Indy Center Responde: "Porque uma pontuação tão grande?" Disse a chapeuzinho.

Hoje vestimos nosso capacete de soldado, nosso óculos nadador, subimos em nosso carro de motor dianteiro e voltamos no tempo da USAC para responder algo que intrigou nosso leitor: por que a USAC tinha uma pontuação tão gigantesca?
1946: primeiro ano que a pontuação da USAC foi usada, antes mesmo de existir USAC.
Milwaukee 100, foto de Smith Hempstone Oliver.

Estamos nos tornando especialistas em responder coisas sobre pontuação. Já mostramos como seria o campeonato da Indy se usássemos pontuações de outros campeonatos, e se a pontuação dobrada realmente faz alguma diferença, mas agora voltamos no tempo para responder ao e-mail de Richard Rafi:
Oi Indycenter eu queria saber como é a Antiga pontuação da Indy e Porque A Pontuação era Assim

Por exemplo:

Porque as 500 Milhas eram mais Importantes do que as de 200? Havia Grande chance de Um Piloto Ganhar o Titulo na Indianapolis 500, e como era o Sistema de Pontuação da USAC?
Como sempre, vamos por partes:

Como era a antiga pontuação da Indy e Porque a pontuação era assim?

Assim como na imagem, a vitória da esquerda valeu mais que a da direita em 1956.
Pat Flaherty, Indy 500 a esquerda e Jimmy Bryan, Ted Horn Memorial 100.
Se você acha que a pontuação usada hoje em dia é irracionalmente grande, é porque não conhece a pontuação da USAC. Ela varia de acordo com a distância total prevista para a prova, onde essa distância é multiplicada por um número que muda de acordo com a classificação final do piloto, seguindo a tabela ao lado. 

Por exemplo, se o piloto vencesse uma prova de 100 milhas de distância, multiplica-se 100 por 2 e temos que ele ganha 200 pontos. Se um piloto chegar em segundo numa prova de 400 milhas, multiplica-se 400 por 1,6 e ele ganha 640 pontos, e assim por diante.

Isso fazia com que o piloto que vença uma prova de 100 milhas (as menores do calendário) ganhe apenas 200 pontos, o mesmo que um piloto que chega no nono lugar em uma prova de 500 milhas.
A tabela de pontos ficava mais ou menos assim. Simples.
A pontuação gigantesca da USAC, na verdade, remonta a pontuação da associação que organizava anteriormente os campeonatos de Indy Cars, a AAA (American Automobile Association). Ela criou esse sistema em 1946, quando os campeonatos de carros de corrida voltavam com o fim da Segunda Guerra Mundial. Elas eram tão altas assim para que se pudesse separar os Indy Cars (carros mais poderosos) de outras classes, que ganhavam menos pontos no ranking. Assim a AAA garantia que o campeão dos Indy Cars sempre fosse o primeiro colocado do ranking criado pela associação.

Essa pontuação foi levada até o último campeonato organizado pela AAA e, em 1956, passou a ser adotado também pela USAC. A USAC usou essa pontuação até o seu "fim" em 1981, modificando um pouco a partir de 1977 para dar pontos também para os pilotos que completam provas abaixo do 12º lugar.

Porque as 500 milhas eram mais importantes que as de 200?

Existem dois motivos principais para se privilegiar provas mais longas em detrimento das mais curtas.
Enquanto tinha mais de 50 em Indy, só 22 apareceram em Trenton.
O primeiro é o custo. Dos anos 40 até o fim dos anos 60 eram poucos os que tinham dinheiro para rodar o país levando seus carros, mecânicos e peças para a garagem; e eram menos ainda os pilotos que tinham o privilégio de se aliar a uma equipe ou montadora para garantir algumas presenças. a primeira vez que os três primeiros colocados da USAC largaram em todas as provas foi em 1965, no décimo ano de campeonato.

Com pontuação diferenciada se dá maior importância para as provas mais longas fazia com que os pilotos que tivessem menos posses pudessem participar das provas certas provas maiores e que dão mais pontos no ranking principal da USAC, permanecer em voga para a comunidade automobilística e, quem sabe, disputar alguma coisa no campeonato.

Outro motivo é justamente esse: dar mais importância a algumas provas em detrimento de outras. Naquela época, além da velocidade dos carros, se pregava muito o conceito da durabilidade, onde o carro mais veloz nem sempre venciam corridas mais prestigiadas (eram raros os casos do pole das provas mais longas vencer). 

Principalmente quando Indianápolis, com quatro semanas de treinos livres e um treino oficial longuíssimo, denotavam mais importância que as outras provas.


Havia grandes chances de um piloto ganhar o título nas 500 milhas

Na verdade não, pois as 500 milhas mais famosas do mundo sempre esteve mas cinco primeiras etapas do ano, então, quando elas terminavam ainda havia dois ou três mil pontos em disputa no campeonato.

Entretanto, é inegável que os mil pontos dado ao vencedor fazem um diferença crítica no campeonato. Um em cada três campeões da USAC venceram também as 500 milhas de Indianápolis, e nos quatro primeiros anos de chancela do campeonato, o campeão também venceu a Indy 500, em campeonatos onde o vencedor não somava mais de 2500 pontos.
Unser (6) e Andretti (12) liderando a prova em Mosport, 1968
Para evitar tanta influência sem ter de mudar a pontuação, afinal USAC era sinônimo de tradicionalismo, ela aumentou o número de etapas que compunham seu calendário. 

De 1956 a 1964, apenas doze ou treze etapas compunham o campeonato da USAC; a partir desse ano, o número de provas foi aumentado com a categoria visitando mais vezes alguns autódromos (como Langhorne, Phoenix e Milwaukee) e indo para novas praças, incluindo autódromos fora dos Estados Unidos.

Com essas ações, em 1968, o calendário já tinha 28 (!!!) provas, onde Bobby Unser venceu o campeonato por apenas onze pontos (Unser 4330 x 4319 de Mário Andretti).

Entretanto, mudanças para o campeonato de 1971 foram feitas, para que uma parte dos envolvidos com a USAC (dirigentes, equipes, pilotos) e a mais impactante foi a criação de uma classe especial para as categorias de pistas na terra, retirando esses autódromos do campeonato. 

Para contornar a grande queda no número de provas no campeonato (de 28 em 1968 para 13 em 1971) a USAC tirou outra carta da manga: fez mais dois autódromos também sediarem provas de 500 milhas, fazendo o campeonato ter três provas de longa duração.
Largada da California 500 em 1975.
Até o fim do campeonato da USAC, eram disputadas as 500 milhas em Indianápolis, em Pocono e no Ontário Motor Speedway, uma réplica californiana do IMS. Com isso, a atenção maior dos pilotos era dividida entre esses três eventos, sendo que as outras pistas com menor duração de prova sediavam duas ou até três corridas por ano da categoria.


E essa é a história dessa pontuação gigante dada dos anos quarenta até o fim dos anos 70. O recorde de pontos em um mesmo ano pertence a Al Unser, onde suas dez vitórias em dezoito corridas em 1970 lhe renderam 5130 pontos. Essa pontuação também contribui para que um dos recordes de AJ Foyt não seja quebrado tão cedo: ele é o piloto que mais fez pontos na história da Indy, com 48809,2 pontos.

A CART chegou a adotar essa pontuação no primeiro ano seu de Indycar Series, onde dividiu a chancela com a USAC, mas essa é outra história...

Se você tem alguma pergunta sobre qualquer assunto da Indycar, seja do passado, presente, futuro ou universo paralelo, basta nos fazer nos comentários, ou em indycenterbr@gmail.com Quem sabe não te respondemos algum dia???
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