80 anos de SuperTex

Um dos ícones do automobilismo americano (e mundial, por consequência) se tornou octagenário. Com quatro títulos da Indy 500, sete títulos da USAC, duas pontes de safena e beirando os duzentos quilos, AJ Foyt passou a barreira dos 80 anos ainda na ativa, ou tão perto disso que não faz tanta diferença.

Nós não fizemos um especial para ele, pois eu estava muito ocupado assistindo séries; mas já estava tudo planejado, pois o Paulo Rubens Barrichello e o Eduardo Costa (que não é o cantor bombado que grita feito menininha) do Indycar da depressão fizeram uma grande série de postagens no facebook sobre o SuperTex!!! 

Para presitigar o trabalho dos caras, mantive da forma original, com cada post separado, mas está tudo aqui, então, confira! Pois vale a pena!!! Mais pontos de exclamação que foi pouco!!!!


Começo de carreira:

Hoje (16), uma das maiores lendas vivas do automobilismo americano e mundial completa 80 anos. Estamos falando de Anthony Joseph Foyt Jr., ou simplesmente A.J. Foyt.
Nascido no dia 16 de Janeiro de 1935, na cidade de Houston, Texas, Foyt sempre mostrou interesse por carros, chegando a largar a escola pra ser mecânico. AJ começou sua carreira no automobilismo aos 18 anos, em 1953, em um midget comprado pelo seu pai, Anthony “Tony” Foyt Sr. No mesmo ano, Foyt ganhou sua primeira corrida em Playland Park, um oval de terra com ¼ de milha construído em Houston.

Começo da carreira profissional e  primeira Indy 500 
Em 1956, Foyt fez sua primeira corrida de midget na USAC, na “Night Before the 500”, que era uma preliminar não oficial da Indy 500, no circuito que hoje é o Lucas Oil Raceway, usado pela Pro Mazda e outras categorias junior dos EUA. Em 1957 Foyt vence sua primeira corrida na categoria midget da USAC, nas 100 milhas de Kansas City.
No mesmo ano, ele disputa sua primeira prova na categoria Sprint Car da USAC, na c̶i̶d̶a̶d̶e̶ ̶d̶o̶ ̶H̶o̶m̶e̶r̶ ̶S̶i̶m̶p̶s̶o̶n̶ na cidade de Springfield, o que pode ser considerada sua estreia na Indy. No ano seguinte, Foyt faz sua estreia na Indy 500, com o Dean Van Lines/ Kuzma/Offenhauser #29, largando do 12° posto.
Uma estreia marcada por um Big One que envolveu 15 carros na primeira volta, vitimando o piloto Pat O’ Connor. Foyt fazia uma prova normal até rodar numa poça de óleo na volta 148, estourando os pneus durante a frenagem e abandonando a prova de imediato, sendo-lhe creditado o 16° lugar na classificação final da prova vencida por Jimmy Bryan. 
Resumo da Indy 500 de 1958:


Bicampeonato da USAC e primeira Indy 500: 
Em 1960, AJ conseguiu sua primeira vitória na USAC Sprint Car, a Indy dos anos 60, numa prova de 100 milhas no circuito de DuQuoin. Foyt ainda ganhou em Indianapolis Fairgrounds, Sacramento e Phoenix, para conquistar o primeiro de seus 7 títulos na categoria. No ano seguinte Foyt foi bicampeão da USAC, conquistando 4 vitórias, dentre elas sua primeira Indy 500. 
AJ a bordo de seu Bowes Seal Fast #1
Largando em 7°, AJ tinha a concorrência de Eddie Sachs naquele dia. Durante um pit stop, Foyt teve um problema no reabastecimento, fazendo com que ele saísse dos boxes sem o combustível necessário para terminar a prova. Sachs, sem saber que seu oponente estava virando mais rápido por ter menos combustível que ele, começou a andar no limite, desgastando demais os pneus e fazendo uma última parada enquanto liderava a apenas 3 voltas do fim. 
Foyt aproveitou a parada de seu rival para colocar o combustível necessário para terminar a prova, vencendo sua 1° Indy 500, chegando 8,28 segundos na frente de Sachs, a segunda menor diferença entre 1° e 2° colocados a época. 
Resumo das 500 milhas de 1961: 


