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Representante da Indy no Brasil fala sobre o futuro das transmissões da categoria, a relação com os pilotos e as novidades para 2020

Willy Hermann acompanhado de Emerson Fittipaldi e Carlo Gancia em Indianapolis
Depois do encerramento da temporada em Laguna Seca, a IndyCar está atravessando sua offseason porém ao contrário dos anos anteriores, muitas notícias bombásticas e novidades tecnológicas estão agitando o público que espera ansiosamente pela próxima temporada. Em entrevista concedida ao blog, Willy Hermann, um dos representantes da categoria no Brasil, conta como começou o seu envolvimento com a Indy, além da sua ligação com a Band. Além disso, ele expõe suas opiniões sobre a nova safra de pilotos brasileiros e os novos rumos da Indy.

INDY CENTER BRASIL: De onde surgiu a sua paixão e seu envolvimento com o automobilismo e com a Fórmula Indy?

WILLY HERMANN: Adoro carros. Sempre gostei de automobilismo como fã e piloto amador participando de algumas provas em SP. Nunca pensei em ser atleta ou piloto, o lado comercial sempre me interessou mais. Em março de 1984, o Emerson Fittipaldi foi participar do Miami Grand Prix e na ocasião apareceu Pepe Romero propondo montar uma equipe na Indy, e assim começou a “fase rosa” (em referência ao carro rosa da WIT Racing que Emerson pilotou em seu primeiro ano na CART). De lá para cá muita coisa mudou, fiz bons amigos e trabalhei com o Emerson até 1993. Em 1996, com a cisão entre CART / IRL, o pessoal de Indianapolis nos convidou para representá-los no Brasil. Junto com o Carlo Gancia, conseguimos viabilizar as corridas no Anhembi e atrair o interesse de grandes pilotos e patrocinadores brasileiros para consolidar a categoria neste mercado. Também expandimos a cobertura para os países de língua portuguesa e no ano passado passamos a cuidar da Indy em toda a América Latina.

Como surgiu a ligação da Indy com a Band? E como começou a parceria com o DAZN?

Antes de anunciar a ida do Emerson para a CART e  para a Indy 500 negociamos os direitos de TV para o Brasil por 5 anos. Depois de muita insistência, um amigo me levou para uma reunião com o dr. João Saad na Band. Como o campeonato chamava CART (Championship Auto Racing Teams) causava confusão com a participação do Emerson no Super Kart no Brasil. Os fãs poderiam pensar que o Emerson estaria indo correr num kart na América. Então como falávamos de um carro monoposto era um fórmula que correria a Indy 500, portanto naquele dia na sala do dr. João nasceu a Fórmula Indy e o Luciano do Valle comprou a ideia. No começo deste ano a DAZN comprou os direitos de streaming para Alemanha, Áustria e Suíça. Como estavam iniciando a operação no Brasil fizeram uma proposta para streaming, algo que o Grupo Bandeirantes ainda não tinha implantado.

De que forma o senhor avalia os anos em que a Indy correu no sambódromo do Anhembi? Se a Fórmula 1 mudar de São Paulo para o Rio de Janeiro, o senhor considera possível uma prova da Indy no autódromo de Interlagos?

Corremos no Anhembi pois a F1 tinha o direito de veto para qualquer corrida com mais de 10 pilotos estrangeiros. Promover uma corrida internacional sempre é difícil e num circuito de rua ainda mais. Para complicar no nosso caso sendo a prefeitura responsável pelo Anhembi e av. Olavo Fontoura e a marginal sujeita a autorização do Governo Estadual ainda dependíamos da aprovação do Prefeito e do Governador. No entanto, os eventos foram ótimos e foram reconhecidos e elogiados pela FIA, Indy, equipes e pilotos. O público foi ótimo e confirmou que a INDY tem uma forte torcida no Brasil. Atualmente com a F1 sendo gerida pela Liberty, não creio que o veto seria um problema. Quem sabe algum dia vamos compartilhar Interlagos com a F1 como já acontece em Austin. Não temos maiores informações sobre o Rio de Janeiro apenas fomos procurados por representantes da Rio Motorpark mas até o momento foram apenas apresentadas ideias e desenhos.

Por quais motivos não houve a realização da prova em Brasília?

O governador do Distrito Federal (na época tratava-se de Rodrigo Rollemberg, do PSB, político opositor do governo antecessor, de Agnelo Queiroz, do PT, responsável por fechar os contratos com a Band), apesar de ter apoiado a prova quando em campanha eleitoral, acabou cancelando a corrida apesar dela ter sido um objeto de um contrato com o grupo Bandeirantes que foi inclusive publicado no Diário Oficial. Ficou um grande prejuízo financeiro para a Band e no exterior a imagem de que contratos valem muito pouco no Brasil. Hoje existe uma demanda judicial da Band envolvendo o autódromo então para a Indy não é uma alternativa enquanto isto não estiver resolvido. Importante ressaltar que o grupo Bandeirantes administrou este problema com a Indy e tem total confiança da categoria.

