Confira uma entrevista dada por Conor Daly para o Autoweek, sobre seu futuro

Antes de ontem (4 de março), Mac Morrison do site autoweek, fez uma boa e sincera entrevista com o piloto Conor Daly.  O piloto, que dirigiu já nas categorias de base tanto nos Estados Unidos quanto na Europa (chegando a disputar até a GP2), já é famoso por ter talento, mas sempre ficar pelo caminho na disputa de uma vaga na categoria suprema dos monopostos americano.  O original pode ser acessado aqui.

Abaixo está a tradução dessa entrevista, feita livremente por mim.  As perguntas de Mac Morrison estão assinalads com AW (de Autoweek) e as respostas de Conor Daly estão assinaladas com CD.



Conor Daly está frustrado pela falta de vagas na Indycar.
Jovem piloto americano continua sua procura por um lugar pra correr em 2014.

Aspirante a piloto da Indycar Series, o nome de Conor Daly é reconhecido entre os fãs de corridas e na mídia automobilística como um dos que se deve prestar atenção na lista de futuras estrelas.  Mas a vida de um jovem piloto tentando se tornar um dos melhores não é feita só de fascinação, carros rápidos e modelos. Ou mesmo apenas dirigir.Autoweek conversou com piloto de Indiana com 22 anos sobre os seus planos para 2014 e mais para frente também.

AW:  Você ganhou o Skip Barber National Championship, o Star Mazda Championship. Ganhou algumas corridas na GP3 e marcou alguns pontos na GP2.  Você ganhou uma corrida na Indy Lights em Long Beach em 2011 e correi uma Indy 500 pela AJ Foyt ano passado. Muitos jovens pilotos gostariam de ter esse resumo.  Onde você estará na próxima temporada?

CD:  Não tenho onde correr, em nenhum lugar do mundo.

AW:  É simplesmente em função do dinheiro?

CD:  Exato.  Não tenho dinheiro, e ninguém está disposto a me dar apoio financeiro (não pelo menos ao nível que é necessário).  Todas as equipes da Indycar precisam de dinheiro, e eu perdi todas as oportunidades para vagas que que foram (por enquanto) financiadas.  E estive procurando-as pelos últimos três meses.

AW:  Muitos pilotos talentosos estão lutando para achar apoio financeiro nos últimos anos.  Com você perseguindo patrocínio, qual parece ser o maior obstáculo para conseguir o apoio necessário para correr na Indycar?

CD:  Simplesmente não há interesse na quantidade de dinheiro que são necessários.  Para (uma das vagas possíveis para a temporada toda), eu preciso de cerca de US$2,5mi (quase R$ 6mi), provavelmente quase três milhões pra eu entrar no páreo, e eu conseguiria juntar cerca de US$600.000 (pouco menos de R$1,5mi).  Isso por meio de pessoas que já me financiam.  e nenhuma empresa quer me financiar (a esse grau).

AW:  Até esse momento, essa é a primeira vez em anos que você não tem lugar algum pra alinhar um carro em uma temporada regular. O que mudou em 2014?

CD:  Aí está o ponto:  houve um ano em minha carreira que eu tive que achar suporte através de apoiadores e patrocinadores.  Em 2008 eu ganhei o Skip Barber, o que me rendeu um lugar grátis para correr na Star Mazda em 2009.  Mas para 2010 eu tive que me bancar pois não ganhei o campeonato, mas os valores era aproximadamente US$250.000 (cerca de R$600.000), e eu achei fundos o suficiente para isso.

Então, em 2010, ganhei a Star Mazda, que me pagaria toda a temporada do ano seguinte, que foi o meu primeiro ano na GP3 e cinco corridas na Indy Lights.  Então assinei um contrato com a Force India, que pagou meus dois próximos anos na GP3.  Então, eu nunca tive um grande patrocinador, tenho sido apoiado pela Force India ou porque fui campeão.  Esse é o jeito que você quer fazer -- até chegar a certo ponto.  E agora nada acontece.

AW:  O que acontece com o acordo com a Force India?

CD:  Force India não podia mais me financiar.  esse é o modo como eles trabalham e isso foi bom pra mim. e, pelo contrato, eu deveria ser campeão da GP3 ano passado.  E eu não fui.  Um acorrida não completada acabou com meu campeonato -- e com minha carreira na Europa, essencialmente.

AW:  Então, você deveria ter procurado patrocínios mais cedo do que você começou a procurar?