Bicampeonato da Indy 500 e carreira na NASCAR 
Sim, é bem parecido com o de 1961.
 Em 1964, Foyt conquista seu 4° título na USAC, vencendo 10 das 14 provas do campeonato. No mesmo ano, conseguiu seu segundo triunfo na Indy 500, com um Roadster, como eram chamados os carros com motor dianteiro, mesmo com a ameaça dos carros de motor traseiro (principalmente os Lotus-Ford de Colin Chapman). 
Mas teve sua vitória manchada pelas mortes de Dave MacDonald e Eddie Sachs num trágico acidente na segunda volta da prova (a gente resumiu ela aqui). A.J tinha começado a se aventurar na categoria principal da NASCAR em 1963 e só precisou de 10 provas para conquistar sua 1° vitória na categoria, na 2° prova de Daytona, com 400 milhas, em 1964. 
Sim, tem as mesmas cores do carro #21 de Trevor Bayne
Foyt ainda venceria a prova de 500 milhas em Daytona em 1972, conquistando sua última vitória na categoria naquele mesmo ano, em Ontario.

Tri da Indy 500 e vitória em Le Mans! 
Em 1967, a STP-Paxton veio com um carro especial para a Indianapolis 500, com motores turbo, e que, controlados por Parnelli Jones, esperavam passear de costas contra os carros de motores pistão.  
Nessa época AJ já não largava do 14
No dia da corrida, a chuva aprontou e depois de 18 voltas, ela foi parada e remarcada para a manhã seguinte. Quando valeu, Jones cumpriu o esperado e abriu uma volta de vantagem para o resto do pelotão, mas o tão badalado carro turbo o deixou na mão, com 3 voltas para o fim. Com isso, AJ Foyt rumava para uma vitória tranquila. 
Mas, diz a lenda que na volta final Foyt lembrou de uma PREMONIÇÃO que teve de que aconteceria um grande acidente no fim. Dito e feito, Foyt reduziu, e logo à frente, Carl Williams rodou e provocou um acidente com cinco carros na curva final. Foyt passou a 100 mph, se livrou de tudo e venceu a prova. 
Também em 1967, Foyt venceu as 24 Horas de Le Mans, com um Ford GT40 Mk IV e ao lado de Dan Gurney, pela equipe de Carroll Shelby. Antes da corrida ele honrou a depressão e a zoeira eterna e disse que a pista de La Sarthe era "nada além de uma pequena estrada de interior antiga". 
Além disso, o amigo-da-onça Gurney dormiu demais e Foyt dirigiu quase 18h de prova, algo que nem seria permitido hoje em dia. Durante o banho de champanhe no pódio, ele representou de novo a zoeira e perguntou "ganhei o Rookie Of The Year?". Depois, ele ganhou as 12 Horas de Sebring e 24 Horas de Daytona nos anos 80, se tornando um dos 12 únicos pilotos na história a ganhar a "Tríplice Coroa do Endurance".

Tetra da Indy 500 e último título da USAC
Na Indianapolis 500 de 1977, AJ Foyt foi magistral. Durante a prova ele teve problemas e ficou sem gasolina, e teve que ir aos boxes, voltando 32s atrás do líder, Gordon Johncock. Aí, do nada, Foyt começou a tirar de 1.5s a 2s por volta com ajuda do "turbo boost" (elemento no motor que ajudava com alguns cavalos a mais de potência). 
Se é dos anos 70, não pode ser uma foto do carro, e sim uma pintura
Mas, na volta 184, faltando apenas 16, Johncock teve um motor estourado quando Foyt se
aproximava (curiosamente, o turbo boost aumentava as chances de uma quebra no motor de Foyt). Com isso, Foyt manteve a vantagem confortável sobre o vice-líder, Tom Sneva, e levou a 4ª Indy 500. Em 1979, Foyt venceu seu último título na USAC. 
Com o calendário curto, já que no mesmo ano a CART foi criada, ele venceu 5 das 7 corridas (Ontario, Texas - duas vezes -, Wisconsin e Pocono. Além dele, Rick Mears venceu a Indy 500 e Tom Bigelow levou a segunda em Wisconsin). Com esse desempenho, nosso aniversariante ficou com 3320 PONTOS, contra 1770 do vice, Bill Vukovich Jr.

