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Nessa semana houve o primeiro teste em pista do Aeroscreen, que deve ser introduzido na Indy na temporada de 2020. Mas o que é esse Aeroscreen? quais as reações desse primeiro teste? Vejamos a seguir!


Nesta quarta-feira aconteceu o primeiro grande passo da temporada 2020 da Fórmula Indy. No Indianápolis Motor Speedway, dois carros DW-12, o #9 de Scott Dixon e o #12 de Will Power, deram voltas durante o dia inteiro com o Aeroscreen, o novo aparato que a categoria implementará em 2020.

Primeiro vamos ver o que é o Aeroscreen e o motivo de ele ser adotado ao invés de outros aparatos similares.

Antes da existência do aeroscreen, haviam dois aparatos similares que tiveram sua introdução estudada na Fórmula 1. O Halo idealizado pela FIA e o windscreen idealizado pela Red Bull. 

Estou certo que vocês conhecem os dois aparatos e, com a pressão sobre a Indy para maior proteção da cabeça dos pilotos (não só nesse ponto, mas nesse também), a direção da categoria decidiu introduzir algum aparato em seus carros também. 

Halo tampando 25% da visão do piloto.
Fonte: Autosport, pois só eles pra colocar uma Mercedes no Texas
Foi aplicado o modus operandi da introdução de novos aparatos a categoria, onde a direção se baseia em algo que já existe para, a partir daí, adequar aos carros e modos de corrida da Indy conforme for necessário (esse modo é usado desde sempre pelos adeptos da Indy, indo desde as asas e os efeitos solo dos anos 60 até os anos 80 até os paineis de LED introduzidos recentemente). O Halo não era a opção ideal pois, em alguns circuitos com grande inclinação nas curvas, como Texas e Iowa, a visão do piloto fica bastante limitada na área de cima do ponto de visão e fazendo com que o tempo de reação de um piloto no caso de batidas e rodadas a sua frente seja menor. Assim, a INDYCAR entrou em contato com a Red Bull Advanced Technologies para a introdução do windscreen nos carros da Indy.

O Windscreen foi testado tanto no circuito oval de Phoenix quanto no Indianápolis Motor Speedway, no início do ano passado. Os fãs adoraram, pois o Windscreen, além de ser uma versão mais atualizada de algo que já era utilizado nos anos 50 até o início dos anos 80 nos carros que corriam nas provas da Indy, era bem mais discreto com todo ele sendo desenvolvido em material transparente e fazendo com que a aparência do carro permanecesse praticamente inalterada. 

No entanto, existem dois grandes problemas na introdução do windscreen da forma que tanto a Fórmula 1 quanto a Fórmula Indy desejavam. Primeiramente, houve alguns problemas com a visão e o efeito lente que o Windscreen cria, por ele ser em um formato curvo e não ter um ponto de referência logo a frente cria distorções nas vistas e modificando principalmente a distância que objetos mais ao longe estão (quem usa óculos novos sabe bem como é esse efeito). Esse efeito foi reportado tanto por Vettel nos testes na F1 quanto por Scott Dixon no vídeo do teste de Phoenix exibido pelo canal da Indy no Youtube. Esse é um efeito que costuma passar conforme os pilotos vão se adequando e acostumando com o material, mas muitos destes tem de reaprender a pilotar nesse tipo de carro devido a precisão que alguns movimentos e reflexos exigem, além de poder causar tonturas em alguns.

O segundo problema do Windscreen é bem mais grave. Devido novamente ao seu formato, toda a área mais acima do aparato não tem sustentação, o que faz com que toda essa área seja mais frágil, pois as folhas de policarbonato aguentam muito bem forças aplicadas diretamente mas não aguenta muito as vibrações laterais conforme as ondas de impacto vão se propagando pelo material e, com isso, acaba se quebrando (parecido com uma taça de cristal ser quebrada com um som na frequência certa). Assim, mesmo que o Windscreen fosse feito do mesmo material que as janelas de caça, ele só seria efetivo caso todo o aparato tivesse a forma de caça ou, ao menos, uma sustentação na sua parte de cima, para que essas ondas dissipem e o material não vibre. Esse efeito da forma do Windscreen pode ser visto no vídeo abaixo:


Como isso, como a F1 tinha outra alternativa, descartou o Windscreen e adotou o Halo para seus novos carros, já na Indy, sem a opção de usar tanto o Halo quanto o Windscreen, teve de se reinventar. A Red Bull Advanced Technologies reparou que ambos os problemas do Windscreen se fosse adotada uma base por dentro e por cima deste, e também observou que o problema maior de ponto cego do Halo poderia ser contornado se este estivesse em um ponto mais alto e em conjunto com algo para prevenir que qualquer pedaço maior passasse por entre as hastes do Halo.