CD:  Esse é o ponto, cara, eu estava.  Eu estava entrando em contato com equipes da Indycar.  Mas eu fui à caça.  Essencialmente, não sabia se eu iria ter o apoio da Force India até próximo do Natal.  Foi desse jeito que aconteceu.

AW: Será que a quantidade de dinheiro que você precisa pra correr na Indycar varia de equipe para equipe?

CD:  Isso varia de acordo com os patrocínios que a equipe já possui.  Uma das coisas legais da Indycar é que elas estão sempre observando seus próprios patrocínios, e elas querem ser capazes de manter e contratar os pilotos que elas quiserem.  Mas isso é difícil para todos encontrarem, para qualquer um, a maioria das equipes tem algum (patrocínio), mas eles não tem tudo.  Geralmente você precisa trazer não mais que USS1,5mi (cerca de R$3,5mi).

AW:  Você está confiante em conseguir uma vaga para correr a Indy 500 e algumas corridas, mesmo que não seja a temporada toda?

CD:  Sim, estou confiante em conseguir algo para as 500, com certeza.  Olha, eu não estou culpando a categoria ou qualquer outra pessoa pela minha situação no momento.

Eu acho que é lamentável algumas das equipes tomarem as decisões que tomam, especialmente os que tem financiamento.  Ir com os caras que já tiveram suas chances e que são os caras que já deram o que tinham que dar -- mas como desenvolver um esporte com caras do passado?  Especialmente quando você anuncia um cara como Jacques Villenevue (para a Indy 500), a mídia é gigante.

AW:  Então, qual é sua situação perante isso tudo?

CD:  Nem tudo está perdido, estou trabalhando nisso.  Vou fazer isso acontecer.  Pode não acontecer algo esse ano, mas vou fazer o melhor que posso para participar de qualquer corrida que poder.  Mas estou sempre a um negócio de distância, para que eu possa receber um telefonema de alguém amanhã e ir correndo.  Você nunca sabe!

AW:  E se essa ligação nunca chegar?

CD:  Você sabe, isso é interessante, porque num dá pra ter uma idéia.  Desde que comecei a correr aos 10 anos, tive temporadas de corridas pra competir, e anos completos pra me concentrar.  Nunca me defrontei com esse tipo de situação.  eu num sei o que vou fazer, vou continuar a morar na casa da minha mãe (risos)...

Dou crédito a um monte de caras da indycar que me apóiam.  Falei com Oriol Servià, Alex Tagliani e (um dos diretores da Ganassi) Mike Hull, caras com quem pego conselhos, dizendo "hey guys", se algo não acontecer esse ano, o que eu faço?  Acho que eu vou para todas as corridas da Indycar, estar lá e ser visto.

Mike Hull, especialmente, me disse para estar sempre a vista, estar lá o tempo todo, ser conhecido.  E isso é tudo que posso fazer, então estarei lá.  Oriol Serviàs é um cara que esteve na mesma posição que eu várias vezes e nunca foi de trazer muitos patrocínios, ele quer ser contratado por mérito próprio.  ele me disse para continuar trabalhando e fazer o que eu puder fazer.

Então acho que algo vai acontecer.  Isso, obviamente, não vai acontecer nesse ano, mas estou esperando que as equipes vão renovar e haverá uma ressurgência de novos talentos, porque há bons rapazes lá fora.

AW:  Todos que já correram, em qualquer nível, sabem que é difícil e caro.  Mas as vezes as pessoas parecem assumir que, por você ter um nome, por seu pai ser piloto profissional - isso se aplica a você e seu pai Derek, Graham e Bobby rahal, Marco e Mário Andretti, entre outros - que as coisas estão meio entregues nesse esporte...

CD:  Eu não estaria hoje nesse ponto se não fosse meu pai.  Não por causa de dinheiro, apenas por causa de suas conexões, das pessoas que ele conhece. Se não fosse os caras que ele conhece super bem na force India, e provavelmente não teria sido contratado por eles e não teria dirigido seu carro (em testes) três vezes em dois anos.

Então, suas conexões tem sido massivas - Mas agora,? Nada.  Sem uma grande quantia em dólares junto com você, num consegue-se ir mais longe.  obviamente, vou tentar fazer o melhor que posso para que eu mesmo aconteça, e estou fazendo o que posso para que possa colocar um programa conjunto e conseguir pessoas envolvidas.

Eu honestamente acredito que essa experiência de num ter nada e ter que trabalhar mais para colocar isso tudo junto vai ser bom pra mim no futuro.  É sempre um grande aprendizado.


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