Destrinchando o kit provisório para 2018

O novo aerokit único previsto para 2018 teve mais detalhes revelados nessa semana e agora eles parecem bem menos com o DP01 do que antes.
A Indy não vai ter mais Kardashians.
Nessa semana a INDYCAR, órgão que preside, coordena e sanciona a Indy, liberou mais duas imagens de suas intenções para o kit único da categoria, planejado para vigorar em 2018. As imagens do kit de Superspeedway visto de lado e de cima:



Pois é, parece um DW-12 com partes de DP01, mas tem bem mais aí. As principais diferenças estão na falta das proteções traseiras das rodas traseiras (chamadas de 'kardashians' pelos americanos), e da retirada de todas as aletas do carro; também há a diminuição dos 'sponsor blocks', perto das entradas laterais, e da tampa do motor. O santoantônio agora é vazado, bem como as duas asas e a proteção dianteira da roda traseira foram bastante modificadas.

Vamos discutir um de cada vez:

Não só no carro de Sprespeedways, mas no carro de mistos/rua, as proteções traseiras das rodas traseiras serão abolidas. Elas, ao contrário do que normalmente se diz, foram feitas para evitar toques entre asa e roda (que furam e crasgam os pneus) e entre roda e roda também (que podem gerar decolagens, que nem as do Franchitti em 2007, mas o tiro acabou saindo pela culatra.

As proteções eram feitas, bem como toda a carenagem, de fibra de carbono, que se quebravam com toques e acabavam jogando detritos na pista; apesar de serem reforçadas com kevlar (fibra de carbono em forma de rede) os toques ainda quebravam essas proteções traseiras, gerando bandeiras amarela e até furavam/rasgavam os pneus, sendo que uma das funcionalidades dessa parte do carro era justamente evitar os furos de pneus.  Os 'sponsor blocks' diminuíram por requisitos estéticos.

Já a retirada das aletas e a diminuição da tampa do motor, com o santoantônio se tornando vazado tem fins completamente aerodinâmicos.
por onde o ar vai no carro da Indy desse ano e o de 2018.
Do nascimento da IRL até esse ano os carros tinham a tampa do motor maior e ligada ao santoantônio. Isso gera um bocado de vácuo, já que o ar tem que passar por cima de todo o conjunto do carro e gerava uma grande diferença de pressão entre a parte de cima e a de baixo do carro. Entretanto, diminui a velocidade do carro e exige mais do motor, pois a resistência do ar no carro é consideravelmente maior, e a asa traseira também ficava sem grande função no vácuo, sendo responsável apenas pela dirigibilidade, para que o carro saia mais ou menos de traseira.

No carro renderizado com o aerokit de 2018 o ar se comporta diferente no carro. Com a tampa de motor mais baixa e o santoanônio vazado, o ar passa por dentro do santoantônio e não passa por cima de todo o carro, com parte do ar chegando à asa traseira. Com isso, o ar resiste menos no carro, exigindo menos do motor e andando mais rápido, compensando a falta de aletas e ajudando na dirigibilidade. Entretanto, o vácuo é consideravelmente menor e depende muito da asa traseira, podendo mudar muito o ritmo das corridas.

A lateral do carro é a parte mais interessante das imagens. Nela vimos também um desenho diferente, um buraco (ou dois, não dá pra ver tão bem) e a proteção da roda traseira passou a ser ligada a lateral do carro.
Pelo menos o carro de oval lembra bem mais o último Lola da Indy.
O desenho da lateral lembra bastante com uma evolução do Lola B02 no kit de oval/oval longo, que correu na CART em 2002 ou na Champ Car de 2003 a 2006. A entrada de ar bem larga e mais focada na parte de cima da lateral do carro divide o ar, onde a parte de cima entra para todo o conjunto interno do carro (motor e etc.) e a parte de baixo do ar é utilizado para gerar pressão aerodinâmica, onde parte dele entra nos buracos do assoalho e outra parte é guiado para a asa traseira, junto com o ar quente liberado pelo escapamento do carro.

A proteção da roda traseira ajuda a guiar o ar, dividindo ele para fora do carro ou para a asa traseira. Isso porque a roda em oval atrapalha bastante a aerodinâmica do carro, resistindo bastante ao ar e gerando o famoso arrasto. Com a proteção parecida com o usado pelo aerokit da Chevy no kit de Superspeedway o ar passa sem gerar o arrasto que geraria com a roda desnuda.

Uma consequência estética que chemou a atenção de alguns é a exposição dos patrocinadores, já que com a lateral um pouco mais recortada, sem os sponsor blocks e com a tampa do motor bem menor, a exposição será consideravelmente menor nos carros, se assemelhando com a CART em 2002.

O pnto que mais odiei foi, de longe, as asas. A asa dianteira está flexionada para trás, em direção à roda dianteira e os apêndices laterais estão bem menores com o comparado desse ano. A flexão da asa dianteira diminui a dirigibilidade e o carro tente a sair um pouco mais de frente, enquanto o apêndice tem o intuito de diminuir o arrasto gerado pela roda dianteira, mas com ele menor esse arrasto acaba sendo bem maior. Essa asa dianteira, caso fique dessa forma será um retorcesso.

asa traseira do Lola T9400.
A asa traseira é ainda um pouco mais complicada. Lembra que falei acima que o vácuo dependeria bastante da asa traseira? Então, para criar vácuo a asa deve ser mais alta e/ou ser maior verticalmente, assim o ar tem uma barreira maior e o carro de trás fica com uma área maior sem a resistência do ar. A asa traseira da imagem é o exato oposto disso. A asa do render lembra bastante a dos usados pela lola no início dos anos 90, principalmente do Lola T9400, bem fina com um minimalismo nas laterais da asa; o diferencial é que ela está muito mais próxima ao carro e com umas curvas, fazendo-a parecer 'asmassada'. 

No mais, o carro parece, pelo menos nessas duas imagens, um carro com kit aceitável. Eu não ligo muito para estética dos carros, mas as mensagens que vi em fóruns, twitter e grukpos de facebook foram muito mais mensagens positivas que negativas, mostrando que agradou uma boa parcela do público no nível estético. E, sem dúvida, ficou melhor que uma mistura de DP01 com DW-12.

O que me desagrada, além das asas que são os erros desse kit, é mais uma mudança de direção da categoria como um todo. Num intervalo de 2011 até o previsto para 2018, nada menos do que QUATRO mudanças drásticas na aerodinâmica do carro e, por consequência, mudança no ritmo de corrida e no todo da categoria. Até quando a categoria vai ficar migrnado de um tipo de corrida para o outro??
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