Pilotos do dia: os figurantes de luxo.

Uma série nova para entreter vocês na silly season gigante da Indy. Juntamos cinco dos escritores do site (Daniel Palermo, Filipe Dias Dutra, Marcelo Augusto, Matheus Antônio da Silva e Rômulo Silva) para comentar sobre a temporada de 2017 de todos os pilotos.
Um evento desse porte sempre tem um bocado de figurantes.
Nessa temporada, seja por azares de outros pilotos ou por simples curiosidade, muitos pilotos vieram para alpenas algumas aparições nas provas da categoria. Vamos discutir quatro desses casos:

Fernando Alonso (29º, 47 pts.): 1 prova, terminada em 24º lugar.

Primeiro, Fernando Alonso. Ninguém causou mais alvoroço do que o espanhol deixando de correr no GP de Mônaco para correr as 500 milhas de Indianápolis num SEXTO carro da Andretti. Pegando logo a mão do carro, o bi-campeão de Fórmula Um se classificou em quinto lugar e pilotava no pelotão da frente até seu motor estourar, na volta 179.


Como foi a participação do Alonso na Indy 500? Essa participação bastou para animar o espanhol a fazer uma segunda tentativa logo logo?

Marcelo Augusto: Creio que sim. O resultado final, que foi um 24º lugar e um motor quebrado da Honda (pra variar), não foi condizente com a corrida que ele fez. Com certeza ele ficou com um gostinho de "quero mais" e deverá voltar, sim.

Daniel Palermo: A participação dele foi excelente, andando bem e de forma consistente durante todo o evento. Acredito que o que mais tenha o animado para novas aventuras na categoria norte-americana é a maneira diferente da F1 como a Indy é tocada, desde a competitividade dentro das pistas, até o contato mais aberto com público.

Filipe Dias Dutra: Alonso é um excelente piloto, e não foi surpresa ele ter ficado nas ponteiras durante os momentos em que ele participou da prova. A quebra de motor foi cômica, diante da vida dele na outra categoria. Talvez anime, mas as circunstâncias atuais não o farão voltar à Brickyard tão cedo, acho.

Rômulo Silva: Ótima participação, foi rápido tanto nos treinos quanto na corrida em si. Uma pena que o motor resolveu zoar com a cara dele. Acho que ele deve voltar daqui a algum tempo.


Matheus Antônio da Silva: Creio que Alonso fez uma boa participação para quem estreia. Classificou bem, andou no pelotão da frente por um bocado de tempo, liderou a prova, mas quebrou no final. Parece uma participação que Townsend Bell faz todo ano, mas para um estreante em Indianápolis, em ovais e em Indy como um todo, é bastante relevante. Acho que ele volta sim quando a vida automobilística dele estiver tão chata quanto agora.


A alonsomania que a Indy 500 viveu foi mais interessante para a própria Indy ou para o próprio Alonso?

Marcelo Augusto: Mais pra Indy, a atenção que ela recebeu naquele primeiro dia de testes dele sozinho na pista foi algo sensacional. E é claro que deu uma inflada no ego do Alonso, que estava bem murcho também.

Daniel Palermo: Os dois lados ganharam com isso. A Indy gnhou por ter ficado mais em evidência a nível mundial, e o Alonso ganhou por ter experimentado algo novo e ter sido competitivo em algo que não possuía experiência alguma. 

Filipe Dias Dutra: Se formos analisar friamente, a Indy foi quem mais lucrou com a participação de Alonso. Desde exposições espontâneas ao boost nas transmissões online, o espanhol trouxe a Indy pros holofotes do mundo todo. Mas acredito que Alonso também ganhou muito com isso: antes desmotivado, pode se reinventar e não só sentir o gostinho de liderar uma prova como se divertir correndo - e isso era nítido.

Rômulo Silva: Acho que foi interessante para ambos, mas a Indy se beneficiou de uma forma mais ampla. Praticamente, o mundo do automobilismo só falava disso, e esse era o tipo de visualização que a nossa amada categoria precisava. Quanto ao Alonso, ele ganhou muito na parte emocional, mostrando para muitos que pode ser competitivo em qualquer categoria.

Matheus Antônio da Silva: Depende de onde você está: para o mundo fora dos EUA/Canadá, com certeza foi muito bom pra Indy que, alavancou sua imagem para todas essas localidades tendo essa presença ilustre, mas dentro ds terras Ianques e, creio eu, em alguns lugares onde a F1 é mais levada a sério, foi bom ver um Alonso diferente do que se vê no padoque extremamente restrito da F1, ver ele num ambiente mais descontraído e mais com cara de corrida normal.


Sebástian Saavedra (26º, 80 pts.): 4 provas, 11º lugar como melhor resultado.

O Colombiano mais escurraçado da Indy fez sua terceira volta para a categoria depois de um ano e meio sem disputar provas pela categoria. Ele voltou primeiro pela Juncos nas 500 milhas de Indianápolis e, posteriormente, comprando a segunda vaga da Schmidt-Peterson por três provas, onde ficou duas vezes em 11º lugar.


Como foi a terceira volta do colombiano para a Indy? Com o mostrado, ele volta uma quarta vez?

