Retrospectiva Indy Lights 2014 (2/3)

Olá pessoas, depois do início do campeonato com a Schmidt-Peterson vivendo seus problemas e as equipes Belardi e Andretti se aproveitando para vencerem, vieram as melhores corridas do campeonato da Indy Lights nesse ano... e Pocono.

Não foi quatro na linha de chegada, mas tá valendo. (fonte: racer.com)
A primeira parte dessa retrospectiva está aqui, para quem não viu. Nela, vimos os dois veteranos principais dominando o grid e vencendo as quatro primeiras provas, enquanto os novatos da Schmidt-Peterson se perdiam com toda a adaptação mais o fator da equipe não produzir mais um carro no estado da arte para seus pilotos.  Isso tudo mudou nas corridas que citaremos aqui.

MAS ANTES, além do texto gigante, nessa parte vão ter muitos (MUITOS) gifs que fiz da transmissão da NBCSN. Se você, como eu, não tem uma internet no estado da arte, sugiro que baixe a página até o final e espere os gifs carregarem (na minha gatonet demorou uns dez minutos), e depois começar a ler/assistir. Pode fazer, eu espero.

Retrospectiva Indy Lights 2014 (2/3): As melhores corridas do ano e como Razia subiu no campeonato e depois passou a não ter mais chances de título.

Depois das quatro primeiras etapas dominadas por Gabby Chaves e Zach Veach, o certame da Indy Lights partiu para o Indianápolis Motor Speedway, onde passaria todo o mês de maio. Três corridas seriam realizadas lá: uma rodada dupla no circuito misto, e a tradicional Freedom 100, no oval.


Corridas da Indy Lights ocorriam como evento preliminar do grande prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1, no período em que esta foi realizado em Indianápolis. Desde então a Indy Lights nunca mais correu no misto de lá, e voltava para a pista, agora remodelada, depois de sete anos.

Nos primeiros dias de treinos livres as coisas começaram a mudar. Gabby Chaves foi o mais rápido nos dois treinos, mas a Schmidt se recuperava colocando Razia e Harvey na segunda e terceira posições, a frente das Andretti. No treino clasificatório único, Matthew Brabham foi o mais rápido com uma volta voadora no fim do treino, seguido de Chaves, Harvey e Razia. 

Não sei se vocês lembram, mas no sábado caiu uma grande chuva na pista, a primeira prova foi no mesmo dia daquele treino classificatório que Saavedra conseguiu a pole. Mesmo debaixo desse toró , aconteceu a largada.


Brabham e Chaves brigaram muito pela ponta, e o colombiano chegou a assumir a ponta na curva um da volta seis, mas no fim dessa mesma volta recebeu um chega-pra-la de Brabham e caiu para o quinto posto.

Na volta sete, Alex Baron e Zach Veach disputavam a vice-liderança da prova, se tocaram e Veach caiu pro fundo do grid, perdendo uma volta consertando seu carro nos boxes.


Mais a frente, Brabham abriu uma pequena distância, o suficiente para ficar um pouco mais distante da briga pelo segundo lugar. A vice-liderança da prova hora era de Razia, hora era de Harvey, e por alguns momentos foi ocupada por Baron, enquanto Gabby Chaves recuperava terreno para voltar a disputa de posições. No meio da prova, Razia consegue se desvencilhar dos outros postulantes ao segundo lugar, e parte a caça de Brabham.

Motor de Chaves abre o bico.
Na volta 18, o motor do colombiano abre o bico e o deixa na mão, voltando para o último lugar da prova. A outra Belardi de Baron também apresenta problemas, e o francês teve de abdicar a disputa por posições maiores. 
Razia, mesmo recuperando uma boa vantagem que Brabham impôs a todos, o australiano é o primeiro a passar na linha de largada-chegada e vence a prova! O brasileiro completa na segunda posição e Harvey fica com o terceiro lugar.



