Dossiê lights: Retrospectiva 2013 ~ Parte final

E na parte final, a gente vai falar sobre as quatro rodadas finais da Indy Lights e sobre a derrocada de Carlos Muñoz.  Se você não viu as duas primeiras partes, elas estão aqui e aqui, respectivamente.

A gente parou indo pra Mid-ohio, e nessa prova tiveram novidades internacionais.  Estariam presentes nessa prova o zimbabuano Axcill Jeferries, que, depois de uma temporada não muito boa na fórmula 2, aceitou o convite da Brian Herta e tentaria fazer alguma coisa na Indy Lights; e o já não tão jovem (com 32 anos) Giancarlo Serenelli, que tentaria algo com a Belardi após um ano de fiasco na GP2.

Mas, assim como Barber, eu poderia não ter visto essa corrida.  Só houveram duas trocas de posições:  Juan Pablo Garcia ultrapassou Axcill Jeferries na largada e Sage Karam passou Jorge Goncalvez numa volta qualquer.  Gabby Chaves largou e chegou em primeiro, Dempsey largou e chegou em segundo, Jack Hawk largou e chegou em terceiro e Muñoz largou e chegou em quarto. Karam, coma posição que ganhou, terminou em oitavo; e Serenelli largou de último, levou volta, e faltando só cinco pra acabar ele rodou na curva seis, perdendo outra volta, chegando em último duas voltas atrás e sendo o único piloto do ano a completar uma prova fora do top 10.

Em Baltimore, mais ações nos aguardavam.  Os pilotos voavam nas chicanas, passava muito perto dos muros e os bumps pregavam muitas peças.  Dessa vez, Jack Hawk tentava se redimir largando da ponta, com Muñoz em segundo, Chaves em terceiro e Karam em quarto.  As primeiras voltas foram muito animadas, e Sage Karam, que normalmente não faz movimentos tão bruscos, mostrou a que veio:

Na primeira tentativa em Toronto deu errado, na segunda vez que Sage conseguiu.
E, pouco depois de Dalton Kellet bater, Muñoz se complica numa das freadas do circuito citadino e acaba no muro, para começar seu inferno astral das últimas provas...

A tristeza de Muñoz, parte 1.
Mas a corrida não tinha acabado.  Após a bandeira amarela, houve uma intensa briga pelo segundo lugar novamente entre Karam e Chaves, com Karam levando a melhor de novo...

Chavez x Karam, parte 2.
E essa briga deu condições para Hawksworth disparar e vencer de ponta a ponta, com Karam em segundo, Chaves em terceiro e a dupla da Belardi (Dempsey e Goncalvez, respectivamente) em quarto e quinto lugar.  Sage assumia novamente a liderança do campeonato, apenas dois pontos a frente de Muñoz, quatro pontos a frente de Chaves e onze pontos a frente do renascido Hawksworth.  O campeonato ficava acirrado como nunca e tudo indicaria que as últimas rodadas pegariam fogo.

Mas antes, vamos fazer um spin-off, de um lance muito curioso dos bastidores:


Juan Pablo García não estava satisfeito com sua situação na Team Moore, a equipe tinha decaído muito do começo do campeonato, e o carro que já era sofrível no começo do campeonato só piorou com o tempo, e García que estava despejando um bocado de dinheiro na equipe, ficava emburrado.  Juan então decidiu sair da Moore.  A equipe ainda teria dinheiro pra completar as duas provas finais, graças a um contrato assinado com Conor Daly, mas num tinha outro piloto.  Enquanto isso...

Garcia corria de Amarelo, Dempsey de Vermelho, daí trocaram.
O dinheiro do segundo carro da Belardi acabou.  Peter Demsey não levava dinheiro suficiente para a temporada toda, e os patrocinaores que figuravam em seu carro ou eram da equipe ou de seu companheiro, Jorge Goncalvez.  Vencer a Freedom 100 alavancou sua carreira e ele esperava que essa conquista o ajudasse a completar pela primeira vez uma temporada da Lights, mas isso não aconteceu, e a Belardi teve que mandar Dempsey embora.

