Muñoz vence sua primeira prova depois da chuva Dibrar a todos.

Não sou muito de fazer trocadilhos com algo que não entendo como o futebol, mas foi bem isso que aconteceu. Quase todos erraram na estratégia, e foi nesses momentos que a Andretti brilhou, com Carlos Muñoz perdendo o cabaço e vencendo.
Tinha tanta chuva lá fora que o pódio foi improvisado na sala de imprensa.
Devo admitir que tinha poucas esperanças para a prova, e creio que muitos me sentiram como eu. Estávamos de ressaca das 500 milhas e mesmo com as mudanças que ambas fizeram, o domínio da Chevy não havia diminuído nos treinos. Em Detroit nem a Ganassi conseguiu alcançar o quarteto da Penske, que fez 1-2-3-5 na qualificação. Tá certo que não teve tanta corrida assim, mas focarei nas estratégias pra vocês entenderem o motivo de eu achar a corrida boa.

Mas veio um convidado que não esperávamos: a chuva. Ela veio durante a prova da TUSCC, parou pouco antes das quatro horas (horários de Brasília sempre por aqui) e a meteorologia apontava mais chuva no fim da tarde. Isso fez a INDYCAR adiantar o cronograma e dar a largada as quatro e meia.
Sato na frente e a chuva trolladora de estratégias.

Na bandeira verde vimos Power, Hélio e Montoya passaram a frente do grid, mas um Takuma Sato que só aparece em Detroit e manda muito bem passou o trio da ponta na Penske e assumiu a ponta da prova na metade da segunda volta.

Daí veio a primeira das seis amarelas com a batida de Gonzalez. Na relargada da volta 6 (de 70 previstas) outra bandeira amarela, envolvendo um brasileiro no único acidente de verdade da prova. Stefano Coletti, James Jakes e Tony Kanaan vinham lado a lado na curva um, quando o inglês tocou a asa traseira do monegasco e guinou rumo ao brasileiro patrocinado pela Taylor Swift. Todos os três voltam pra prova, mas perdem no mínimo duas voltas para arrumarem seus carros.


Nesse ponto foi o primeiro pulo do gato da Andretti, quando o Marco Andretti colocou pneus de pista seca num circuito cada vez menos molhado; alguns o acompanharam, mas o americano voltou em primeiro entre eles. Na relargada os pneus de pista seca já se mostravam ligeiramente melhores, e quando a terceira bandeira amarela saiu na volta 14 pela batida de Charlie Kimball sozinho, os que não pararam antes fizeram seus pit stops e Marco Andretti assumiu a ponta na volta 15.

Na relargada da volta 18 Marco vinha na ponta, seguido por Fillipi, Hawksworth, Hunter-Reay e Conor Daly, com Sato e o trio dominante da Penske do oitavo lugar pra trás.  Nessa altura da prova, estava prevista ainda duas paradas para o pessoal da ponta, ou teriam de economizar MUITO para fazer uma parada a menos, enquanto o pessoal que parou depois faria uma parada tranquilamente.
O protagonista de um dos erros de estratégia mais estranhos dos últimos anos.

A corrida estava bem amarrada e surgiu uma nova bandeira amarela na volta 20, por detritos na pista do toque de Rodolfo Gonzalez no muro. Os detritos causariam ainda mais duas bandeiras amarelas mas, num circuito onde a ultrapassagem é complicada, pouco mudaria a corrida tanto dos ponteiros quanto dos que pararam depois.

Mas na última delas, causada por detritos de um toque entre Conor Daly e Ryan Hunter-Reay, veio a bandeira amarela mais importante. Scott Dixon aproveitou para adiantar uma parada e colocar pneus de chuva, pois era prevista uma precipitação forte para daqui a poucos minutos na pista. Outro fato é que todos saberia que a prova terminaria por tempo, e não por voltas.

Os estrategistas de Scott Dixon não são muito de errar em estratégias, basta lembrar da prova de Mid-Ohio no ano passado, quando o neo-zelandês passou de último pra primeiro em apenas uma parada de box e venceu a prova. Mas parar para colocar pneus de chuva com a pista seca parecia ser algo muito estranho. A coisa toda beirava a loucura que deixou alguns engenheiros confusos e outros pilotos (como Hélio Castroneves e Jack Hawksworth) seguiram a estratégia maluca de Dixon e pararam junto.
A cabeça dos estrategistas quando a chuva chegou.

Duas voltas depois, na volta 36, começou a garoar. Todos os estrategistas colocaram a mão na cabeça, xingaram Dixon por ter passado eles pra trás na estratégia mais uma vez e mandaram seus pilotos irem aos boxes. Todos menos cinco pilotos: James Jakes, que estava uma volta atrás, Will Power, Marco Andretti, Simon Pagenaud e Carlos Muñoz, que assumiram a ponta da prova nessa ordem. Andretti assumiu a ponta da prova em mais um pulo do gato de sua equipe.

Power parou pouco depois, com  medo da chuva apertar e ele ainda estar desprevenido de slick, mas as meras três voltas que ficou a mais na pista lhe deram vantagem suficiente não só pra voltar a frente de Dixon, Hélio e os outros, mas para voltas quase dez segundos na frente deles todos. 

Foi aí que todos sacaram: mesmo garoando, os pneus de pista seca eram muito melhores que os de chuva no momento. Os três primeiros (e James Jakes) fazia voltas seis, oito, e até dez segundos mais rápidas que os pilotos com pneus de chuva, logo sumiram na ponta e davam voltas no pelotão a torto e a direito.
Pagenaud e Marco Andretti nas suas corridas particulares.
A corrida se tornou um baile pra quem tinha pneus de pista seca, e um inferno pra quem tinha pneus de pista molhada. Jakes recuperou a volta que tinha perdido e figurava na oitava posição na volta 41, Dixon e os carros da CFH fizeram uma parada extra pra colocar slicks, mas o erro de estratégia foi fatal e a briga da prova ficou apenas entre Andretti, Pagenaud e Muñoz.

Andretti ainda estava na ponta até a volta 40, quando ele e Pagenaud fizeram sua última parada para finalmente colocar pneus de chuva. Andretti foi por força da falta de combustível, enquanto Pagenaud, que estava vivendo um a corrida apagada, achava que apenas Marco poderia ser um impecilho a sua vitória. Os dois voltaram mais de meio minuto a frente de Power, mas Muñoz ficou ainda mais na pista, abriu mais vantagem e na sua parada, feita na volta 43, voltou vinte segundos a frente dos dois e mais de um minuto a frente de Power.
As Penskes ficaram pra trás na estratégia.

Já não havia muito mais o que fazer. O colombiano só teria que resistir por mais umas dez ou quinze voltas o ataque de ninguém em especial, já que seus concorrentes estavam muito para trás. Mas ele não teve que esperar muito para vencer e humilhar muitos pilotos que tinham como trunfos a estratégia. 

Na volta 46 veio a derradeira bandeira amarela por raios no entorno do circuito citadino. A tempestade prevista pouco antes da prova se concretizou, e caia pesado na pista. A INDYCAR acionou a bandeira vermelha e vinte minutos depois declarou a corrida encerrada no fechamento da volta 47, declarando Muñoz o grande vencedor de hoje. Marco Andretti terminou em segundo lugar, numa inusitada dobradinha da tão combalida Andretti Autosport, e Pagenaud terminou seu fim de semana apagado do melhor jeito possível, com um lugar no pódio. 

Hélio Castroneves, com sua estratégia de seguir Dixon, terminou no sexto lugar, atrás do próprio Dixon e de Will Power, o quarto colocado. Tony ainda consertou seu carro e terminou a dez voltas do líder, confira a classificação (importante salientar: ao contrário do veiculado pela transmissão oficial brasileira, a partir da metade da prova já valem todos os pontos integralmente):
Fp: posição final, SP: posição de largada, Car: Número do carro, Driver: piloto, Car Name: patrocínio,
Laps: voltas, Running/Reason Out: estava correndo ou bateu/teve problemas, Pts: pontos conquistados,
Total Pts: pontos no campeonato e Standings: posição no campeonato.
O próximo duelo acontece hoje no mesmo horário, com previsão de chuva novamente. Eu não perderia por nada.
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