Moore e seu legado

Por Filipe Dutra, jornalista e apaixonado por IndyCar desde 1995. 

Porque legado se define...
Parece uma sina, uma maldição do Dia das Bruxas – ou peraltice do Dia do Saci. Os três textos que escrevi aqui no Indy Center Brasil foram sobre fatos tristes. Mas há outra coincidência feliz aqui, e é a ela que me apego para continuar digitando estas bem-traçadas linhas: são assuntos que estão no fundo do meu coração como fã de automobilismo, e, principalmente, da Indy. 

Um destes tópicos tem origem no Canadá, terra de muita gente boa como Geddy Lee, Avril Lavigne e Pamela Anderson. Foi lá que, em 75, nasceu Gregory William Moore, conhecido por nós como Greg Moore. Aliás, Greg também era conhecido por suas luvas vermelhas e seu carro azul, que o acompanhou durante toda sua carreira na categoria americana. 

Não lembro da carreira dele no início. Foi pesquisando na internet que descobri que a primeira vitória dele foi em Milwaukee, em 1997. A mesma pesquisa me disse que ele ganhou aqui no Brasil, no ano seguinte, naquele oval do Emerson Fittipaldi dentro da pista do Nelson Piquet. Eu só lembro mesmo da vitória na US 500 no mesmo ano e que ele era um piloto que, mesmo não obtendo tantos triunfos, estava sempre nas cabeças. 

...nas pequenas e singelas homenagens.

E lembro das duas últimas corridas dele. A penúltima, em Surfer’s Paradise, na Austrália, onde ele abandonou depois de bater no muro. E a de Fontana, em 31 de outubro de 1999. Prova esta que mostra o espírito de Greg: mesmo não estando com a saúde 100%, quis correr. Talvez quisesse se despedir com estilo daquele carro azul com patrocínio dos cigarros Player’s que tanto apoio ofereceu, já que, para o ano seguinte, ele estava acertado de correr para Roger Penske e ter outra marca de cigarros como patrocinadora. 

Infelizmente, não há muito que se dizer sobre o que acabou levando Greg embora. A única imagem que se tem notícias é a do Reynard/Mercedes passando rapidamente pela grama até sofrer um impacto forte no muro e rodopiar. Imagem onboard? Nada. Outro ângulo? Nope. Nem mesmo os outros pilotos souberam explicar. Tony Kanaan, em entrevista no “Pânico”naquele ano, disse que a imagem que ele teve foi a mesma de todos. E foi assim mesmo, de supetão, suspeita-se que a mais de 250 km/h, que perdemos o canadense, há 15 anos. 

Greg Moore (que, durante muito tempo, para nós brasileiros, teve seu nome pronunciado “Grégue Mór”) não foi campeão de uma categoria top, mas deixou heranças no automobilismo e, principalmente, na Indy. Quem acabou indo para a Penske no lugar do canadense foi o piloto da Hogan em 99, Helio Castro Neves, que teve a partir dali uma bela história de vitórias que perdura até hoje. E, em 2012, quando situação semelhante ocorreu com o também canadense James Hinchcliffe, este não pensou duas vezes: adotou com orgulho as luvas vermelhas e o capacete azul e dourado quadriculados característicos do conterrâneo.


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