Foyt e Kevin "Cooooogan" na Indy 500 de 1982 feat. Foyt: piloto, chefe de equipe e... MECÂNICO 
A Indy 500 de 1982 foi onde A.J. Foyt teve a sua pior classificação final em 35 edições disputadas, chegando apenas em 31° lugar. A corrida marcaria o retorno de Foyt as pistas após um grave acidente em Michigan no ano anterior, onde ele quase perdeu um braço. A.J tinha voltado bem disposto, fazendo o 3° tempo, dividindo a 1° fila com o pole Rick Mears e o rookie Kevin Cogan. 
Mas antes mesmo da largada, Kevin acabou rodando no meio da reta principal, acertando A.J., Mario Andretti e outros 5 carros. Mario xingou bastante o novato, mas o show ficou por conta do SuperTex, que falou: “That damn Coogan!”, com dois “oo”, confundindo o nome do piloto com o nome do personagem de Clint Eastwood no filme “Coogan’s Bluff”. 
Video da batida bizarra, Mário e AJ falam depois de sete minutos e meio:


Todos sabem como A.J era versátil, além de piloto e chefe de equipe, ele também ficava na garagem do seu time orientando os mecânicos e até colocando a mão na massa. Mas ninguém suspeitava que durante a Indy 500 de 82, Foyt daria uma de mecânico NO MEIO DA PROVA. 
Depois do incidente com Cogan, a prova foi reiniciada. Foyt vinha em 5°, uma volta atrás do líder Rick Mears. Após uma parada, Foyt voltou aos boxes na volta seguinte com problemas na transmissão.  
Ao ver que sua equipe não estava se saindo muito rápida para sanar o problema, SuperTex saí do carro pra resolver a bronca com as próprias mãos, pegando uma marreta pra bater em um dos acoplamentos de troca de marcha diante de meio milhão de pessoas presentes e outros milhões de espectadores na TV. 
AJ Foyt arrumando seu carro na base da marretada:


Foyt e o Oldsmobile aerotech com chasi da Indy. 
13 anos antes do recorde de velocidade de Gil de Ferran, AJ também entrava no livro dos recordes por andar em velocidades insanas. Em 1984, a Oldsmobile (que pertencia a GM) estava terminando o desenvolvimento do Quad 4, um motor de 2,3 Litros com 4 cilindros e 16 válvulas, que concorreria com o Honda de 2,5 L V6 no mercado de carros nos EUA. 
Nesse ano, a "Olds" resolveu criar o Aerotech, um carro experimental para demonstrar todo o potencial do Quad 4 ao público. A empresa então começou a desenvolver 2 veículos, um com traseira curta (ST), e outro de traseira longa (LT). Ambos usariam os chassis March 84 C da Indy, com modificações para serem alojados dentro de uma estrutura aerodinâmica com um canopy protegendo o piloto. 
Foyt dentro do carro de chassi March e aerokit Aerotech.
Em 1987, os carros ficaram prontos. Duas preparadoras de motores foram contratadas para aprimorar o Quad 4 ao máximo, desde que o n° de válvulas fosse respeitado. O resultado foi cerca de 750-800 cv usando 1 turbo e motor de 2 L para o Aerotech ST (apesar de haver fontes que dizem que chegava perto de 900 cv) e cerca de 1000 cv com 2 turbos e motor também de 2 L para o LT .  
Nos dias 26 e 27 de agosto daquele ano, A.J Foyt fez história no oval de testes da GM em Fort Stockton, Texas. 
No dia 26, o tetra da Indy 500 estabeleceu um novo recorde na milha lançada (medição de velocidade feito em 1,6 km em 2 sentidos, com o carro já em movimento) com a média de 267.399 MPH (430 Km/h), com uma das voltas sendo feita em 278.357 MPH (442 Km/h) usando o LT. 
No dia 27, Foyt estabeleceu um novo recorde de pista fechada, com 257.123 MPH (413 Km/h), usando o ST, com o LT andando a incríveis 290 MPH nas retas. 
 
