Top X: Cinco destinos dos pilotos da Lights de 2013

Na temporada passada da Indy Lights, apenas oito dos dezenove pilotos fizeram mais de dez corridas, alguns tiveram rumos conhecidos, e outros você nem ouviu falar.  Onde eles estão hoje? Como eles vivem?  Deram rumo em suas carreiras? Veja:

Tem mais pirralhos órfãos nas Chiquititas do que pilotos que fizeram a temporada toda da Lights em 2013, mas quantidade não é qualidade... E você entende bem porque os meninos de camisa listrada tá lá atrás: ele consegue fazer o movimento pior que o gordinho. achem legenda de foto maior que essa no blog.

Faço essa postagem Globo Repórter concept porque não teve corridas do Road to Indy essa semana.  E como esse blog/portal que me escravizou contratou exige que eu faça pelo menos duas postagens sobre o Road to Indy por semana, sem contar os previews e reviews das provas (já falei aqui sobre a tentativa da HAVOC e de Brian Lift de enganchar sua carreira na Pro Mazda [/jabá]) e ninguém muita gente nem tinham ouvido falar sentiu falta das minhas listas de Top X, irei matar dois coelhos com uma cajadada só.

Antes de começar a lista, devo dizer que nela aparecerá números estranhos, isso porque cortei os pilotos em pedaços. Nesse mundo automobilístico de hoje, se você já não atingiu o ponto máximo dela você deve, invariavelmente, atirar para todos os lados.  Com isso, muitos pilotos fazem mais de uma atividade por vez, e isso quebra o salto de autores gays que querem fazer listas como esta.  Então, caso o piloto que eu me referir aqui, tenha feito/esteja fazendo três atividades diferentes, cada atividade recebe 1/3 de piloto; se ele estiver fazendo cinco atividades, cada atividade recebe 1/5 de piloto, e assim por diante.

Outro detalhe importante é que: os Top X são longuíssimos.  Então, tenha paciência.

Pois bem, agora vamos a lista de verdade né:

5-) TUSCC (5/6 de piloto.  Caso você não saiba, 1/2 +1/3 = 5/6)

Delta Wing (cada vez mais lindo) dirigido por Chaves
Caso você não saiba, a TUSCC (Tudor United Sport Car Championship) é a Nova Categoria dos endurance originada da fusão entre a American Le Mans Series e a Rolex Sports Car Championship, duas categorias de endurance, que estão extintas para se fundir e formar a TUSCC.

Vocês sabem como são as corridas de endurance:  as corridas são tão longas que um piloto só não dirige o carro, e eles tem que fazer revezamento com outros pilotos no melhor estilo gincana.  E os carros da TUSCC são divididos em várias categorias, o que faz com que um montão de caros corra ao mesmo tempo.  Ou seja, essa categoria exige muitos pilotos, e muitos desses muitos pilotos não são exatamente fixos ou exclusivos da TUSCC.  

Mano Karam e os parça do carro da Ganassi
Dois desses pilotos são Gabby Chaves e Sage Karam.  Ambos conseguiram se afiliar a equipes para fazer parte do revezamento de pilotos da categoria Prototype (protótipo, em Pt-Br), e já participaram de três provas.

Bem, a TUSCC não é o foco de nenhum dos dois, mas é sempre bom ter um plano 2.  Sage Karam não tem garantias de se afirmar na Indycar, apesar de todo o programa de treinamento e desenvolvimento de sua pilotagem que vem fazendo na Ganassi.

Já Gabby Chaves tem um impecilho muito maior: a grana.  Chaves sempre correu com pouquíssimos patrocinadores desde a Star Mazda, e no automobilismo de ponta isso é praticamente impossível entrar sem jogar dinheiro na cara dos donos de equipe.  No fim, a TUSCC pode ser uma saída frustrada pro piloto.

Ain mas, e o Hawksworth? Ele correu semana passada e até ganhou e talz... Ele não conta??

Não conta não. Esse acerto pro Hawksworth andar no Viper Oreca #08 vale a pena apenas por uma corrida, a priori. Pode ser que saia algo mais depois da vitória, mas pra não trocar o certo pelo duvidoso, deixamos assim por enquanto.

4-) Nada (1 piloto)

Virou consultor de luxo pra programa de TV.
As vezes acontece, dá tudo errado e você se depara com sua vida sem mais oportunidades.  Isso aconteceu com Jorge Andrés Gonçalves, que até já abandonou seu nome de corridas:  Jorge Goncalvez.  

