Quem finalmente vai sair da seca?


Olá pessoas! Como todos sabem, e devem saber, a final do campeonato é neste sábado, no superoval de Fontana, mas o que talvez nem todos saibam, é que os dois primeiros colocados já ocuparam a posição de vice-campeão três vezes. Isso já é suficiente para ser apelidado de um nome de um grande time do Rio que tem a mesma fama de "querer" ser vice e perder na final, mesmo fazendo um bom campeonato (não sou vascaíno). Por isso, entrando no clima de ThrowBack Thursday, caso você não saiba o histórico de Will Vasco, ou Vice Castroneves, o Indy Center Brasil está aqui para prepará-lo para a grande final em Fontana.

Primeiro, vamos ao líder do campeonato e seus casos mais recentes:

Will Vasco Power (2010, 2011 e 2012)

Will Power começou na Indy em 2006, ainda pela extinta ChampCar. Ele até teve um carro competitivo no último ano da categoria em 2007, mas Sebastien Bourdais e sua Newman/Haas dominavam tudo na época, então, sem chance de caneco para ele (bater três vezes também não ajuda). Em 2009 ainda, Power teve um forte acidente com Nelson Phillippe (lembram dele?), nos treinos para o GP de Sonoma. O próprio piloto pensou que este acidente marcaria o fim de sua carreira, porém, teve um começo meteórico na temporada seguinte.

2010

Em 2010, Will Power dominava os circuitos mistos e os de rua. Porém, quando chegava nos ovais... vesh. Ou ele batia, ou a Penske dava um jeito de arruinar a corrida dele. Enquanto isso, o escocês até então bicampeão da Indy 500 e também do caneco, Dario Franchitti, chegava próximo do "inatingível" Power no final do campeonato. O escocês ficou apenas 9 pontos atrás do australiano antes da etapa de Homestead.

Na corrida, a briga era boa, até melhor do que essas últimas. Will estava num bom ritmo, em 4º, porém, Franchitti era o líder. Para Power ser campeão com um quarto lugar, Franchitti tinha que deixar de ser líder. E foi o que aconteceu. Mas antes....

Power não era acostumado a andar num oval e seu carro estava acertado para correr por fora. Isso significa que um desastre estaria para acontecer. E aconteceu. Seu carro foi para a parte suja da pista e encostou no muro suficientemente para entortar a suspensão. Foi difícil de abandonar, mas como era oval e a segurança nesse tipo de circuito deve ser maior por razões óbvias, ele teve que abandonar. Não teve jeito. Franchitti chegou apenas em oitavo, mas Power terminou lá pra vigésimo-quinto e conseguiu seu primeiro vice. Parabéns.

2011

No ano seguinte, Power vinha com tudo novamente. Campeonato com mais mistos, equipe pronta para serví-lo... tudo indo muito bem, até metade do campeonato. Dois péssimos resultados em Iowa e Toronto fizeram com que Power quase ficasse sem chances de título, mas depois de vencer as etapas de Sonoma e Baltimore, e obter mais um segundo lugar em Motegi, ele ficou com sérias chances de título para Las Vegas. Dario Franchitti seria novamente seu adversário, mas as situações se inverteram. O escocês, desta vez, estava na frente com uma vantagem de pontos maior do que no ano anterior.

Mas todos sabem o que aconteceu na cidade dos casinos. Will Power se envolveu no acidente apocalíptico com mais 14 carros que resultou no acidente fatal de Dan Wheldon. Inclusive ele foi o que decolou mais alto no meio dos destroços e das labaredas que haviam por toda a parte. Ninguém mais queria saber se Franchitti foi tetra ou não. Todos estavam de luto.

Mas essa não seria a última vez que Power sentiria o gosto de ser vice.

2012

Essa talvez seria a chance mais perdida da história. Aquele gol perdido que o jogador nunca mais faria novamente. Não do mesmo jeito, e nem tão perdido assim. Durante o ano, Will Power venceu três provas, mas essas três provas ocorreram na primeira parte do campeonato, e Ryan Hunter-Reay venceu quatro, então, pela vantagem numérica... vocês sabem.

Mas não é de vantagem de vitórias que se vence um campeonato (só em caso de empate) e sim a consistência. Power conseguiu dois segundos lugares nas últimas quatro provas e mais um Top 10. Só que seu problema foi ele ter a agora amaldiçoada vantagem de ser líder antes da última corrida. Ele precisava de um sexto lugar para garantir o título, e de um Top 10, caso Hunter-Reay não vencesse a prova, mas...

Na volta 56, Power e Hunter-Reay disputavam a 13º posição. No momento, Power seria o campeão, pois Hunter-Reay precisaria estar no mínimo na oitava posição para ter alguma chance. Quando Hunter-Reay ameaçou por fora, Power perdeu o balanço do carro, talvez por alguma turbulência, distração ou maldição mesmo, e acabou rodando. O carro foi pro muro e sua suspensão traseira esquerda, já era.

