Indy Lights 2017: a disputa diferentona pelo campenato

Enquanto o campeonato da Fórmula Indy, da Pro Mazda e da USF2000 seguem acirradíssimos e disputados ponto a ponto, a Indy Lights não. E não é só nisso que o campeonato está diferentão.
Como Kaiser conseguiu tamanha vantagem?
Na Fórmula Indy principal, fantando seis etapas para o fim da temporada, o líder Scott Dixon tem apenas três pontos de diferença para o segundo colocado, Hélio Castroneves. Na Pro Mazda também faltam seis corridas para o fim do campeonato e o líder, Victor Franzoni, tem apenas sete pontos de vantagem sobre o vice-líder, Anthony Martin. Até na USF2000, com o campeonato faltando três corridas para o fim, Oliver Askew tem menos de vinte pontos de diferença para o segundo colocado.

A Indy Lights, esse ano, seguiu um padrão diferente, e vemos o líder do campeonato, Kyle Kaiser, com mastodônticos 52 pontos de diferença para Maatheus Leist, o segundo colocado no campeonato. Com apenas quatro corridas para o fim, essa é uma diferença considerável, pois Kaiser não precisa nem mais precisa completar corridas no pódio para ser campeão.
como está o campeonato de 2017 até o momento.

O que aconteceu nessa temporada para Kaiser estar tão a frente assim no campeonato?Bem, foi um conjunto de fatores.

Primeiro, a pré-temporada ajudou muito.

Santiago Urrutia escolhendo "errado".
O caso de Kaiser na pré-temporada pode ser usado como exemplo de como sair na frente de seus competidores já na pré-temporada. O californiano de 21 anos seguia para sua terceira temporada na Indy Lights, sendo o mais experiente dos pilotos relevantes no final de 2016, e a experiência faz realmente muita diferença numa categoria com treinos privados altamente regulamentados e caros.

Essa experiência toda se tornou um  fator ainda mais importante quando vários dos pilotos que competiram na Indy Lights em 2016, como Zach Veach, Dean Stoneman, André Negrão, Felix Serralles e Ed Jones anunciaram que não mais competiriam na principal categoria de acesso à Fórmula Indy. Dos sete primeiros colocados do ano passado na Indy Lights, apenas ele e Santiago Urrutia disputariam a temporada desse ano.

pois bem, Kaiser acertou para seu terceiro ano de Lights na Juncos Racing, equipe onde esteve desde que foi descoberto na Pro Mazda, em 2014 e, desde então, fez uma temporada pela equipe de Ricardo Juncos na Pro Mazda e segue na Lights desde o início da temporada de 2015. A Juncos Racing, junto com a Carlin e a Andretti Autosport formam o trio de ferro da categoria desde que a Schmidt-Peterson abandonou a categoria; com Belardi e Team Pelfrey correndo atrás dessas três.

Santiago Urrutia, sem muitos recursos, assinou com a Belardi para esse ano. Ponto para Kaiser.

Isso fez com que seis dos dez principais carros da categoria fossem ocupados por novatos, e os outros três assentos livres fossem ocupados por pilotos que ainda tinham muito que provar e se desenvolver no automobilismo americano: Neil Alberico, Zachary Claman de Melo e Dalton Kellett.

Segundo, sua regularidade ajudou muito.

Kaiser no pódio quase sempre.
Kyle Kaiser pode não ser o piloto mais rápido ou habilidoso do grid (ele não é) mas é um piloto extremamente regular. Nas últimas 30 provas que disputou na Indy Lights, ele fez top-6 25 vezes, e  só esteve fora do top 10 duas vezes, quando abandonou em Barber 1 e na Freedom 100 de 2016.

Na Indy Lights, com grids de 14 carros, não se torna tão difícil estar entre os seis primeiros, principalmente quando já se tem experiência de duas temporadas na categoria. Isso não fica tão fácil quando se é novato. Ser novato no campeonato da Indy Lights, talvez até mais do que em outras categorias, joga muito contra o piloto durante o campeonato. Os pilotos estreantes não devem se acostumar apenas com o carro, mas também com largadas em movimento, push-to-pass que podem ser acionados apenas em momentos específicos, fins de semana quase sem tempos de pista para se acostumar com cada circuito que se corre.