Ao contrário do que se pensa (e de muitos pilotos que, como ele, ficaram três anos a Lights), ele não é dos ruins.  Correu pela Belardi por três anos e em seu ano de estreia, 2011, conseguiu pódios quando a categoria tinha uma média de 15 pilotos por prova.

Esse bom desempenho (só pode ser isso pois o piloto também não é dos mais endinheirados) chamou a atenção da Michael Shank Racing, e o piloto correu algumas provas pela equipe em 2012-13.

Pena, é até bonitinho...
Sua vida poderia continuar assim, revezando Lights e endurance por um bom tempo. Mas aí jogaram macumba nele e todo o panorama de sua vida mudou.

O estadista que apostava pesado no patrocíno de pilotos bolivarianos (incluindo Goncalvez) morreu, e em seu lugar veio um segundo estadista bolivariano com política bem mais austera, e logo cortou os patrocínios de Gonçalves (até então Goncalvez). Bem, sobrava ir pra TUSCC, e esse era o plano até a equipe passar pro crises e cortar uma boa parte dos custos, e esses custos incluíam o contrato com Goncalvez.

Hoje o piloto está em casa, na Venezuela. Voltou a estudar engenharia automobilística e, de vez em quando, participa de um programa numa das poucas emissoras que não foi fechada pelo estadista atual de seu país.

3-) Associação com equipes (1 e 1/3 de piloto).

Muito comum em países além-mar, pilotos jovens se associar com equipes ainda é meio estranho no mundo da Indycar. Deu certo com Carlos Muñoz, mas não deu certo com Vautier nem com Stefan Wilson. Hoje em dia, temos dois pilotos associados a equipes são Peter Dempsey e Sage Karam. O bacana dessas associações tem focos diferentes.

Karam tbm tá por aí no padoque...
Sage é um moleque bem estranho que passou por todas as etapas do Road to Indy muito rapidamente, e depois de ganhar a Indy Lights com 18 anos ninguém queria contratá-lo porque ele é estranho nenhuma equipe faria isso exceto se ele viesse com um caminhão de dinheiro junto (e ele não vinha).  Sage bem que tentou de várias formas uma vaga em equipes decentes (como KV e afins), mas sempre lhe sobravam vagas em equipes-bomba (segundo carro da Dale Coyne e Rahal Letterman, Bryan Herta, coisas do tipo).

Até que o estranho piloto fez a melhor coisa em sua carreira:  ficar bem próximo de Chip Ganassi.  O alvo principal era uma das duas vagas, ou do quarto carro que Chip ia alinhar apesar de ter um escorpião no bolso e de a experiência recente com quarto carro não ser muito boa, ou na vaga deixada pelo aposentado Franchitti. Sage conseguiu nenhuma delas mas teve um prêmio de consolação, que foi namorar com Anna de Ferran, a futura Wanessa Camargo  uma espécie de programa de jovens pilotos improvisado. Ele iria corre rcom carros da equipe na TUSCC e com um quinto (!!!) carro da Ganassi na Indy 500, treinar no simulador e aprender sobre o carro na garagem da equipe, malhar na academia, malhar a Anna de Ferran e postar fotos no instagram.  E é isso que ele vem fazendo, se vai dar certo ou não só o tempo dirá.

E Dempsey foi pra uma equipe trabalhadora...
Já Dempsey mudou radicalmente sua carreira.  Após ficar três anos na Indy Lights sem muita perspectiva de subir pra categoria principal, aliado a sua pobreza, ele desistiu de correr na Lights.  Ao invés de virar um piloto frustrado e dirigir em um outro lugar qualquer (oi Viso, oi Rubinho) ou arrumar um emprego no Mc Donalds, ele seguiu num ramo pouco esperado: o treinamento de pilotos.

Dempsey se associou a Juncos Racing, equipe top da Pro Mazda que por mera coincidência tem as mesmas cores que a bandeira da pátria irlandesa de Peter Dempsey, para ser uma espécie de treinador de Spencer Pigot, Kyle Kaiser, Jose Gutierrez e Julia Ballario; e também é responsável por sondar novos jovens pilotos e oportunidades para a equipe. O programa parece estar indo bem para ambos: a equipe vem muito bem no campeonato, os pilotos e ele parecem ter uma boa sinergia e ele parece feliz no seu twitter.