Mas não para a equipe Penske! O que seria dos americanos sem a silver-tape? Cheio de fita isolante, Will Power voltou para a pista com o carro todo remendado, apenas para conseguir dar algumas voltas suficientemente para ganhar mais alguns pontos. Não deu certo. Ryan Hunter-Reay venceu seu primeiro campeonato (talvez o único), e Will Power ficou com essa fama de ser o azarado e o amaldiçoado em finais de campeonato.

Se bem que dessa vez ele pode ter um pouco mais de sorte, pois seu adversário também tem um histórico não muito bom no quesito decisões de título:

Helio Castrovice (2002, 2008 e 2013)

Hélio também tem três vices. Tudo bem, tudo bem que ele é tricampeão de Indianapolis, mas tem três vices durante estes 15 anos de Penske e mais alguns vices em outras categorias de base. Piloto mais experiente do grid atual, com apenas uma corrida a mais que Tony Kanaan, Helio é um dos pilotos mais populares do grid. Todos querem ter um autógrafo com o cara mais carismático (ao estilo Daniel Riccardo na F1), e ser o mais carismático na Indy não é fácil. Tem vários que são assim, mas ele tem sua "ginga brasileira". Seu problema mesmo é essa bagagem de ficar em segundo tantas vezes:

2002

Este ano foi dos brasileiros. Felipe Giaffone venceu, Airton Dare venceu, Gil de Ferran venceu, sem contar que Bruno Junqueira e Vitor Meira fizeram pole, então, pra fechar o ano com chave de ouro, nada melhor do que ver o mesmo brasileiro que venceu Indianapolis vencer também o campeonato. Todos torciam pra isso.

Mas tinha um Sam Hornish Jr. muito bom em ovais atrapalhando essa façanha. Na última corrida do campeonato, faltando apenas 30 voltas para o final, Helio era líder e Hornish estava em terceiro. Se a corrida terminasse dessa forma, Helio seria o campeão, o problema foi que Hornish ultrapassou Scott Sharp e foi pra cima do brasileiro, que defendia com todas suas forças por 30 voltas.

Só que com Hornish em segundo, o campeonato ficaria pro americano. A única esperança do Helio seria Vitor Meira, que tinha o melhor carro pro final, chegar entre os dois para o campeonato voltar para Helio. Infelizmente isso não aconteceu, mas pelo menos tivemos um final épico que entrou no Top 10 das chegadas mais apertadas da história da categoria.


2008

Scott Dixon foi o cara da temporada. Venceu Indianapolis e mais cinco corridas, chegando em Chicagoland com o recorde de 6 vitórias em um ano. Mas por que ele não conseguiu ganhar o campeonato com tudo isso, sendo que ele bateu apenas duas vezes? Porque Helio foi consistente a temporada toda e chegou em segundo diversas vezes. Só que Helio vacilou em Detroit ao bloquear Justin Wilson e levar uma punição pro conta disso, e largar em último em Chicagoland porque ele passou pela linha branca nas duas voltas de classificação para obter uma vantagem.

Dixon apenas precisava terminar entre os oito primeiros para vencer, não importando onde Helio iria chegar. E o brasileiro teria que estar entre os treze primeiros se quisesse alguma coisa. Largar lá trás numa decisão como essa não é nada bom. Pelo menos ele foi abrindo caminho e conseguiu chegar na frente do pelotão para disputar a liderança, só que Dixon também estava por lá para atrapalhar o título de Helio. Após side-by-sides, three-wides e uma chegada tão apertada que até o cronometro oficial enganou muita gente, Helio venceu a prova, mas Dixon ficou com o campeonato.

Esse era o segundo título do neozelandês, e a primeira vez que os dois disputaram o caneco juntos:

2013

Esse vice está muito recente nas nossas cabecinhas. Até a corrida de Houston, Helio estava com 40 pontos de vantagem, mas aí... vieram os problemas no câmbio, nas duas corridas. E Dixon terminou em primeiro e segundo, nas duas corridas. A vantagem de 40 pontos virou uma desvantagem de 30.

Por causa não só pelo problema com Houston mas por toda a inconsistência durante o campeonato, o que não é normal para Helio, que muitos queriam que Dixon vencesse, por merecer mais um título em sua carreira. Porém, aqueles que queriam Helio como vencedor, pensaram no fato de ele já estar a muito tempo na categoria, vencer corridas e já ter enfrentado Dixon numa final de campeonato... ele merecia o título dessa vez.

Pois bem. Na primeira parte da prova, Dixon estava ferrado na parte tensa do meio do pelotão, enquanto que Helio estava um pouco mais a frente, o suficiente para conquistar o campeonato naquele instante, mas durante as 250 voltas, Dixon foi abrindo caminho e chegando para disputar a liderança com Will Power, enquanto que Helio batalhava pelo quarto lugar. O problema aumentou para o brasileiro quando ele foi chamado por Roger Penske para entrar no pit, quando ele estava fechado! Ele ainda levou uma volta após problemas com o bico do carro mais para o final da corrida. Resumindo: Dixon tri-campeão.

Agora, um desses dois vai finalmente sair da crise e ter seu campeonato... ou não. Não preciso lembrar que Simon Pagenaud também está nessa. Vai que....
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Sobre o Indy Center

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