Dossiê Lights: Luiz Razia e a ambivalência performática (1/2)

Olá, não sou muito de colocar opiniões para pessoas verem, mas achei sensato e oportuno dessa vez.  Escrevo alguns textos sobre a Indy Lights e as outras categorias de acesso nesse blog, o que gerou algumas perguntas de muitos (uns três ou quatro) leitores:  o Razia tá andando bem na Indy Lights?  Ele vai ser campeão? Ele vai subir pra Indy no ano que vem?  Bem, já se passou metade do campeonato da Indy Lights, então creio que está na hora de eu falar algo.


Mas antes, como bons teóricos, vamos definir os parâmetros de avaliação:
Segundo o Sistema Brasileiro de Avaliação de Desempenho de Pilotos (SIBRADEP) um piloto só pode ser "bom" ou "ruim", um piloto só pode estar "bem" ou "mal".  Não há meios termos e sua avaliação deve ser dita como verdade universal, como se ao perguntar "piloto x é bom?" estivessem perguntando "o céu é azul?".

Esse sistema pode ser aplicado com sucesso em mais de 90%.  Mas, em dez por cento dos casos, não se é possível determinar com clareza se um piloto está bem ou mal num campeonato, por vários motivos diferentes.  E não é possível que o avaliado não esteja ou "bem" ou "mal", pelo simples fato de ele estar correndo ele deve ter pelo menos algum desempenho (se ele corre, nem que seja uma volta de uma corrida, ele tem algum desempenho, que pode ser avaliado).

Nos casos que o SIBRADEP não define bem, podemos definir o desempenho do avaliado com um termo utilizado nas ciências quânticas, a ambivalência.  A ambivalência é quando o objeto a ser estudado adquire características de duas formas geralmente antagônicas e, o caso do SIBRADEP, podemos dizer que o avaliado está em ambivalência performática, ou seja, ele simplesmente está bem e mal ao mesmo tempo.  No caso dessa ambivalência, o piloto tem ações boas e ruins que possuem praticamente a mesma frequência e intensidade, e faz com que um um estado praticamente anule o outro.  Essa ambivalência pode ser quebrada com o passar do tempo,quando o avaliado passa a ter mais ações com a mesma classificação, e já podendo ser avaliado pelo SIBRADEP com maior assertividade.

Mas, porque explicar toda esse definição?  Bem porque, basicamente, ela se encaixava muito bem no caso do Luiz Razia.

Ambivalência performática até Barber

Desde os treinos já tava difícil a coisa.
 Razia ocupou, no fim do ano passado, uma das vagas da Schmidt-Peterson Motorsports (SPM), equipe que ganhou sete dos últimos dez campeonatos da Indy Lights.  Juntando isso com o currículo vencedor do piloto, estava formada uma dupla imbatível, em teoria.

Mas não foi o que vimos, tanto nos treinos pré-temporada quanto nas primeiras corridas.  A categoria mudou sua fornecedora de pneus, e agora a categoria tem a disposição compostos mais duros do que na temporada passada, o que era reclamação recorrente das equipes.

No ano passado, a SPM (muitas siglas nesse texto), além de ótimos acertos para qualificação, tinha ótimo desempenho em condição de pneu desgastado, o que na Indy Lights (de ultrapassagem difícil e corridas razoavelmente longas sem se fazer pit stops) era a combinação perfeita.  Com compostos mais resistentes e diferentes do ano passado, as equipes começaram a estudar a relação de seus carros com os pneus do zero, e nesse estudo a Andretti e a Belardi saíram na frente da SPM quando se trata de pneus novos e qualificação, enquanto a SPM andava melhor apenas quando a borracha de seus pneus já estava mais-do-que desgastada.

Junte esse fator com pilotos novatos na categoria (tá certo que JP Garcia não é novato, mas ele mais atrapalha que ajuda), e temos uma equipe que, a priori, sai atrás de suas principais rivais depois de vários anos.  As primeiras duas rodadas foram muito complicadas.  Em no treino classificatório de Long Beach, por exemplo, Razia (o piloto da SPM melhor classificado) fez a quinta posição, sete décimos atrás do pole Zach Veach.  Em uma categoria toda monomarca, é uma diferença exorbitante.E não foi um caso isolado, acompanhe os resultados e confira que a SPM foi constantemente mais de meio segundo mais lenta do que a melhor rival.  Essa complicação toda da SPM foi um dos motivos da ambivalência de desempenho do brasileiro.

Era complicado tirar uma foto só do carro do Razia nas corridas, sempre tinha alguém muito perto dele.

Mas essa não era a única causa da ambivalência performática. Razia estava (ainda está) em um período de aprendizado e, nesse período, mostrou dificuldade em dois pontos principais:  as largadas e as ultrapassagens.

A Indy Lights desse ano usa chassis Dallaras IP2 que, como o nome indica, foram fabricados segundo um modelo de 2002.  Para as corridas em ovais, o carro era ótimo e proporcionava corridas muito emocionantes; mas nos ovais, dirigir aquele carro era como dirigir um NASCAR um pouco menor.  Após 2007 e o aumento de corridas nos mistos, o chassi começou a sofrer modificações para que ficasse guiável em mistos.  Com isso, o carro ficou um híbrido, onde as corridas em ovais não ficaram tão legais assim (Indy 500 é um ponto fora da curva, veja a corrida de Pocono do ano passado e veja o que estou descrevendo), mas nos ovais ficaram mais guiáveis.

Mas uma característica não mudou:  as ultrapassagens em mistos ainda são um pato para se conseguir e fazendo com que a largada e os erros de pista adquiram grande importância na prova.  E em dois desses três pontos, Razia (que é conhecido por ter boas largadas e agressivo em ultrapassagens) ainda estava penando nas corridas até Barber. O baiano ficou atrás de vários carros em St. Petersburg (atrás até de Vittorio Ghirelli), atrás do companheiro de equipe Jack Harvey em Long Beach e atrás de Zach Veach na corrida 2 de Barber; e a única vez que teve pista livre durante a prova foi na primeira corrida de Barber, quando Veach disparou e o baiano não conseguiu segui-lo.

Largadas eram tensas também.
As largadas também eram um gargalo.  Todas elas são lançadas, e essa mudança fez o piloto ser obrigado a se acostumar largando assim, o que demandou tempo. O problema é que esse era um dos únicos momentos da prova em que o piloto poderia ganhar algo das Andretti e Belardi.  Observe:  Em St. Pete, o piloto larga e completa a primeira prova em sétimo; em Barber 1 o piloto larga em quarto, mas o segundo e o terceiro se enroscam e saem da pista, e Razia passa os dois, ficando na segunda posição; e em Barber 2 Razia melhora, ultrapassando Harvey e ficando em terceiro até o fim da prova.

O fato de não conseguir fazer tão boas largadas assim, não ultrapassar, não conseguir pista limpa e sempre ter seu ritmo de corrida atrapalhado pelos rivais logo a frente era um dos fatores da ambivalência.  E esse fator também era uma das causas do piloto estar a 49 dos líderes naquela ocasião.

Mas tudo isso estava prestes a mudar.  O mês de maio em Indianápolis foi muito auspicioso para a equipe de Sam Schmidt, e Razia consegue sair da ambivalência performática.  Mas isso será discutido em outro texto...

Não precisa ficar sério, a situação melhora.

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ღೋƸ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒღೋ EM BREVE TEM A PARTE FINAL DO TEXTO!! ღೋƸ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒღೋ
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