No dia seguinte, já com sol, mais corrida. Razia largava na ponta, pois fez a segunda melhor volta no treino classificatório. chaves largava a seu lado, com Harvey e Brabham na segunda fila.


Na segunda largada (já que a primeira foi abortada porque Chaves acelerou muito cedo) Razia permanece na ponta da prova, e Harvey assume a segunda posição, a frente das Andretti e das Belardi.  Veach erra na entrada da curva dez, roda, e volta no fim do grid, e na cuva um da segunda volta, Brabham erra sozinho e passa direto, perdendo as posições que conseguiu na largada e caindo pro sexto posto.

Na terceira volta, na reta oposta, Zack Meyer (Team Moore) e Juan Pedrahita se estranham e Piedrahita abandona. Bandeira amarela. 

Na relargada, Razia e Harvey brigavam pela primeira posição, Baron e Chaves pelo terceiro posto e os carros da Andretti tentavam se recuperar passando Scott Anderson e o pessoal das equipes menores. 

Essa foi a tônica da prova, a disputa entre os companheiros de equipe.  Enquanto na Belardi as coisas foram mais calmas e Alex Baron conseguiu dominar Gabby Chaves, na Andretti os pilotos disputaram bastante roda a roda. 

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Tive que passar para vídeo porque o gif ficou muito grande

E, lá na frente, Razia e Harvey disputavam a ponta da prova. O Inglês em nenhum momento ficou mais de um segundo longe de Razia durante a prova e, apesar de tentar uma vez ou outra, parecia mais esperar o brasileiro errar do que propriamente conseguir a ultrapassagem.

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Depois do meio da prova, Matthew Brabham volta a mostrar a velocidade que seu carro tinha na prova um, dá um chega-pra-lá em Veach (volta 20) e passa Scott Anderson (volta 23) para perseguir as Belardi de Baron e Chaves. Belardis que já não mostravam o melhor rendimento do carro, pois os pneus desgastados atrapalhavam seus pilotos a fazer as melhores voltas, e logo Brabham chega e passa Gabby Chaves (volta 31).

A prova seguia morna, até que a duas voltas pro fim...


Sim, os líderes do campeonato se batem! Ambos conseguem voltar par a prova e perder posições apenas para Scott Anderson e Juan Pablo García, pois os outros competidores estavam a aproximadamente seis anos-luz atrás.

No fim quem ri por último é Luiz Razia que vence! O Brasil não vencia na Indy Lights desde a fatídica corrida de Las Vegas, com Vitor Carbone! Jack Harvey completa a dobradinha no segundo lugar e Alex Baron passa em terceiro.



A próxima prova é a Freedom 100, com 40 voltas disputadas no oval do Indianapolis Motor Speedway. Essa é a primeira vez que os pilotos entram num oval, e a etapa marca a metade do campeonato.

Mostrando que estava em franca recuperação, a Schmidt-Peterson marcos os tempos mais rápidos em todos os treinos livres realizados e a pole ficou com Razia, com Harvey em segundo. Na segunda fila vinha a dupla da Andretti (Brabham em terceiro e Veach em quarto) e Gabby Chaves em quinto.

Dessa vez não mostrarei a largada pois ela não é importante em ovais, ainda mais com o IP2. Esse carro é muito parecido com os Dallara IR que apareceram na categoria até 2011. Carros que geram muito vácuo e fazem com que os piloto fiquem mais próximos nas corridas em oval de pé embaixo. Nessas corridas os pilotos com maior experiência também levam vantagem, pois conseguem trabalhar o vácuo no pelotão.

Perder um segundo de vácuo significa perder três posições

Pois bem, após a largada, formou-se um grande pelotão com todos os carros da Schmidt-Peterson, da Andretti e da Belardi. Matthew Brabham e Luiz Razia se revezavam na ponta da prova, até a volta 14, quando ocorreu o acidente mais perigoso desse ano.

