500 do Brasil: a volta por cima de Castroneves

Olá, amigos! Este é mais um capítulo da série “500 do Brasil”, onde falamos sobre os brasileiros que beberam leite, usaram a coroa de louros e tiveram todas as honrarias que Indianápolis pode oferecer. Falaremos agora de um dos mais emocionantes: a terceira vitória de Helio Castroneves.



 O ano era 2009. A IndyCar passara por diversas transformações, sendo a maior delas a unificação com o que se costumou chamar aqui no Brasil de Fórmula Mundial. A CART pediu falência em 2003 e, de 2004 a 2007, ela passou a ser chamada de Champ Car. Fez campeonatos com boas pistas e outras nem tanto (uma delas, em San Jose, no México, tinha um TRILHO DE TREM no meio). O nível de equipes também era bem medíocre: daquelas grandes da era de ouro da FedEx World Championship, apenas Newman/Haas e Forsythe resistiram. Dos pilotos, então, melhor nem falar. Destaque para o francês Sebastien Bourdais, que ganhou quatro títulos seguidos.

Enquanto isso, a IRL (ou IndyCar Series, já que ela conseguira recuperar os direitos do nome em 2003) ia, por assim dizer, bem: começou a correr em mistos, possuía um grid razoavelmente bom e, se não dava lucro, pelo menos não tinha prejuízo também. Destaque para a queridinha da mídia, Danica Patrick, e para Helio Castroneves, que, em 2007, venceu a versão americana da “Dança dos Famosos”.

Pois bem, no fim de 2007, foi anunciada a compra dos títulos da Champ Car World Series pela Indy Racing League, o que ocasionou numa “fusão” das duas categorias. Voltou a ser o que era em 1995, quando tudo ainda estava bem? Não. Mas o fato é que agora só haveria uma categoria de monopostos, e não duas.

Poucas equipes decidiram não migrar, entre elas a Forsythe. Outras, como a Walker, encerraram após a temporada. Foi pela Walker que conhecemos o australiano Will Power, que havia feito uma temporada decente de 2008, mas ficaria sem vaga para o ano seguinte.

A vaga apareceria, mas de uma maneira bem dramática.

No fim de 2008, Helio Castroneves, junto de sua irmã Katiucia, foi acusado de sonegar US$ 5,5 milhões do fisco americano, além de fraude fiscal e evasão de divisas. Ele chegou a ser preso, e poderia passar 35 anos preso caso fosse julgado como culpado. Ou seja, correr em 2009 era a menor das preocupações do brasileiro.

Roger Penske estava ciente da situação do brasileiro e o apoiou no que pôde. Enquanto isso, foi Will Power quem correu no carro #3 e foi o companheiro de Ryan Briscoe no início da temporada, em St. Petesburg.

Will Power como Helio


Para Helio, a temporada iniciou em 16 de abril, na corte de Miami, com o julgamento. Para seu alívio, a decisão foi unânime. E ele, que pagara fiança para responder em liberdade, podia focar sua mente em outras coisas, tipo... correr.

Helio e Katiucia estavam, enfim, livres

O brasileiro cruzou o país e foi parar em Long Beach, pois haveria prova dois dias depois. Ele voltou a seu habitat natural, o carro #3 da Penske. E Will Power? Pois bem, o Capitão resolveu dar um carro a ele, o #12, com patrocínio da empresa de telefonia Verizon. Não decepcionou: terminou em segundo.

Will Power, como Will Power


Mas estamos falando de Castroneves e, quando chegou maio, ele provou estar com apetite. Faturou a pole da Indy 500, com média de 224,8 mph (362 km/h), tendo a seu lado o companheiro de equipe Ryan Briscoe e Dario Franchitti, da Chip Ganassi. Tony Kanaan sairia em sexto, Mario Moraes (neto do empresário Antonio Ermírio de Moraes, e que corria na KV) em sétimo, Raphael Matos (da Luczo/Dragon, equipe do filho de Roger Penske) em 12º e Vitor Meira, da A. J. Foyt, em 14º. Bruno Junqueira, que corria na Conquest, chegou a se qualificar em quinto, mas o dono da equipe preferiu colocar Alex Tagliani para correr em seu lugar.

Infelizmente não seria a única vez que Junqueira cederia seu carro... né seu Foyt? Né seu Hunter-Reay?

 Chegou o dia 24 de maio e, depois da bandeira verde, teve outra bandeira verde: os fiscais de prova anularam a largada por alegar má posição de Helio. Quando começou pra valer, Mario Moraes acertou o carro de Marco Andretti, filho de Michael e que corria na equipe do pai. Fim de prova para ambos. Na relargada, Dario Franchitti assumiu a ponta e pegou leve distância dos Penske.

Na volta 20, mais amarela: Ryan Hunter-Reay, que corria de Vision (a equipe de Tony George, CEO de Indianápolis) bateu na saída da curva quatro. Na relargada, Briscoe passou o escocês, enquanto que Scott Dixon ultrapassava Castroneves. Mas, ao longo da primeira metade da corrida, a disputa era entre as duas Ganassi e o carro #3 do brasileiro.

Após uma série de batida de ex-pilotos da Champ Car, como Justin Wilson, Robert Doornbos e Nelson Phillipe – mais especificamente sobre este último -, ocorreu o lance essencial da corrida. No pit, o mecânico de Franchitti teve dificuldades no abastecimento, e saiu da briga. Na relargada, Dixon nada pode fazer para impedir Castroneves de passá-lo e assumir a ponta.

Mais para o fim, na volta 173, uma batida entre os brasileiros Raphael Matos e Vitor Meira preocupou os espectadores. Ambos foram levados para o hospital com ferimentos leves.

E, no crepúsculo da prova, Dan Wheldon e Danica Patrick tentavam alcançar os Penske, mas Briscoe fez bem seu trabalho e protegeu Helinho, fazendo com que a terceira Indy 500 do brasileiro tivesse um sabor mais que especial.






No domingo, o último episódio de nossa série. Será? Aguarde!
Compartilhar no Google Plus

Sobre o Indy Center

Somos um site focado especialmente em Fórmula Indy no Brasil, trazendo as principais notícias da série, além de entrevistas, vídeos e análises das categorias de base.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário