Dossiê Lights: Razia e o fim da ambivalência performática (com conclusões dessa vez) (2/2)

No texto passado, contei sobre a ambivalência performática, e os motivos que me faziam afirmar que Raiza estava nesse estado.  E agora, finalmente, paro de enrolar e conto que SPOILER ALERT!!! ele não está mais nesse estado, e também se ele vai vencer o campeonato e se ele estará na Indy o ano que vem (essas duas não vão ser respondidas diretamente e tal...).

Razia na comemoração da sua vitória, ao lado do lindo do Jack Harvey (fonte:  globoesporte.com)

Bem, depois de quatro corridas, Luiz Razia tinha um pódio na conta e estava na terceira posição no campeonato, 49 pontos atrás do líder.  Estamos no mês de maio e prestes a ver três corridas de redenção.

A SPM não vinha se dando bem com os pneus e seu desempenho estava aquém do esperado, mas isso mudaria no novo circuito misto de Indianápolis. O circuito tinha um asfalto muito abrasivo, o que fazia que os pneus Cooper fossem obliterados rapidamente e criando condições ótimas para a SPM reinar.  Outro fator bom para a equipe é que o circuito se assemelha ao estilo dos novos circuitos europeus e com dois pontos de ultrapassagem gritantes, favorecendo disputas e que seus pilotos, mais acostumados com esse tipo de pista e com mais desempenho em pneus desgastados, sobressaíssem.

Sem o empecilho do desempenho não muito bom da equipe, da falta de tato com os circuitos (já que todos andariam nele pela primeira vez) e sem ter que fazer manobras muito engenhosas para ultrapassagem, Razia teria a oportunidade perfeita para sair da estranha ambivalência.

Vitória!! (autoblogpv8.blogspot.com)
Razia chegou a liderar os dois treinos do primeiro dia de testes.  Largou em quarto na corrida e com a pista
bem molhada ainda, o baiano larga mal e cai pra quinto.  Até que, ainda no começo da prova, Razia faz sua primeira ultrapassagem de verdade em cima de Gabby Chaves, Jack Harvey e Alex Baron, para assumir a segunda posição para não mais largar.  Mesmo com o brasileiro não conseguindo ultrapassar Matthew Brabham, o piloto conseguiu fazer a volta mais rápida da prova quando a pista já estava mais seca, e conseguiu o direito de largar na frente na prova 2.

Na corrida 2 o piloto venceu de ponta a ponta mas não teve moleza.  Ele foi pressionado durante toda a prova pelo seu companheiro de equipe e principal perseguidor Jack Harvey, e na última passagem pela linha de largada/chegada, a diferença entre eles era de apenas três décimos.

Como pode ser visto, verificamos que o Luiz Razia está bem na categoria, pois quando os fatores que faziam o piloto ficar no estado de ambivalência performática (desempenho da equipe, adaptação com os circuitos e com a categoria em si), o baiano conseguiu mostrar que é rápido e bom piloto.

Mas e as outras perguntas?  Ele ganha o campeonato?  Ele sobe pra Indycar??

Dificilmente o piloto consegue vencer o campeonato.  Apesar do bom desempenho no circuito misto de Indianápolis, essa etapa foi atípica; e as chances de vitória e de título do piloto fica condicionado a (não somente, mas principalmente) melhora de desempenho da equipe.

O piloto, muito provavelmente, subirá para a Indycar no ano que vem.  Mas a entrada na principal categoria de monopostos americana não é fácil, e não fica dependente apenas a sua habilidade e aos seus patrocinadores.  Na Indycar, principalmente em equipes mais tradicionais, tem mais dois fatores que são levados em consideração na contratação:  os contatos com a equipe e o momentum.


Razia liderando o pelotão da Freedom 100 (www.nationalspeedsportnews.com)
Nas principais equipes que correm na Indycar, as relações entre os componentes é muito maior do que simples contatos de trabalho.  Muito frequentemente vemos nas redes sociais fotos muito descontraídas e espontâneas com pilotos, donos e outros membros das equipes, há uma sinergia muito grande entre todos.  Essa sinergia pode ser difícil de conseguir em alguns momentos, e a falta dela causa problemas que se refletem na pista.  Para garantir que essa sinergia aconteça, as equipes principais gostam de conhecer muito bem os pilotos, e começam a integra-lo na equipe desde muito antes do contrato assinado.

O outro fator considerado é o momentum.  O momentum é aquele conjunto de fatores do ambiente que estão acontecendo agora, e que podem favorecer ou não o piloto.  Dependendo de como está a equipe, o mercado, e afins, a entrada de um piloto é favorecida.  Sim, é complicado desse jeito (as vezes, não, explico as coisas muito mal), então darei dois exemplos:

  • No fim de 2012, a Sam Schmidt Motorsports, ainda animada pelo bom resultado de seu único carro naquela temporada, anunciava a entrada de Tristan Vautier em um segundo carro da equipe.  Vautier, campeão da Star Mazda em 2011 e da Indy Lights em 2012, vinha como o único estreante, mas com bastante qualidade e velocidade, o que poderia dar errado???  Bem, tudo.  O piloto era bem rápido (tanto que chegava na fase final do treino classificatório constantemente) e a equipe era boa, mas tanto o piloto como a equipe cometiam alguns erros e atrapalhavam seus resultados finais.  Como resultado, Vautier terminou o campeonato em 20º, com um décimo lugar como melhor classificação, enquanto seu companheiro de equipe Simon Pagenaud terminou o campeonato na terceira posição, com duas vitórias.  O estreante acabou perdendo seu patrocinador master, seu contrato acabou rescindido com a equipe e o piloto não teve nova oportunidade (tanto é que aderiu a profissão de comentarista do Road To Indy TV).
  • O momentum foi decisivo também na contratação de Ryan Briscoe para o quarto carro no lugar do badalado Sage Karam.  O quarto carro da Ganassi seria ressuscitado depois do fiasco com Graham Rahal, equipe completamente nova.  Para garantir resultados razoáveis e ter uma referência de experiência dentro da equipe, Chip Ganassi optou por um piloto bem experiente em carros de alto nível (como Briscoe) para afinar a equipe e ainda conseguir bons resultados, ao invés de colocar no carro um piloto de 19 anos e inexperiente na categoria (apesar de ótimo piloto), para que não acontecesse o mesmo que aconteceu com Vautier.
A Indy está próxima, mas cuidado com o andor (racing.ap.org)
Esses dois pontos são importantíssimos caso Razia queira entrar em uma equipe de média pra boa (em equipes pequenas, como carros da Rahal, Bryan Herta e Dale Coyne) esse fator é bem menos influente, mas para conseguir uma vaga e, principalmente, fazer carreira na Indycar, esses fatores podem ser determinantes.

Mas eles não devem ser problemas para Razia, e com o piloto cuidando bem desses fatores, nada de pior deve acontecer.  O piloto tem grandes possibilidades de crescer dentro da categoria, mas depende principalmente de seu empenho para no futuro fazer parte de um dos grandes vencedores brasileiros, ou daqueles que apenas passam pela categoria.


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ღೋƸ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒღೋ O FIM ღೋƸ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒღೋ
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Ah, ficou uma pergunta sem responder:  o Razia foi bem na primeira corrida em oval?

Sim!!  O carro teve ótimo desempenho, o piloto conseguiu se adaptar bem a direção mais suave e aos ajustes finos que os ovais exigem de um carro.  Conseguiu largar na ponta, e esteve no pelotão da frente praticamente toda a prova, mas um momento mais complicado no meio da prova (quando disputava a ponta com Zach Veach, seu carro balançou e o baiano caiu pra quinto lugar) e em alguns momentos em que foi bloqueado por Veach mostraram que o piloto ainda precisa de uma certa intimidade com essa dinâmica de prova e o impediram de disputar a vitória.  Dessa vez...

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