Indycenter responde: Negros Já correram na Indy?

Essa é mais uma nova série do Indy Center Brasil, onde responderíamos algumas questões de nossos leitores sobre qualquer aspecto da Indycar: pilotos, pistas, campeonatos e afins.  Não será períodica e, muito provavelmente, quase não rolará durante a temporada, mas quando tivermos disponibilidade para responder questões que julgamos INTERESSANTES, faremos do melhor jeito possível. 

E para estrear essa nova série, começamos com uma questão interessante (que é o propósito daqui). Inspirados pelo dia da consciência negra, já houveram pilotos negros dirigindo na Indy?

Sim, pilotos negros correram na Indycar. Poucos, mas sim.

O primeiro piloto negro foi Joseph Roberts Ray Jr., ou apenas Joie Ray. Americano de Louisville, ele entrou para o mundo das corridas por intermédio de Carl Ott, sendo um de seus mecânicos.  Em 1946, Ray comprou seu primeiro carro de corrida, um Dodge que foi nomeado de Joe's Special #7 para correr em pistas de terra, e se afiliou a AAA em 1949, disputando corridas da Sprint Car até 1953.

Ray sempre quis participar das 500 milhas de Indianápolis, mas o equipamento inferior de Joie Ray sempre o impedia de participar de corridas do campeonato regular, e o piloto foi relegado a tentar participar de corridas extra-campeonato. O piloto nunca conseguiu correr em uma prova oficial da AAA. Ele foi homenageado nas festividades que acontecem em Indianápolis antes da corrida, quando 33 celebridades sempre são homenageadas. Joie Ray foi homenageado em 1995.


Outro que chegou perto foi Benny "Bullet" Scott. Ele era piloto tradicional da SCCA, correndo inclusive a F5000, categoria máxima da chancela que corria com carros da Indy e da F1 de anos anteriores.  Em 1971, Benny fundou a Vanguard Racing, e tentaria se classificar para as 500 milhas de Indianápolis do ano seguinte, com o apoio da Associação de pilotos Afro-Americanos (BARA, em inglês). 

Benny seria aconselhado por John Mahler em sua preparação para as 500 milhas, mas a algumas semanas antes dos primeiros treinos da Indy 500, a equipe decidiu que Malher conduziria o carro e não Scott. 

No fim, Benny Scott não tentou mais se classificar para corridas da USAC, se focando na SCCA e na BARA, da qual se tornou presidente no fim dos anos 70.


O primeiro piloto negro a correr as 500 milhas mais famosas foi Willian Theodore Ribbs Jr., ou simplesmente Willy T. Ribbs. Dava pra fazer um post só sobre ele, mas vou me virar aqui mesmo.  Ribbs tentou carreira na Europa nos anos 70, mas logo voltou para os EUA quando sua carreira não se desenvolveu. Em sua volta, pilotou algumas corridas na NASCAR e na SCCA, quando pilotou na F-Atlantic de 1982 a 1985, quando tentou se classificar para a Indy 500 de 1985, mas desistiu quando seu carro não conseguia desenvolver velocidade.

Nova tentativa só foi feita em 1990, quando o piloto foi contratado para fazer algumas corridas em misto na CART pela Raynor Motorsports, uma das equipes filiais da Lola nos EUA, e apoiado pelo ator Bill Cosby. No ano seguinte, Ribbs foi para a então estreante Wlaker Racing, onde pilotou novamente em algumas provas.  Entre essas provas, estava as 500 milhas de 1991, onde Ribbs se tornou o primeiro piloto negro a se classificar para as 500 milhas de Indianápolis.

Ribbs correu pela Walker até 1994, sendo a sua última temporada a única que fez por completo. Ele disputou 46 provas, completou 25 delas e o melhor resultado foi o sexto lugar em Denver-1991, e deixou como marca seu temperamento forte e o fato de nem sempre estar de bom humor (repare no eufemismo que coloquei). Mas sua história com a Indy não acabou por aí.

O piloto foi convidado para correr pela Mccormack Racing na corrida de Las Vegas em 1999, e o piloto, então com 44 anos, aceitou e fez sua última corrida na Indycar.  Após essa corrida, ele voltou a correr na NASCAR Truck Series, e em corridas pela SCCA.

Em 2011, comprou um chassi para Chase Austin, que queria mudar da NASCAR para a Indy Lights. Austin correu só uma prova. Posteriormente e por pura vontade de correr, Ribbs pegou seu chassi IP2 sobrando e se inscreveu para correr na corrida de Baltimore de 2011, já aos 55 anos, e nãomais correu desde então.


O segundo piloto a fazer uma temporada completa foi George Mack. O californiano pilotou na IRL em 2002 pela 310 Racing, que customizava carros em Hollywood.   

Mack fez toda a estrada típica dos pilotos de hoje em dia, mas já era bem mais velho que o de costume. Começou no kart aos 17 anos, e aos vinte foi para a USF2000, depois para a NASCAR Late Models e para a Star Mazda, sempre incentivado pelo seu pai.

Até que, com o apoio de seu pai e da organização da IRL, eles conseguem alinhar um carro para 2002, com o nome de 310 Racing.  O carro único da equipe seria guiado por Mack, já com seus 30 anos. A equipe não conseguiu bons resultados, mas sempre demonstrava aquela vontade típica de equipes pequenas e comemorou muito quando a equipe conseguiu o 32º lugar no grid das 500 milhas de Indianápolis (foto), a frente de outros sete carros.

No fim, Mack e a 310 Racing terminaram o campeonato em 16º lugar, tendo como melhor posição de chegada o 13º lugar em Homstead e Pikes Peak.


O último piloto que chegou muito perto de correr na Indycar foi Chase Austin. Supracitado no texto sobre Willy T. Ribbs, passou muito perto de correr uma 500 milhas.  Austin começou sua carreira na NASCAR se afiliando a Hendrk Motorsports aos 15 anos, mas seis anos depois a carreira do piloto ainda não tinha deslanchado. 

A fim de mudar de ares, o piloto foi para a Indy Lights em 2011 com o apoio de Willy T. Ribbs, mas o piloto disputou apenas as corridas de Indianápolis e Iowa.

No fim de 2012, Austin conseguiu um acordo com AJ Foyt para correr as 500 milhas do ano que vem, mas a falta de patrocínio fez com que o piloto fosse preterido por Conor Daly. Desde então o piloto corre de midget e sempre corre a corrida da Indy Lights em Indianápolis.


E é isso pessoas, essa foi a história dos afrodescendentes na Indycar.  Se tiver alguma pergunta que seja interessante para nós, coloque nos comentários ou, caso a dúvida seja maior e mais complexa, mande-nos para indycenterbr@gmail.com, um dia a gente respode...
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