Chase Austin, que não faz a temporada toda e conseguiu acerto para correr no carro #0 da Belardi apenas na Freedom 100, fazia sua terceira prova no oval centenário pela Indy Lights.

Ao entrar na curva um da volta 14 no oval de duas milhas e meia, o piloto perde o controle, e acaba batendo no final da barreira de pneus, num acidente plasticamente feio.

Após umas oito voltas de bandeira amarela, a corrida recomeça no mesmo ritmo que estava antes de ser interrompida. Essa balançada de Luiz Razia que vocês viram no primeiro gif da prova no oval aconteceu na volta 23, e o brasileiro não conseguiu voltar mais a ponta da prova. A posta era avidamente disputada até o último centímetro (literalmente) entre os dois carros da Andretti e Gabby Chaves. Chaves e Brabham dividiram a linha de tijolos que delimita a largada/chegada e proporcionaram mais um final emocionante da Freedom 100:

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Gabby Chaves, depois do vice na Freedom 100 do ano passado, vence a prova! O Novato Matthew Brabham termina em segundo, um pé de distância atrás de Chaves e Zach Veach garante o terceiro lugar com um movimento no mínimo duvidoso.


Seguimos para o último "oval" longo do ano, o Pocono International Raceway.
Mas não tinha tanta animação, com a prova tendo apenas oito carros e um número não muito maior de espectadores nas arquibancadas. Lloyd Read e a BHA Racing acabam sua parceria por problemas financeiros (as libras de Read acabaram), Alex Baron teve problemas com seu visto americano e a Team Moore, depois de acabar sua parceria com Vittorio Ghirelli antes de Indianápolis, levou seu carro para os boxes e esperou Zack Meyer aparecer na pista, mas o mesmo não o fez por motivos pessoais.

Apesar de Gabby Chaves liderar os dois treinos livres, Zach Veach conseguiu a ponta, com a dupla da Schmidt-Peterson que importa logo atrás (Harvey em segundo e Razia em terceiro), com o colombiano no quarto posto.

Na largada Veach, Razia e Chaves, se distanciam de Harvey e os outros. A corrida seguia nesse ritmo até a abertura da volta sete, quando Razia esboçou a ultrapassagem para cima de Veach, criando vácuo suficiente para que Chaves também emparelhasse e ultrapassasse ambos num 3-wide.


Chaves assume a ponta e na curva seguinte ocorre o primeiro acidente de Razia num oval. O brasileiro, emparelhado com Harvey, coloca o carro um pouco abaixo da linha amarela, seu carro acaba guinando para o lado de dentro da pista e batendo forte no muro interno a mais de duzentos quilômetros por hora.


Após cinco voltas em bandeira amarela, voltamos a ter corrida. Infelizmente, ela não foi não animada quanto o começo, pois Chaves abriu distância perante Veach e Harvey e venceu a prova!  Veach passa em segundo e Harvey em terceiro.


Seguimos para Toronto, a única prova fora dos EUA no caledário da Indy Lights. Lá, tivemos novamente 12 carros: Zack Meyer consegue resolver seus problemas pessoais e volta a correr pela Team Moore; a BHA consegue achar um substituto para Lloyd Read e Ryan Phinny, com o apoio da estirpe de George Clooney, consegue patrocínio para correr todas as corridas em misto restantes, e Alex Baron, que ainda não resolveu seus problemas com o visto americano, é liberado para correr, pois não tem problemas com seu visto canadense.
Sim, esses eram TODOS os membros da MDL Racing (pessoas ao fundo não incluídas) (fonte: twitter @matthewdileo)
A novidade maior fica por conta de Matthew di Leo, o piloto de kart local que volta a correr pela MDL (Matthew di Leo) Racing e sua microinfraestrutura.

