USF2000: Mazda Road to Indy shootout aka Jogos Vorazes 2016

Dos dias 5 a 7 de dezembro ocorre o maior evento da pré temporada do Road to Indy desde que o Winterfest morreu. O Mazda Road to Indy Shootout reúne representantes de várias categorias para participar de várias atividades que, no final, renderão o prêmio de 200 mil dólares em cotas de patrocínio para a entrada de um deles na USF2000.
Só que não.
Essa atividade (não é um campeonato, não é um torneio, não é uma corrida; vocês verão mais para frente o motivo de eu chamar a atividade de "atividade") foi idealizada em agosto do ano passado, onde a Andersen Promotions (que coordena todas as categorias do Road to Indy), substitui o Cooper Tires Winterfest e dá uma folga maior às equipes até fim de fevereiro.

No lugar de um torneio com pilotos já contratados pelas equipes, vimos surgir os Jogos Vorazes: vários campeonatos afiliados ao Road to Indy enviariam um representante para participar desse Shootout e, o grande escolhido, entraria na tão sonhada USF2000. Nos Jogos Vorazes da USF2000, as categorias afiliadas são os distritos, os escolhidos são os tributos e o prêmio é... bem, o prêmio. A vantagem é que nesses Jogos Vorazes ninguém morre.

Esses foram os dezoito tributos dos distritos espalhados por nove países diferentes:
Os tributos de 2016.
Temos a presença de catorze campeões, sendo que a maioria deles são de campeonatos organizados por outra chancela americana, a Sports Car and Club America (SCCA). Os campeões da F-Atlantic, F-2000 e F-1600 americana, F-2000 Pacífico e os três campeões gerais do ranking da SCCA são originários dessa chancela. Também surgiu um caso interessante: os campeões da F-2000 (Oliver Askew) e da F-1600 (Kyle Kirkwood) foram chamados para representar os Estados Unidos na corrida internacional da Fórmula Ford; e, como eles não podem ocupar duas vagas ao mesmo tempo no Shootout, os vices campeões de cada campeonato (Peter Portante na F-1600 e John McCusker na F-2000) foram convocados.

Portante e McCusker não são os únicos vice-campeões a serem convocados. Will Brown foi o vice-campeão da F-Ford Australiana, mas como a campeã Leanne Tander já é veterana e tem 36 anos, Brown foi o tributo escolhido para participar do Shootout. Karthik Tharanisingh foi o escolhido da F-1600 Indiana mesmo sendo vice-campeão, pois o campeão, Vikas Anand, teve sua licença de pilotagem suspensa depois de dirigir embriagado e provocar um acidente que feriu uma dúzia de pessoas e matou um homem.

De todos os convocados, apenas dois pilotos foram campeões em categorias de Kart. Austin Garrisson foi o campeão do Rotax Max Challenge, um super torneio que reúne os principais pilotos dos campeonatos Rotax, chancela de Kart que possui campeonatos tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos.
O único brasileiro no certame.
O outro é o Brasileiro Marcel Coletta, que foi campeão de um torneio organizado pela divisão brasileira do Mazda Road to Indy no dia 27 de agosto em Interlagos, já que o país não tem campeonatos decentes de monopostos faz tempo. Coletta é o piloto mais jovem desse Shootout com apenas 14 anos, e também conseguiu o terceiro lugar na seletiva Petrobrás de Kart.

E poderiam ser dois representantes brasileiros no Shootout, pois o Formula Car Challenge é um campeonato que luta para juntar dez pilotos, mas tem duas categorias diferentes: A Formula Speed (com carros Mazda bem arcaicos) e o Pro Formula Mazda, com carros bemparecidos com os da categoria expert da Pro Mazda no Road to Indy. Bruno Carneiro e Lisa foram campeões nessa classe, enquanto Jonathan Sugianto foram campeões na outra categoria, e havia apenas uma vaga para a Formula Car Challenge. O que fazer para decidir com quem fica com essa vaga? Uma pequena corrida entre os dois? Voltas lançadas? Comparações de currículo??

Um vídeo. Cada um teve que fazer um vídeo contando sua história e os motivos de estarem lá. Com uma história de recuperação de leucemia por meio de um dos programas assistenciais de Jeff Gordon, Sugianto ganhou com um pé nas costas e Bruno Carneiro não conseguiu a vaga.
Os carrinhos que serão usados no Shootout.
Outro ponto um bocado controverso desse Shootout é a forma que ocorrerão as atividades. No primeiro dia (5 de dezembro, ontem) ocorreu apenas reuniões, escolha dos carros, e palestras sobre o campeonato, atividades e outros. Hoje (6 de dezembro) começam as atividades de pista, onde os pilotos serão divididos em grupos e constantemente instruídos. Amanhã ocorrerão mais treinos livres pela manhã e, no almoço, os instrutores eliminarão metade dos pilotos; os restantes farão uma simulação de qualificação e, logo após, uma simulação de corrida de 30 minutos. À noite sairão os resultados e quem levará o prêmio final.

Caso você tenha reparado, as atividades em si não renderão pontos e quem fizer mais pontos leva o prêmio. O vencedor será decidido a partir de um consenso entre cinco juízes (não são os instrutores, que estarão próximos dos pilotos e fazem a priemira triagem após todos os treinos livres, mas sim OUTRAS PESSOAS) que acompanharão todas as atividades do lado de fora, se reunirão e escolherão o vencedor do Shootout. Os cinco juízes são o piloto Spencser Pigot, o piloto de turismo Jonathan Bomarito, o ex-piloto Scott Goodyear, e os engenheiros Joel Miller e Andrew Carbonell. Também entrarão como membros não-votantes os representantes da Andersen Promotions (Michelle Kish e Scott Elkins), da Cooper Tires (Chris Pantani), e da Lucas Oil (Neil Enerson e Todd Snyder). 

Acho que só para mim esse modo de competição soou meio como um anticlímax de tudo. Eu acharia muito mais legal fazer corrida (ou corridas, mini-baterias e depois uma corrida final) e o piloto que realmente se sobressaísse e vencesse cruzando a linha de chegada na frente, como uma boa competição de automobilismo demanda. Mas esse formato de painel de juízes me parece muito mais competição de hipismo ou aqueles reality shows de cantores que não param de gritar; e o fato de ter cinco executivos representando empresas no painel de juízes adiciona um fator político na coisa toda e me desagrada ainda mais.

Mas, enfim, a ação de reunir pilotos promissores, tanto de dentro quanto de fora dos EUA, é uma ação louvável e sem precedentes no mundo da Indycar. Só vamos trabalhar mais nesse formato aí né...

E torçamos juntos por Marcel Coletta!! Podemmos ter mais um brasileiro no Road to Indy!!
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