É extremamente difícil ser regular sendo novato, mas é mais fácil sendo experiente e conhecendo o palco de cada prova. Essa vantagem é tão importante que vemos pilotos medianos (como Claman de Melo, Alberico e Kellett) se destacando perante grandes pilotos, mas que ainda estão estreando na categoria.

Terceiro, a mudança nas etapas campeonato o ajudaram.

Foto aleatória para não deixar uma sessão sem imagem.
Além da mudança do push-to-pass, onde o recurso só pode ser utilizado no estilo DRS (quando o carro de trás está a um segundo ou menos atrás do seu oponente), houve uma grande mudança na categoria pelo lado desportivo.

O cronograma dos fins de semana mudaram significativamente. Antes tínhamos três sessões de treinos livres, um treino classificatório que ordenava o grid para as duas corridas e as duas provas. Nessa temporada, temos apenas um treino livre e dois treinos classificatórios, um para cada corrida. Não parece, mas isso muda um bocado de coisa, diminuindo o tempo de pista para treinos livres e afetando, principalmente, os estreantes na categoria.

A mudança feita na pontuação a partir da temporada de 2016 foi focada na regularidade, com as diferenças entre os três primeiros e as outras posições sendo melhores premiadas. Ajudando ainda mais Kaiser em face a seus concorrentes.

São tantos novatos esse ano que até Zachary Claman de Melo está se dando bem como piloto veterano.
Por causa desses três fatores vemos essa grande disparidade no campeonato.

Matheus Leist, por ser estreante e nunca ter corrido em um circuito de rua antes, foi mal nas duas rodadas duplas que aconteceram em circuitos citadinos, em St Petersburg e a última em Toronto. Se somarmos os pontos que Leist perdeu em relação a Kaiser nessas duas rodadas duplas, vemos que Kiase fez 58 pontos a mais que Leist só nessas etapas, sendo que a diferença no campeonato é de apenas 52 pontos.

Colton Herta, Nico Jamin e Aaron Telitz, apesar de ser um bom piloto, vem sofrendo com a irregularidade e inconsistência nos resultados, o que é bem típico de uma pessoa que pula da Fórmula 3 e da pro Mazda, respectivamente, para os carros bem mais potentes da Indy Lights.

Santiago Urrutia é regular, mas problemas em seu carro proporcionaram nada menos do que quatro maus resultados até o momento no campeonato.

Zachary Claman de Melo e Neil Alberico, apesar de serem experientes e possuírem bons carros, ainda estão se desenvolvendo nos monopostos e ainda não estão maduros o suficiente para pensar em título.

Com todos esses fatores jogando contra, vemos esses sete pilotos (Leist, Herta, De Melo, Urrutia, Telitz, Jamin e Alberico) separados por menos de 50 pontos. E como em Kyle Kaiser esses fatores pesam bem menos, vemos o californiano com mais de 50 pontos de diferença para todo mundo.

Essa diferença, faltando quatro provas para o fim é gigantesca. O vencedor de cada prova marca 30 pontos, mas, geralmente, acaba marcando 33 pontos pelas bonificações, enquanto o segundo marca 25, o terceiro marca 22 e o quarto marca 19 pontos. Por exemplo, se Kyle Kaiser fizer mais um pódio nas próximas quatro etapas o fictítcio líder poderá descontar apenas 11 pontos na etapa, tornando difícil tirar os outros 45 pontos. A situação do californiano é bem boa.

Entretanto, apesar da diferença monstruosa que Kaiser tem sobre Leist e Herta, tudo não está perdido. Não existem mais circuitos de rua para atrapalhar Matheus Leist e com um oval no calendário onde a Carlin tem tudo para dominar, o brasileiro ainda pode fazer a virada para cima de Kaiser, que anida não abandonou no campeonato e faz três anos que ninguém consegue completar todas as provas da Indy Lights. Essa é a última escrita para Kaiser quebrar e, caso consiga, está com uma mão e meia na taça.
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