Assim, em meados do ano passado, veio à tona um novo aparato para ser usados nos carros da Indy composto de duas partes: na Frente um grande Windscreen, com uma pequena haste central para das sustentação e ajudar a prevenir o efeito lente causado e, atrás, um Halo mais alto, onde esses dois se interconectam em uma peça só renomeada de Aeroscreen.

E foi essa a peça testada nesta quarta-feira no Indianápolis Motor Speedway tanto por Scott Dixon quanto por Will Power. Não apenas estes estiveram preseentes, mas praticamente todo o padoque da Indy também estava atrás do muro do pit lane.
Repara como o Aeroscreen é bem mais alto que o mostrado anteriormente.
O aeroscreen mostrado estava praticamente igual as imagens de render mostradas pela Indy no mês de maio, a exceção de um alongamento da haste do meio do Aeroscreen até a metade do bico (talvez para melhor ajuste aerodinâmico) e um pequeno "buraco" de alguns milímetros abaixo do aeroscreen, para ventilação. O material do aeroscreen era composto de lâminas de policarbonato como antes, tando também uma lâmina polarizada para anti-reflexo, um dispositivo anti-embaçante e um esquema de aquecimento, para evitar acúmulo de gotículas de água. Também haviam as famosas películas, similares as dos visores dos capacetes, para a retirada de maiores sujeiras.

Foi um dia inteiro de testes onde os dois pilotos combinados deram quase 260 voltas. A melhor destas foi dada por Will Power, com média de 224,591 mph enquanto Dixon teve como volta mais rápida 224,501 mph. Mas, o mais importante, ambos os pilotos ficaram mais felizes com o teste. Scott dixon disse que, visualmente, não houve qualquer problema dessa vez, e Will Power declarou que poderiam correr com o aeroscreen da forma que está no momento.

Esse mesmo sentimento veio acompanhado de praticamente todo o padoque atual da Indy. Mesmo alguns críticos de decisões de todo esse processo da Indy se alinharam e consideraram um avanço no quesito segurança para a categoria.
Will Power escalando o novo carro.
E isso, meus amigos, criou um ponto de atrito entre alguns pilotos e parte dos fãs da categoria. Isso porque, seja porque os renders divulgados pela Indy não fizessem jus a proporção do aeroscreen no carro ou o fato de ver o aeroscreen finalmente montado e materializado no DW-12, deixou boa parte dos fãs infelizes com o resultado e gerando algumas críticas pela internet. Vendo isso, alguns pilotos como Félix Rosenqvist e Marco Andretti no twitter e Will Power no instagram, defenderam o aparato e criaram essa mini torta de climão na internet.

Os dois lados são entendíveis e tem bons argumentos. vários dos últimos acidentes mais graves da Indy tiveram como alvo a cabeça dos pilotos e mesmo que, em alguns acidentes fatais, talvez o aeroscreen não tivesse grande atuação, avanços nesse sentido são importantes. No entanto, para uma boa base de fãs, o automobilismo está fortemente ligado a estética dos carros e mudanças drásticas podem afastar estes da Indy em si.

Bem... é isso por enquanto. E este é só o primeiro capítulo de vários durante a pré-temporada. No dia 7 de outubro haverá novo teste dessa vez em Barber e tendo Simon Pagenaud e Ryan Hunter-Reay ao volante. Uma semana depois será a vez de Scott Dixone Josef Newgarden testarem em Richmond e, por fim, no dia 5 de novembro James Hinchcliffe e Sebastien Bourdais testarão o aeroscreen em Sebring.

E a gente tá louco pra ver tudo isso, pois adoramos discórdia.

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