certo problema no único oval que disputou como Harvey, e teve seus momentos de genialidade como Veach. Ou seja, ele foi um mix de todos esses bons pilotos num só.

Ponto alto: volta por cima. O começo era o mais despretensioso possível. Um piloto francês chegando, praticamente sem patrocínio, numa das equipes que mais decepcionou no ano passado, apenas assistindo no campeonato passado. As primeiras provas foram problemáticas, com um acidente com Vittorio Ghirelli e abandonando a prova; na segunda prova já vinha bem melhor, mas aí um problema no carro atrpalhou tudo, na terceira prova seu companheiro de equipe bate em você e tu cai pro fim do grid.  Nada disso desanimou Baron, e na mesma prova em que ele foi pro fim do grid, terminou na quinta posição (a frente de seu companheiro de equipe, Gabby Chaves), fez seu primeiro pódio no próprio Alabama e foi só ladeira acima nas outras etapas.

Ponto mais ou menos: Visto. Se você for viajar ou ficar a trabalho, PRESTA ATENÇÃO NA PORRA DO VISTO. 


Juan Pablo García - 3 - Não - Duvido muito.

"Vou jubilar na Lights?"
Um baluarte da Indy Lights, e dei meio ponto para cada ano que ele disputou pelo menos uma prova na categoria. Muita gente se surpreendeu quando veio o anúncio de mais um carro na SPM, e todos ficaram um bocado decepcionados quando esse nome foi Juan Pablo García.  Agora o mexicano soma 45 corridas, 0 vitórias, 0 pódios, 0 voltas mais rápidas e 0 voltas lideradas na Indy Lights. Parabéns.

Ponto alto: ser contratado pela SPM. Deve ter custado meio PIB do México.
Ponto mais ou menos: O resto da carreira dele na Lights.


Juan Piedrahita:  2 - Não - nem que a vaca tussa.

"Serei o próximo JP García?"
Depois de três anos na Star Mazda (hoje Pro Mazda) sem fazer tanta coisa, conseguiu uma vaga na SPM também não $e $abe como. Passou o campeonato todo em stealth, e flopou completamente no campeonato para a maioria das pessoas, mas não pra mim que olha o fundo do pelotão. Lá, ele se mostrava muito combativo e, principalmente, uma pessoa muito difícil de se ultrapassar, quando não errava. O colombiano cometia um bocado de erros sozinho, e, principalmente, quando era pressionado para ceder posições.

Ponto alto: conseguir ficar em terceiro após a largada em Sonoma, atrás apenas de Harvey e Chaves.

Ponto mais ou menos: logo após conseguir seu ponto alto, deixar Chaves disparar e ganhar o campeonato em cima de seu companheiro de equipe, depois ainda errar na chicane e bater com outro companheiro de equipe.


Scott Anderson: 4,5 - Não sei - Dificilmente.

"4,5? Not bad, not bad..."
Subiu da Pro Mazda depois de um ano com a Juncos e assinou com a Fan Force, equipe que estava voltando ao certame da Lights depois de sua estreia em 2012.  Completamente sem pretensões, Anderson brigava no lado B do certame, com os dois pilotos acima e com todos os outros carros que não eram Andretti ou Belardi.  Entretanto, diferente da maioria dois pilotos do lado B, Anderson mostrou algum talento e muito combativo, principalmente na defesa de posições e nos ovais.

Ponto alto: Defender posições e graças a isso conseguir dois top 5.
Ponto mais ou menos:  Treino classificatório, ele ia mal pra caramba neles e sempre largava muito atrás.


Zack Meyer - 1,75 - Nope - Duvido muito.
"Quer dizer que não posso correr de pijama?"

Os dois primeiros parágrafos escritos para Scott Anderson se aplicam perfeitamente para Zack Meyer, substituindo "Anderson" por "Meyer", "Juncos" por "JDC" e "Fan Force" por Team Moore". "Mas então porque uma nota tão baixa pra ele, a mais baixa de todas?" Você deve estar se perguntando no texto com mais aspas desse site. Zack Meyer era um pouco mais estabanado, por assim dizer; as disputas de posições nem sempre acabavam muito bem para seus concorrentes (e para si mesmo), e, em treinos, era muito comum vê-lo errando ou fritando pneus.

Ponto alto: A Indy Lights é o ponto alto, acho que daqui não passa.

Ponto mais ou menos: o resto. Inclusive não querer pilotar em ovais sem ser o de Indianápolis.

Ryan Phinny - 2,75 - Não - Muito Dificilmente.
"Vai um patrocínio aí?"

Phinny veio inesperadamente durante a temporada desse ano, após a Bryan Herta dar adeus à Lloyd Read devido a problemas de patrocínio do piloto inglês. Phinny chegou com pompa, afinal ele é Hollywoodiano (literalmente ele MORA em Hollywood) e com patrocínio da Tequila Casamigos, de George Clooney.  Essa pompa toda acabou na volta 3 de Toronto, quando Phinny bateu sozinho. Apesar de ainda estar se adaptando, logo conseguiu ir pra Belardi no lugar de Baron, e melhorou um pouco seu rendimento.  O próprio piloto já confirmou (várias vezes) que estará na Lights em 2015.

Ponto alto: apoio de George Clooney.
Ponto Mais ou menos: Errar sozinho. é incrível o número de vezes que o piloto simplesmente esquece de frear em algumas curvas, ainda bem que, até o momento, ele mal tentou fazer uma ultrapassagem.


E é isso pessoas, agora sim essa retrospectiva da Indy Lights vai acabando, e abro um parêntese final para falar das mudanças pro ano que vem.  A categoria finalmente irá aposentar o Dallara IP2, que é um ótimo chassi para ovais, mas ruim para mistos (assim como seu pai de criação, o Dallara IR01 e IR posteriores), e a categoria ruma para um lado mais profissional com o Dallara IL-15.

Esse chassi é consideravelmente melhor que seu antecessor e se assemelha muito aos dallaras atuais em seu estilo de pilotagem e afins, mas também é muito mais caro (mais do que o dobro de seu antecessor).  Caso o grid aumente, será um acerto numa das apostas mais altas da Andersen Promotions, e fará uma categoria de base digna e, quem sabe, no estado-da-arte para a Indycar.
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