Nesse teste (vídeo acima) ele virou “apenas” 216 MPH, pois por motivos políticos, a GM queria que o SuperTex quebrasse o recorde de velocidade em Fort Stockton, mas Foyt não queria correr nesse oval, pois o carro era muito rápido, a pista era traiçoeira e tinha guard-rails inadequados. AJ disse “Diabos, eu avisei a eles que se eu escapar da pista com aquela coisa, os Coyotes vão me devorar antes que alguém me encontre!”

O dia em que Foyt anunciou sua aposentadoria. 
15 de Maio de 1993, Pole Day em Indianápolis, Foyt tinha dado uma volta de 221.114 MPH quando viu as luzes amarelas da pista se acenderem. Descobriu que foi Robby Gordon, seu piloto na época que causou a amarela. 
AJ foi pros boxes, saiu do #14, percorreu a Gasoline Alley com lágrimas nos olhos e foi até sua garagem, onde informou o representante da US Tobacco (Copenhagen), sua patrocinadora, que era a hora de parar. 
“A luz verde estava acesa e eu pensava: AJ, você vai entrar fácil nessa corrida, quando eu vi a luz amarela acender, sabia que havia acontecido um acidente. Quando vi que era meu piloto, aquilo me acertou.” Foyt ainda diz: “Acredite em mim, aquilo não foi acertado. Tudo aconteceu em cerca de 10 minutos – bang, bang, bang, bang. Em toda minha vida eu fiz coisas no calor do momento, então aquele era o real AJ.” 
Tony George, presidente do IMS, arranjou uma volta cerimonial para AJ se despedir, sendo ovacionado por todo o público presente:



Foyt vs. Luyendyk 
O incidente a seguir é a prova de que A.J. é um homem de pouca paciência. Texas,1997, primeira corrida da IRL no novíssimo Texas Motor Speedway. Billy Boat, piloto de Foyt, consegue vencer sua 1° corrida...ou não. 
Tinha que ter imagem de zoeira.
Luyendyk, vencedor da Indy 500 na semana anterior e que foi creditado como 2°na prova Texana, aparece no Victory Lane contestando o resultado da prova e fala umas obscenidades na mesma hora em que Foyt aparece, então nosso SuperTex mete uma bolacha no “pé do ouvido” de Arie, pega o holandês pelo o pescoço e o joga justamente no jardim de TULIPAS (flor tipicamente holandesa) que decorava o Victory Lane. No dia seguinte, a USAC, que fazia a cronometragem da IRL reconheceu que houve um erro na contagem das voltas dos pilotos e que Luyendyk era o verdadeiro vencedor, com Boat em 2°. Como o vencedor era de outra equipe, Foyt teria que dar o troféu ao seu dono, certo? ERRADO!!!! 
Até hoje, quase 18 anos depois do ocorrido, Foyt mantém o troféu da True Value 500k de 1997 em sua casa em Austin, ao lado do troféu da mesma prova de 1998, ganho pelo próprio Boat, mas sem polêmicas. Para o pobre e estapeado Arie, restou apenas uma réplica do troféu oferecida pelos organizadores da prova dias depois.


Para fechar nosso especial ‪‎SuperTex 80 Anos‬, fiquem com “Legend of the Speedway”, um tributo de Kenny Brack, campeão da IRL em 1998 e campeão da Indy 500 em 99 pela AJ Foyt Racing. O sueco também é musico e chegou a ter sua própria banda, sendo que ele mesmo compôs a música. Vídeo com o Making of e o clipe da música:  

Nota pesoal minha: veja apenas por curiosidade, tanto a música quanto o clipe são ruins.

E foi com esse anticlímax total de Kanny Bräck e sua banda chamada BRACK que o especial terminou, e ficou muito bom, parabéns!!!

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