500 DO BRASIL: A vitória do amigão Tony Kanaan

Olá, amigos! Estamos aqui para encerrar a série “500 do Brasil” – ou pelo menos para encerrar esta série de relatos, já que esperamos escrever mais histórias hoje. Falaremos sobre a única e suada vitória de Tony Kanaan na terra do leite.



Antoine Kanaan Filho nasceu em Salvador, filho de pai libanês e mãe brasileira. Foi morar, ainda jovem, em São Paulo, e também jovem perdeu seu pai, grande incentivador da carreira. Assim como muitos de sua geração, voltou-se para o automobilismo americano desde as categorias de base, e, em 1998, estreou na FedEx World Championship pela Tasman. Sua primeira vitória viria no ano seguinte, na épica US 500 em que ele ganhou de um Max Papis com pane seca na última volta.



Em 2000, Tony foi para a Mo Nunn, com o patrocínio dos cigarros Hollywood. Disputaria no ano seguinte a sua primeira Indy 500, quando a equipe dividia-se entre a prova e a temporada da CART. Até que, em 2003, ele assinou com a Andretti Green para substituir ninguém menos que o chefe, Michael Andretti, que se aposentara.

Esta foi a cara de TK durante muito tempo


O ano de estreia foi promissor, com o brasileiro terminando em quarto. E, em 2004, ele venceu de maneira inconteste o campeonato da Indy Racing League, sendo até hoje o único brasileiro a conseguir este feito.

Porém, os anos foram passando e Tony ainda tinha esta Indy 500 engasgada na garganta. Quantas vezes teve condições de vencer, mas o carro quebrou, ou ele se acidentou, ou simplesmente não fora bem? E, com a idade avançando, a cobrança se tornava cada vez maior nos meses de maio.

Em 2013 não seria diferente. Muita coisa havia acontecido: novos chassis e motores (voltou o turbo e a Chevrolet, o Dallarão passou a ser o atual DW-12), ele mudara de equipe (A Andretti, alegando corte de despesas da sua patrocinadora, 7-Eleven, o dispensou no fim de 2010, e ele arranjou uma vaga na bacia das almas na KV para 2011), e seu amigo Dan Wheldon falecera na pista no mesmo ano. Só o que não mudava era a maré de azar em Indianápolis.

Coisa que ele estava disposto a mudar.
Nova casa, novo carro... velhos problemas

Nos treinos, a surpresa foi a pole de Ed Carpenter, cuja equipe ele era dono. O americano fez a média de 228,7 mph (368 km/h), após ter se classificado para o Fast 9. Helio Castroneves sairia em oitavo, Tony Kanaan em 12º e Bia Figueiredo em 29ª.

Já no dia 26 de maio de 2013, a largada das 500 Milhas de Indianápolis fora tranquila. Marco Andretti, que largou em terceiro, passou Carpenter e assumiu a ponta. Na volta quatro, a primeira bandeira amarela veio com JR Hildebrand, da Panther, que bateu na curva 1. Esta batida decretou o fim da história do americano na equipe (já que ele protagonizara o épico final de 2011, quando, na última volta das 500 Milhas, bateu na curva 4 e deu a vitória a Wheldon) e, de certa forma, também decretou o fim da própria Panther, que deixaria de alinhar carros no ano seguinte.

Depois, na volta 27, o colombiano Sebastián Saavedra foi tocado e causou outra amarela. Na saída, a briga ficou entre TK, Carpenter e Andretti. Mas outro americano, AJ Allmendinger (ex-Champ Car e egresso da NASCAR, e disputava  corrida pelo #2 da Penske) chegou junto e assumiu a ponta.

A alegria de Allmendinger durou até a volta 130, quando, com problemas na fivela do cinto, ele teve que fazer uma parada extra. Daí a prova seguiu com Kanaan e Ryan Hunter-Reay, da Andretti, na briga pela vitória. Helio Castroneves, perseguindo sua quarta vitória em Indianápolis, também chegou a liderar, mas por pouco tempo: a briga estava mesmo entre os outros dois.

Faltando sete voltas para o fim, Graham Rahal perde o controle do carro na saída da curva 2 e causa mais uma amarela. Na relargada, o brasileiro ultrapassou Hunter-Reay e assumiu a ponta. E a sorte, sempre tão ingrata, desta vez sorriu para ele: Dario Franchitti, da Ganassi, bateu seu carro no muro e causou uma bandeira amarela que duraria até o fim da prova, garantindo a primeira conquista de Tony Kanaan. Detalhe: o escocês e o baiano são grandes amigos, também...



Nota-se a emoção de Luciano do Valle ao narrar a vitória de Tony. Infelizmente, a Band fora cruel e, por conta do futebol, não mostrou a festa do brasileiro, que foi bem intensa. Se eles soubessem o que aconteceria no futuro, não teriam feito isso: foi a última Indy 500 que o narrador fez. Ele faleceria em abril de 2014.

Tal vitória foi decisiva para a carreira do brasileiro. Ele conseguiu patrocínio para o fim da temporada e mudou-se para a Ganassi substituindo Franchitti. Outro piloto que aproveitou da última relargada foi o colombiano Carlos Muñoz, que chegou em segundo naquela prova – também ultrapassara Hunter-Reay e estava em ritmo fortíssimo antes da batida -, e, após ter disputado na véspera a prova da Indy Lights, garantiu vaga na principal.

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Outro personagem marcante desta prova foi o italiano Alex Zanardi. Ele correra pela outra categoria até 1996, quando foi contratado por Chip Ganassi. Venceu dois campeonatos e foi tão bem que, em 1999, foi chamado com honras para a Williams, voltando à Europa. Passou dois anos lá e voltou à CART, mas por outra equipe. Só que, correndo no oval de Lausitz (Alemanha), sofreu um grave acidente e teve as pernas amputadas.

Ele não se abateu com o acidente e, após um período de readaptação, virou atleta paralímpico e, vez ou outra, corria por aí com carros adaptados. E sempre foi muito respeitado por todos, por sua história de superação – foi campeão de uma maratona em Londres; mas sua história, por conta da cisão CART/IRL, nunca havia chegado a Indianápolis. Foi aí que Chip Ganassi resolveu convidar o ex-pupilo para o Templo do Automobilismo e o presenteou com o Reynard Honda #4 que tantas alegrias deu a ambos. “Uma chegada triunfante”, definiu o italiano.

Uma injustiça corrigida


Pois bem, eu disse que Zanardi venceu a maratona paraolímpica de Londres em 2012. E ele, amigo de Tony Kanaan, resolveu visitá-lo no domingo antes da prova e levou a medalha de ouro consigo. “Esfrega a medalha em você, vai dar sorte”, disse o atleta. Tony levou na brincadeira, mas fez. E deu certo. Como retribuição, o brasileiro doou a Zanardi o capacete vitorioso.

E todo o resto da história, gente, vocês acompanham aqui no Indy Center Brasil. Espero que tenham gostado da série. Vamos torcer para mais capítulos! Forte abraço.





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1 comentários:

  1. Videos desta corrida filmados por mim da arquibancada, foi inesquecível:
    https://www.youtube.com/watch?v=noccPHGV0L0&list=PL3towu5zvLtmm6ubuvX9EMrvuVaGvW7kx&index=6

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