2-) Indycar Series (2 e 1/3 de piloto)

Sage tá aparecendo aqui tanto quanto o Newgarden aparece em vídeos da Indycar...
O principal objetivo da Indy Lights é formar pilotos para a Indycar, e nisso vem se dando muito bem, afinal 2 e 1/3 de 8 possíveis é um número que eu chuto ser bom, pois a conta ficaria um pouco intrincada e o resultado talvez fosse complicado de interpretar, então eu chutei ser bom.  No meu mundo, isso é bom.  No fim foram duas vagas pra temporada toda, e uma vaga só pra Indy 500.

Sage Karam tá aparecendo mais nesse Top X do que o Newgarden nos vídeos da Indycar.  O moleque fez de tudo pra correr essa Indy 500 e ser o segundo mais jovem a completá-la (perdeu pro Marco Andretti, olha que decepção). ele se associou com a Ganassi, fez ele bancar um quinto carro, fez a Chevrolet (que tinha anunciado que não faria mais nenhum motor) fazer um lote de motor extra pra ele, RESSUSCITOU a Dreyer & Reinbold (espero ter escrito certo) Racing e correu as 500 milhas. O fim todo mundo já sabe que ele foi bem.

Os outros dois correm full season, como se diz.  O primeiro aqui é Jack Hawksworth.  Porque sim.

Quase o carro do Batman.
Hawksworth, como metade das pessoas que estavam nas categorias de base americanas, teve uma carreira frustrada na Europa. O inglês veio pros EUA, disputou a Star Mazda e foi campeão com oito vitórias.  Os resultados lhe renderam o melhor lugar na Sam Schmidt da Indy Lights: o patrocínio da Lucas Oil. Essa temporada na Lights que era pra ser aquele ano de afirmação pra entrar com tudo numa equipe média da Indycar, não foi nada disso.  O piloto mostrava ser muito rápido, principalmente em treinos e qualify, mas cometia erros bestas em algumas ultrapassagens, além do seu defeito crônico de não saber andar em ovais.  Ele é a versão inglesa do Will Power.

Cheguei a escrever nesse blog/portal que ele subir agora pra Indycar era um erro, e pra ele fazer algo que o Muñoz fez quando ele também era uma versão latina do Will Power. Mas ele não me escutou e assinou de última hora com a Bryan Herta Autosports feat. mais um monte de gente que quase nunca é citada. Vem fazendo um ano irregular que toda equipe de fundo de grid proporciona a seus pilotos, vem andando  mal nos ovais (tirando a Indy 500, porque o pessoal fica duzentas mil horas treinando nela), batendo um bocado em treinos livres, mas seu arrojo e velocidade vem chamando atenção de alguns e os resultados vem aparecendo esporadicamente.

Mister Colômbia, toureiro e praticante de falcoaria em Pocono.
O outro desse item e Carlos Muñoz.

Muñoz se ligou a Andretti logo depois de se frustrar na Europa, e quando viu que o então garoto de 19 anos mas com cara de quase 30 era um piloto rápido o suficiente pra se prestar atenção e cru o suficiente pra ser lapidado, logo Michael colocou o jovem colombiano debaixo de sua asa.  No primeiro ano, Muñoz começou de modo desastroso, mas logo se recuperou e terminou a apenas seis pontos de seu companheiro de equipe que já tinha experiência de um ano na Indycar, Sebástian Saavedra. Partiu para outro ano na Lights e conseguiu quatro vitórias mas ficou apenas em terceiro no campeonato, já que seu carro quebrou em quatro etapas que o fizeram perder para Karam e Chaves da Sam Schmidt.

Nesse mesmo ano, andou em duas 500 milhas pela Andretti, terminou em segundo a de Indianápolis e estava em terceiro na de Fontana até bater. A prova final do reconhecimento de seu trabalho veio quando a Panther chamou-o para substituir Ryan Briscoe na segunda corrida de Toronto, quando todos os pilotos da Indy Lights estavam nas redondezas pois lá aconteceu uma das etapas da Lights. E agora o colombiano se encaminha para ser, com folga, o melhor estreante da Indycar. Conquistou o quarto lugar nas 500 milhas desse ano, e vem entre os dez primeiros no campeonato.  Um começo ótimo para um provável futuro vitorioso.

1-) Indy Lights (2 e 1/2 pilotos)

Soa estranho, mas sim: o principal destino, por enquanto, dos pilotos da Lights é não sair da Lights.  Basicamente, três pilotos que estavam nela no ano passado continuaram para esse ano. Muito por falta deles mesmo.

