Bastidores: Pipo Derani, Nicolas Costa, Team Pelfrey e bagunça.

Esse mês em Indianápolis foi ótimo para a maioria das equipes, mas para uma delas ele foi especialmente conturbado.  Quem compara a Team Pelfrey do fim de abril com a Team Pelfrey do fim de Maio, não a reconhece, pois aconteceram inúmeros imbróglios entre ela e seus pilotos.

Da imagem, apenas o logo da equipe continua.  Fonte de todas as fotos:  Road to Indy TV e Pro Mazda Championship.
A Team Pelfrey, campeã em 2011 e 2012, fez uma temporada de 2013 razoável, onde foi superada pela Andretti e pela Juncos, mas conseguiu um quarto lugar no campeonato para Spencer Pigot e colecionar uma vitória e alguns pódios.

Para esse ano, a equipe contaria com Dalton Kellet (piloto que correu uma prova pela equipe no ano anterior), Brandon Newey (disputou a USF2000 no ano passado e filho de Steve Newey, um dos sócios da Bryan Herta Autosports) e o brasileiro Pipo Derani (com bastante experiência nas F3 européias e terceiro colocado no GP de Macau do ano passado) para recuperar os tempos de glórias não muito passados.

Os bons tempos duraram bem pouco.
Mas, desde o Winterfest até o começo do campeonato, apenas Derani consegue desenvolver alguma velocidade no carro.  Após Barber, apenas o brasileiro conseguiu estar entre os cinco primeiros (em três de quatro corridas disputadas), enquanto Dalton Kellet tinha como melhor resultado o nono lugar e Brandon Newey tinha como melhor posição o décimo segundo posto na corrida 2 de Barber.  Os pilotos reclamavam muito do acerto inicial dos carros, o que fazia que eles frequentemente tivessem que fazer muitos ajustes durante os treinos e os deixavam para trás durante a semana.

Essa situação não agradava nada aos pilotos, e os resultados obtidos pela equipe a deixavam atrás das grandes rivais (Andretti e Juncos) e atrás até mesmo da novata Cape Motorsports, que tinha um carro a menos em sua garagem.  Para piorar mais o caso, o dinheiro começava a escassear, e a equipe começou a cortar custos, o que afetava ainda mais a preparação e ajustes do carro.

Apesar da situação, a equipe mantinha esperanças na etapa do circuito misto de Indianápolis, nos dias 9 e 10 de maio.  As corridas atrairiam muitos olhos para as categorias menores e, caso um bom resultado fosse obtido, poderiam se reerguer ao longo do campeonato.

Na verdade, haviam sim alguns problemas.
Mas não foi o que aconteceu.  O fim de semana, no geral, não foi muito diferente dos outros e as largadas foram muito cruéis com os carros da equipe, que culminou com a saída dos três pilotos na corrida 2 no circuito.

A situação da equipe estava preta, e acendeu o sinal amarelo na equipe (fortes entenderão o trocadilho com as duas cores da equipe).  Os cortes, muito  provavelmente, teriam que ser bem maiores e isso não agradava os pilotos, que fazia a relação deles se desgastarem ainda mais, até chegar a um limite.

A próxima atividade seria um dia de testes no Oval de Lucas Oil Raceway (13 de maio), perto de Indianápolis.  A equipe aparece com três carros em sua garagem, mas apenas um carro (o de Dalton Kellet) dá as caras.  Mais a tarde, na segunda sessão de testes, Brandon Newey também aparece, mas com um carro muito aquém do que costumava receber, e Pipo Derani, apesar de estar em Indianápolis, não treina no Oval de 5/8 de milha.  A situação não fica bem esclarecida para todos e, segundo o próprio Derani (aliás, o único que declarou algo sobre o caso) em seu press release diz que "A equipe cancelou o meu primeiro teste em oval, programado para o início deste mês".

Os três carros no LOR.  Reparem em Nicolas Costas, de costas.
No segundo dia de testes coletivos no LOR (23 de maio), a situação complica ainda mais, novamente três carros na garagem, mas apenas dois correndo.  Na primeira sessão, novamente dois carros, mas quem os dirige é Dalton Kellet e Nicolas Costa.  Brandon Newey, pelo visto, decide pular fora do barco Pelfrey (o piloto nada declarou) e em seu lugar entraria o brasileiro que, até então, não tinha mais dinheiro pra continuar sofrendo correndo pela M1 Racing.  Com a vaga aberta e como o piloto possui contatos com a equipe devido a uma série de corridas que o ele fez com a equipe no ano passado, acabou sendo escalado de última hora.

Na terceira e última sessão de testes do dia, o terceiro carro aparece, e é pilotado por Anders Krohn (!!!) o treinador de pilotos/empresário/comentarista da NBCSN/ex-piloto da  Lights volta a dirigir um carro da Pro Mazda após cinco anos sem tocar em um.

O famigerado tuíte.

Dupla improvisada no LOR:  Krohn no plano e Costa ao fundo.
Um dia depois, o perfil do Road to Indy TV no twitter posta que Derani não está mais ligado a Team Pelfrey.  Aparenemente, a equipe sequer falou com o  próprio piloto, que conta que ficou surpreso, e explica melhor o caso:  "Tentei contato com a equipe por nove dias, e ao invés disso, enviou uma mensagem de texto de última hora, menos de uma hora antes do treino de ontem (23 de maio), e não me deu chance de participar.  E, depois, fiquei sabendo pelo Twitter que eu não vou mais correr." acrescentou o piloto em seu press release.  "É muito difícil pra mim o que eles estão fazendo. Estou acostumado a trabalhar como equipe e lidar com todos os problemas de uma forma profissional. Acho que teríamos todos os ingredientes para uma temporada bem sucedida se a equipe Pelfrey simplesmente fizesse o que prometeu no início do ano".

As complicações da equipe não pararam por aí.  No dia 24, dia da corrida no LOR, Kellet não dá as caras,e rescinde o contrato assinado com a Pelfrey.  Com isso, apenas Costa e Krohn pilotaram pela equipe no primeiro oval da temporada.

Agora, ninguém sabe qual será o rumo dos envolvidos.  Mas, há males que podem vir para o bem.

Carro vago na Lights.
Pipo Derani, por intermédio de Brandon e Steve Newey, consegue agentar um teste com a Bryan Herta Autosports/ Bowen & Bowers Motorsports with Jeffery Mark Motorsport, já que a parceria que a equipe mantinha com Lloyd Read se acabou por falta de dinheiro do piloto, e a equipe chegou a não alinhar seu carro para as três corridas em Indianápolis.

No fim das contas, Derani pode encurtar um passo e correr pela equipe.  Não é uma equipe boa (ela esteve nas duas últimas posições entre os carros que completam as provas) mas sem dúvida tem maior visibilidade em uma categoria que é televisionada e é bem melhor do que ficar em casa jogando rFactor.

Mas, tirando Derani (e Anders Krohn, que continuará fazendo as dezenas de funções que vem fazendo), nenhum dos outros envolvidos possuem futuro certo.  Nicolas Costa continua sem muito dinheiro para vaga própria; enquanto Newey e Kellet tembom orçamento, mas não se possui muitos bólidos disponíveis em um campeonato já no meio; e a Pelfrey  ainda precisa se arranjar, tem um mês para a próxima etapa em Houston, e a equipe até o momento possui três carros, pouco dinheiro, um patrocinador e nenhum piloto.

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