É normal a Indy seguir o caminho da transmissão por streaming ou isso pode ser um risco se for o único foco? Como o senhor acredita que ficarão as transmissões da categoria para os próximos anos nos EUA e no Brasil?

O streaming não exclui as mídias de TV aberta e TV paga e no caso do automobilismo ele complementa. Temos uma plataforma de streaming para o México mais 13 países da América Latina hispânica com a Claro Vídeo que nos mostrou a ponta deste iceberg. Pois o assinante pode assistir durante o ano quantas vezes quiser as provas on demand, melhores momentos, treinos e classificações. Uma cobertura muito mais ampla e profunda do que o tempo permite nas televisões. Portanto acredito que o streaming está se desenvolvendo. Nos Estados Unidos as corridas estão na NBC e NBCSN além do streaming NBC Gold. E eu vejo no futuro este mesmo modelo se desenvolvendo no Brasil. O contrato Band não é nenhum segredo e termina em 31/12/2019, por isso estamos conversando sobre a renovação com eles. A Band terá uma reunião em Indianapolis prevista para o final de janeiro de 2020. Naturalmente também estamos avaliando outras alternativas tanto de TV aberta como paga.

Qual é a sua relação com os pilotos brasileiros no grid? Acredita que podem surgir novos talentos em um futuro próximo?

Como representantes da categoria não trabalhamos com nenhum piloto mas ajudamos sempre que nos é possível. Infelizmente o Matheus Leist e o Pietro Fittipaldi não puderam mostrar o seu potencial face a contratempos e limitações de equipamento. Pelo que sabemos o Tony Kanaan já tem acertado a sua participação nas provas dos ovais e depende de uma formalização de patrocínio para as provas restantes. Temos vários pilotos com potencial de dar vitórias ao Brasil na Indy, como o Felipe Nasr, que aliás estava muito perto de fechar com Sam Schmidt, ou o Pipo Derani, sem falar no Sérgio Sette Câmara ou no João Paulo de Oliveira, entre outros. Basta no momento certo aparecer a oportunidade certa. Temos uma relação muito boa com os pilotos, além do lado profissional vários são também especiais amigos.

Sobre o Road to Indy, como é possível perceber existem dois grids cheios (USF2000 e Indy Pro 2000) e um grid esvaziado na Indy Lights. Isso pode atrapalhar de alguma forma o projeto de carreira dos pilotos mais jovens?

O Road to Indy é um conceito fantástico. Basta ver quantos pilotos aproveitaram a oportunidade para se estabelecer na Indy. Infelizmente quanto mais alto o degrau maior a diferença entre as equipes pequenas, médias e grandes. Na Indy Lights esta situação é ainda mais complicada. Alguns anos atrás, o Sam Schmidt tinha uma boa operação na Lights que permitia pelo menos 6 ou 8 alternativas com chance de lutar pelo campeonato, 3 Andretti’s e 3 Schmidt. O Juncos e a Carlin acredito também tinham este potencial. Mas a prioridade na IndyCar encerrou as operações do Sam e acredito atrapalhou o Ricardo e o Trevor. Isto inflacionou os custos da Lights além do razoável. Acho que 2020 traz a oportunidade para equipes que estejam voltadas a desenvolver um programa sério de se estabelecer como novas força na categoria.

Foi um bom negócio a Indy ser comprada por Roger Penske? Acredita que o calendário está de bom tamanho ou pode aumentar?

O Roger Penske é uma boa opção porém agora vamos enfrentar um período de poucas decisões até que se estabeleça aqueles que serão mantidos e quem serão as novas pessoas chaves. Eu sei que o Roger tem uma especial simpatia pelos ovais mas não conheço a opinião dele sobre o número de corridas.

O que o senhor acha da implementação de novas tecnologias como aeroscreen e motores híbridos? E o que projeta para o futuro da categoria?

A Indy tem uma ligação muito forte com tecnologia. O IMS quando foi concebido em 1903, tinha por objetivo ser um campo de provas para a indústria. E este conceito continua bom com a proximidade do desenvolvimento para aplicação nos automóveis convencionais. A introdução da tecnologia híbrida vem sido discutida há anos. Finalmente encontraram uma alternativa de uma unidade híbrida que será padrão para todos os carros.

2 comentários:

  1. A Indy no Rio e muito mais vantagens do que desvantagens..!!
    Deicha a fórmula 1 em São Paulo e concentra na Indy no Rio...!!

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  2. Os metralhas da indy no brasil não me enganam... o que tem de história desses aí querendo uma boquinha pra viabilizar a corrida em brasilia e em ribeirão preto... tony george na época ficou indignado com a cara de pau desses... eu sei de tudo dos bastidores por experiencia pessoal.. olho aberto!

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