Quando ele começou na Lights, ele num tinha entrada enormes...
Juan Pablo García.  É o único obelisco atual do que era a Indy Lights antes de se tornar o último estágio do Road to Indy.  Antes de 2011, os pilotos mais jovens tinham que brigar, e muito, com pilotos mais velhos que faziam carreira na Indy Lights/Indy Pro Series já que eles não conseguiam subir para a IndyCar de verdade. O mexicano está agora na toda-poderosa Sam Schmidt, conseguindo um top 5 na última corrida em Pocono (que largaram 8 carros), seu melhor resultado na categoria, igualando St. Pete 2013.

García segue para completar números impressionantes na categoria.  Esse é seu sexto ano na Indy Lights (ele entrou em 2009, junto com os novatos James Hinchcliffe, Mário Romancini, Sebástian Saavedra e Charlie Kimball), empatando em número de anos disputando a Lights com Wade Cunningham e ficando atrás apenas dos sete anos de categoria de Jeff Simmons e dos oito anos de Arie Luyenyk Jr.  Caso complete a temporada toda, fará 45 corridas na categoria, o sexto maior número.  O seu principal rival nos recordes na categoria é Arie Luyendyk Jr.  García ainda perde no número de equipes que correu (Gar 6 x 8 Luy) e em corridas sem vitória (Gar 40 x 62 Luy).  Mas um recorde García já tem: é o piloto que mais correu na Indy Lights sem sequer conseguir um pódio (recorde que era de Sean Guthrie, 38 corridas).  Sua carreira na Indy Lights:  40 corridas, 0 vitórias, 0 pódios 0poles, 0 voltas mais rápidas e 26 anos. 

Espero, sinceramente, que ele consiga concluir o que quer que seja que ele almeje conseguir.  

Os outros dois desse item são os dois postulantes ao título:  Gabby Chaves e Zach Veach.

Ele fez essa pose muitas vezes esse ano...
Gabby Chaves, depois de se frustrar na Europa Bla bla blá... veio pros EUA Bla bla blá... Star Mazda Bla bla blá... segundo no campeonato Bla bla blá... e chegou a Indy Lights pela Sam Schmidt no ano passado. A lógica dizia que ele e Karam brigariam pelo segundo lugar na equipe, já que o primeiro era de Hawksworth, mas não foi isso que aconteceu. Chaves mostrou grande consistência e regularidade (assim como Karam e ao contrário de Hawksworth), a ponto de brigar com Karam pelo título. Ficou em segundo. Não subiu pra Indycar apesar de tentar bastante a vaga na Dale Coyne e na Rahal Letterman, mas sem dinheiro e sem contato com o padoque da Indycar, nem teste conseguiu.

Chaves é um ótimo piloto e regularmente veloz. Em todas as corridas que completou nos Estados Unidos (35 corridas somando Star Mazda e Indy Lights), completou TODAS  elas entre os dez primeiros, mas para ele falta esses dois pré requisitos: dinheiro e contatos. Conseguir isso e ainda mostrar que não perdeu o ritmo de pilotagem não é fácil e só há uma maneira: correr de novo na Lights. É o que ele vem fazendo, vem disputando o título da categoria no seu segundo ano, faz corridas esporádicas com o Delta Wing e vem sendo visto pelo padoque, para não ser esquecido como no ano passado.

Take the Veach to Isengard!
A carreira de Zach Veach é algo interessantemente esquisito. Caso ele ganhe a Indy Lights esse ano, farei um resumo da carreira dele, que já é grande. Resumindo em duas linhas ou mais, desde pequeno ele chamou a atenção dos Fisher e posteriormente dos Andretti por ser rápido e também por algumas ações fora da pista; entrou na equipe da Andretti na USF2000 em 2010, veio subindo com a Andretti Autosport sem fazer muita coisa especial até o ano passado, quando ficou em sétimo no campeonato da Indy Lights.

Nesse ano, entrou para seu segundo ano na Lights e quinto ano em uma equipe da Andretti, e vem desenvolvendo um bom papel até o momento, com duas vitórias e brigando pelo título. Parece que a ele falta sempre experiência, que é um garoto rápido mas demora a pegar o jeito da coisa em uma categoria, o que é fatal na maioria dos casos (vejam o Vautier).

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Legal que eles são amiguinhos mesmo com a disputa na pista...
Mas e em 2014?  A tendência de permanecer na Lights será a mesma? Teremos mais pilotos subindo pra Indy ou caindo no limbo e sumindo completamente de nossos radares? Luiz Razia terá qual desses desfechos? Só o tempo pra dizer... E agora vocês viram o pior encerramento de texto da história desse blog... Pena porque o texto tava tão grande e pode ser meio broxante ler um texto enorme desses pra esse encerramento merda.
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