Treinos livres dominados pela Belardi, mas agora com a Schmidt-Peterson brigando muito forte com a Andretti pelos melhores lugares. No treino classificatório, quem se dá bem é o pseudo-extraditado Alex Baron, que consegue a pole a frente de seu companheiro Gabby Chaves. Brabham e Harvey fazem a segunda fila, enquanto Razia e Veach foram a terceira. E tivemos largada acidentada!


Infelizmente, com Razia envolvido. O brasileiro estava por dentro, Zack Meyer por fora, os dois tentaram ocupar o mesmo espaço na pista e acabaram batendo. Acidente de corrida, ao meu ver.  Razia até tentou voltar para a prova, arrumar um pouco o carro e se arrastar pela pista, mas foi impedido pela direção de prova, julgando que seu carro não estava em condições de correr.

Esse acidente foi trágico para o campeonato do brasileiro, que praticamente sacramentou que ele estaria fora da disputa do título. Eu explico.

A Indy Lights tem a pontuação igual a da Indycar: o primeiro ganha 50 pontos, o segundo 40, o terceiro 35, e assim por diante e, para conseguir essa pontuação, você precisa completar 50% da prova, caso contrário ficará com apenas um ponto na rodada.  Como são poucas provas e a diferença entre os ponteiros não é tão grande assim, recuperar 50 pontos é extremamente difícil, quando se perde 100 pontos suas chances de ser campeão tendem a zero. O último campeão com dois abandonos foi J. R. Hildebrand, em 2009 quando ainda corriam mais de 20 carros na Lights.

Razia não estava lá muito feliz.
Esses dois abandonos fez com que a diferença de nove pontos ente Chaves e Razia depois da Freedom 100 se ampliasse para 97 pontos após Toronto, e poderia ser ainda maior, caso Chaves vencesse a prova. O próprio brasileiro adimitiu, em entrevista na transmissão da NBCSN, que as chances de ele se recuperar e ganhar o campeonato era mínima: "O campeonato agora acabou, agora o que posso fazer é conseguir os melhores resultados e ajudar a equipe." ou algo assim que meu inglês por correspondência conseguiu captar.

É uma pena, pois o brasileiro fazia um ótimo campeonato, principalmente nessa fase onde a Schmidt-Peterson vinha melhorando a passos largos e ainda mais quando o povo aprendeu a falar Luiz Razía ao invés de Luiz Rátzia.
A tia deu uns refratários que estavam parados na casa dela pra servir de troféu em Toronto. (fonte Indylights.com)
No resto da corrida não houve grandes novidades. Harvey conseguiu passar Brabham e assumir a terceira posição na curva 3 da primeira volta. Phinny errou sozinho na volta três e abandonou sua corrida de estreia.

No mais, Baron e Chaves abriram diferença de mais de dez segundos para Harvey, que segurava Brabham e Veach atrás de si, até o meio da prova. Com o desgaste de pneus aumentando, a Belardi começa a andar bem pior enquanto a Schmidt-Peterson consegue se manter com bom ritmo com pneus gastos e Harvey se desvencilha das Andretti, se aproximando perigosamente de Chaves e Baron.

Harvey consegue colar em Chaves, mas ultrapassar ainda é difícil e todos se mantém. Mesmo com Baron não podendo disputar todas as provas, o francês vence! Chaves passa em segundo e abre mais distância no campeonato, enquanto Harvey passa em terceiro. Brabham passa em quarto, cinco segundos atrás, mas onze segundos a frente de Veach. Matthew di Leo, o sexto colocado, passou muito tempo depois dos cinco primeiros, em um tem estimaod em 51 eras geológicas segundos.

Pegaram alguém aleatório da torcida para entregar o troféu a Gabby Chaves.(fonte Indylights.com)
Com as duas vitórias de Chaves nos ovais e o sumiço de Veach nesse período, o colombiano abria 21 pontos de vantagem para o hobbit americano, e Jack Harvey era o novo terceiro colocado, 48 pontos atrás.
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