Marcelo Augusto: Mais uma vez, ruim. Ele nunca me enganou e voltou só porque tem o dinheiro do coitado do dono da AFS, mesmo. 

Daniel Palermo: Saavedra tem feito hora extra na Indy há muito tempo, não deveria nem ter voltado em 2017. Tem muito mais pilotos qualificados que mereciam chance na Indy no lugar do Saavedra.

Filipe Dias Dutra:  Para mim, Saavedra é mais do mesmo. Não mostrou a que veio e não vai mostrar. 

Rômulo Silva: Boa não foi (nem chegou perto), mas ele cumpriu o seu dever na Schmidt Peterson. A equipe procurou um cara com algum dinheiro para substituir temporariamente o Aleshin e que conseguisse levar o carro pra casa, evitando acidentes na maioria das corridas. Pelo menos isso ele conseguiu. 

Matheus Antônio da Silva: Então, a participação do Saavedra foi melhorzinha do que das outras vezes, mas continuou ruim. Por mim ele continua por um bom tempo, já que, com o dinheiro dele, ele só tira vagas de outros endinheirados mesmo, e vai que ele melhora? O Graham Rahal demorou uns sete anos para melhorar.

Esteban Gutierrez (25º, 91 pts.): 7 provas, 13º como meor resultado.

O mexicano erradicado da Fórmula Um surgiu na Indy logo depois das 500 milhas de Indianápolis, para a vaga de Sebastien Bourdais na Dale Coyne. A passagem não foi lá tão animadora.


Como foi a estreia e a mudança de ares do mexicano? Ele consegue embarcar numa segunta tentativa na Indy?

Marcelo Augusto:  Fraca. Mas se a Indy voltar pro México num futuro próximo é interessante tê-lo no grid, e ele tem dinheiro pra isso também.

Daniel Palermo: Gutierrez fez poucas provas e correu por uma equipe pequena. Essas provas dele serviram apenas como adaptação e com certeza, merece uma segunda tentativa para poder mostrar se é bom piloto ou não.

Filipe Dias Dutra:  Gutierros, como o pessoal gosta de chamá-lo, fez o que se esperava dele: não muito, rs. Ele é mediano e só disputa corridas graça$ a apoio$. Acho que, se uma equipe estiver bem desesperada por grana, ela o acolherá. 

Rômulo Silva: Acho que ele merece uma temporada completa para mostrar o que tem. É complicado julgá-lo agora pois foram seus primeiros contatos com um carro da Indy e ainda no meio da temporada. Terminou a grande maioria das provas, ponto pra ele nesse quesito, pois eu esperava que ele se envolvesse em mais confusões. 

Matheus Antônio da Silva:  Nem lembrava que ele tinha corrido. Mas isso é bom, em se tratando de sua fama feita na F1, quer dizer que ele não bateu muito. A Indy tá sempre aberta a bon$ piloto$ que querem correr nesses assentos tapa-buraco.


Gabby Chaves (23º, 98 pts.): 3 provas, Um top 5 no Texas.

Terminando a postagem latina do dia, Gabby Chaves entrou em mais uma empreitada na Indy. Depois de amargar uma temporada completa na Bryan Herta Autosport em 2015 e meia temporada na Dale Coyne ano passado, o colombiano entrou para a Harding Racing; inicialmente apenas para a Indy 500, mas seu chefe, Mike Harding, se animou tanto e aproveitou o carro de Superspeedway para correr também no Texas e em Pocono.


Chaves fez apenas os três superspeedways em sua terceira volta pra Indy, e no ano que vem já está confirmado. Pelo mostrado, ele mereceu uma vaga na temporada completa?

Marcelo Augusto:  Com certeza. Chaves é um bom piloto, mostrou isso em 2015 e merece mais uma chance. Espero que a novata Harding surpreenda.

Daniel Palermo: É outro piloto que assim como Saavedra, não mostrou consistência para correr na Indy. Não merece uma vaga para temporada completa.

Filipe Dias Dutra:  Faço um parêntese para exortar a jornada da Harding, equipe do Chaves. Creio que ambos fizeram um bom trabalho diante das circunstâncias, e acho que ambos também mereciam uma temporada completa. Pelo menos, eu torceria para eles. 

Rômulo Silva: Gostei das corridas do Chaves, conseguiu classificar bem nos treinos e se mantia longe de problemas nas corridas. Para o equipamento que a Harding possuia, acho que fez um bom trabalho. Seria bom ver ele e a equipe juntos novamente.

Matheus Antônio da Silva:  Chaves acho que teve uma das vidas mais duras que se tem notícia na Indy. Nas três provas que correu pela Harding, por exemplo, não teve engenheiro chefe: ele a Al Unser Jr. decidiam juntos o que fazer no carro o tempo todo, sem alguém que comandasse todo o projeto da equipe. Mas Chaves é um bom piloto de equipe pequena: faz seu trabalho, tem um razoável ritmo de corrida e fica longe das batidas. Merece uma vaga em equipe pequena sim.

Compartilhar no Google Plus

Sobre o Indy Center

Somos um site focado especialmente em Fórmula Indy no Brasil, trazendo as principais notícias da série, além de entrevistas, vídeos e análises das categorias de base.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário