Postagem-resumo do cancelamento da Indy em Brasília.

Pois é, já é fato que a Brasília Indy 300 (que tinha acabado de se tornar Itaipava Brasília Indy 300) foi cancelada. Tudo aconteceu a toque de caixa, houve muito disse-que-me-disse e, pelo andar da carruagem, ainda tem muito o que acontecer. Agora que cumpri toda minha cota de usar três expressões regionais, posso escrever o texto normalmente.

A Itaipava entra em acordo para ser a patrocinadora master do evento.

A marca de cerveja já havia assinado um dia antes (28 de janeiro) para ser a patrocinadora master do evento, assim como foi em são Paulo em 2012 e 2013.

Segundo o "máquina do esporte", do portal UOL, o acordo previa, além da marca no título da prova, mídia na Band. A emissora paulista faz a transmissão da Indy no Brasil e organiza a prova no país. A marca de cerveja também terá exclusividade na comercialização de produtos no autódromo.

Entretanto, tudo foi por água abaixo.

Ministério Público Recomenda o governo a parar a reforma do autódromo.

O Ministério Público do DF recomendou a Terracap e a Novacap que parasse de se envolver com a reforma em Brasília, argumentando e elencando 23 razões para a obra ser parada imediatamente. fizemos um resumo (o Danel fez) do documento que o MPDF mandou para a Terracap aqui

O fato é que a obra foi feita ao estilo de obras milionárias que o governo faz atualmente. TODOS os 23 pontos elencados pelo MPDF são justíssimos e muitos deles são de causar grande indignação do que se faz com nosso dinheiro público. 

A Terracap acatou a recomendação, e cancelou a prova.

Vale ressaltar que o referido documento emitido pelo MPDF com as recomendações também comentava que, caso a recomendação não fosse atendida, eles tomariam as medidas judiciais que julgassem cabíveis, e que o Governador do Distrito Federal já foi avisado de tudo o que aconteceu.

Diante dessa pequena pressão, a Terracap parou a obra imediatamente. A obra estagnou com 60% dos trabalhos já feitos para o recebimento da prova, como pode ser visto no vídeo: 


As máquinas estão paradas no circuito e não se sabe até agora qual será o destino das obras no autódromo.

A BAND emite comunicado do cancelamento unilateral da prova.

A Band, por meio de nota da assessoria de imprensa e por meio de uma matéria em seu site, comunica a decisão da Terracap de cancelar a prova.  

O que mais incomoda nos dois comunicados da rede é o tom que ele adquire, passando a impressão que o cancelamento é culpa apenas da Terracap, o que não é a verdade. A Terracap apenas acatou a decisão do MPDF, que constatou irregularidades gritantes no contrato firmado entre o governo do DF e a rede Bandeirantes.

A INDYCAR é pega de surpresa.

A anúncio feito pela BAND hoje (29 de janeiro), dizendo
que a corrida de 8 de março em Brasília foi cancelada
foi inesperado e frustrante. A INDYCAR recebeu várias
indicações que a corrida seria um sucesso:
2/3 dos ingressos vendidos, uma patrocinador para
o evento (Itaipava), hospedagem feita
e a reforma do autódromo a todo o vapor e
 prevista para terminar a tempo da realização
do evento. Entretanto, não recebemos confirmação
formal de nossos parceiros no Brasil
apontando o cancelamento, e a INDYCAR
e todo o padoque está protegido economicamente
dessa decisão.
Após esses comunicados, o mundo da Indycar na internet explodiu. Os brasileiros estavam indignados, criticando a tudo a e a todos, a turma do 'eu já sabia' emitiu seu lema: eu já sabia.  Apenas depois disso que a turma estrangeira foi procurar entender o que estava acontecendo, descobriram o fato que a prova foi cancelada e foram verirficar se era fato ou não perguntando à Indycar. Nesse ponto que a direção da Indy descobriu o que aconteceu.

A INDYCAR (direção da Indycar, que se chama INDYCAR, tudo em maiúsculo) se apressou em emitir uma nota confirmando o fato (foto ao lado). 

Mark Miles (CEO da Indycar) contou em entrevista dada a FOX Sports que "Esse foi o maior desapontamento que já sofreu, que a prova seria claramente um sucesso comercial", que "a categoria busca uma solução para tapar o buraco no calendário," e que "continuará buscando boas oportunidades para se fazer corridas em território internacional, apesar das duas tentativas de corridas fora dos EUA/Canadá não resultarem em provas para 2015."

Esse é o jeito amistoso e político da Indycar dizer que está puta com todo o acontecimento, pois nada se mencionou sobre uma possível volta ao Brasil nem sobre seu envolvimento com a BAND, apenas se limitou a dizer que está protegida contra o cancelamento e que procura algo pra tapar o buraco causado pelo cancelamento.

O que ainda vai acontecer.

Bem, sobraram muitas pontas soltas em toda essa história trágica envolvendo a prova mo Brasil.

Existe uma multa caso não se cumpra os termos de haver uma corrida no Brasil entre 2015 e 2019, estimada em R$ 80 milhões, multa que o governo se antecipou a declarar que não pagaria de modo algum.  A Rede Bandeirantes declara que, se for necessário, entrará na Justiça contra a Terracap e contra o governo distrital.

O Ministério Público também investiga esse acordo feito entre os ex-governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e a Rede Bandeirantes, por irregularidades.

A INDYCAR nada menciona sobre sua relação com a Rede Bandeirantes, mas não é a primeira vez que a rede dos Saad falha com a categoria, o que já gerou até um processo judicial contra a empresa quando nenhuma corrida foi realizada no Brasil no ano passado. É provável que a emissora perca os direitos de transmissão e todo o relacionamento que tem entre ela e a categoria americana.

A INDYCAR também procura um novo lugar para sediar o evento e ter 17 provas no ano. cogita-se a entrada do COTA, no Texas; de uma segunda corrida em St. Pete e até uma corrida ainda no Brasil, em Goiânia.  Correr em COTA e em Goiânia são hipóteses difíceis, tendo em vista que os outros promotores de corridas no Texas reclamam de uma terceira corrida no estado e da divisão do público; enquanto o governo de Goiás já não se mostrou disposto a bancar todos os custos de uma prova no autódromo, onde a Indycar negocia uma corrida desde o fim de 2013.

Mas o ponto mais crucial é o futoro do Autódromo Nelson Piquet. Os boxes e quase toda a estrutura do autódromo já foi demolida e agora as máquinas estão paradas, esperando uma decisão do gaoverno, do ministério público, da Terracap, da CBA ou de alguém que se interesse minimamente pela situação dos autódromos no Brasil.
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