Então, como achar uma solução que agradasse a todos?  Simples, os dois pilotos que troquem de equipes.  E foi exatamente isso que aconteceu.



García entrava na Belardi, sua sexta (!!!) equipe na história da Lights, e talvez a melhor pela qual ele já guiou.  Tinha agora uma estrutura melhor, um companheiro de equipe com habilidades de pilotagem parecida com os seus e chefes mais exigentes para decepcionar.  

Já Dempsey estava desolado pois pensava que abandonaria o campeonato quando ainda tinha chances de ser campeão (estava só 35 pontos atrás de Karam), mas então Moore apareceu  e ofereceu seu empobrecido bólido e, como a equipe alinharia um carro a mais pra Conor Daly, Mark Moore avisou que, se ele e Daly quebrassem esses dois carros, a equipe não bancaria um carro novo pra corrida final em Fontana.  Dempsey deu pulos de alegria, e prometeu que não decepcionaria...

 
Houston seria uma briga, e quem saiu na frente foi Karam, que conseguiu a pole.   Mas não teria tranquilidade na corrida, já que Muñoz largaria da segunda posição, Chaves viria em terceiro e Hawksworth em quarto lugar.  Nessa corrida aconteceu coisa pra caramba, então vou falar o que aconteceu piloto a piloto.  Porque sim, novamente.

Jack Hawk estava em quarto, tanto no grid quanto no campeonato.  Caso ele vencesse a corrida, finalmente conseguiria a liderança do campeonato e a volta aos holofortes que ele tinha antes de começar a temporada, quando era cogitado como forte candidato após vencer a Star Mazda com um pé nas costas o ano passado.  Então, ele teria que ser bastante agressivo pra passar os outros três pilotos na contenda pelo campeonato.

Mas... digamos que... não deu muito certo.  Logo na largada ele destracionou na curva quatro e perdeu posição pra Zach Veach e Juan Pablo García.  Ele demorou um bocado de tempo pra se aproximar de Veach e García, e, de uma forma bastante agressiva, conseguiu reaver suas posições na bandeira amarela da volta 20.  Por ocasiões da corrida, ele relargou em terceiro, novamente na curva quatro perdeu duas posições, voltando pra quinto e, quando já vinha para perder mais uma posição, fez isso:

O maior quadrinho de todos, tem o tamanho da decepção de Zach Veach.
Foi punido por isso com um drive thru.  Resignado, o piloto cumpriu e num fez mais bobagens, pra completar a corrida na sexta posição e sem chances pra título.

Carlos Muñoz vinha bem, pressionava bastante Gabby Chaves, que por sua vez pressionava Sage Karam, formando um comboio pela liderança nas primeira metade da prova.  Mas, durante a bandeira amarela acionada pela batida de Juan Pablo García na volta vinte, o carro de Muñoz subitamente pára de andar.  Um dos eixos de transmissão quebra, e ele é obrigado a estacionar seu bólido, também sem chances de título.

Muñoz parando, colocando as mãos no capacete e explicando pros comissários que já era.
Gabby Chaves fez uma das melhores ultrapassagens que já vi sobre o então segundo colocado do campeonato, e apesar de ser pressionado tanto por Muñoz na primeira metade da prova, quando por Peter Dempsey no fim da corrida; conseguiu se manter na segunda posição o tempo todo da prova, pra conseguir um ótimo segundo lugar e ainda ter alguma chance de título.

Quem se deu muito bem no fim de semana foi mesmo Sage Karam.  Ele dominou o fim de semana por completo, sendo o primeiro nos treinos livres, conquistando a pole position e ganhando a prova de ponta a ponta.  Ele cruzou a linha de chegada em primeiro, Chaves terminou em segundo, com Conor Daly (!!) da Team Moore (!!!!!!!) em terceiro.  Jorge Goncalvez e Axcill Jeferries terminara em quarto e quinto lugares.

Os pilotos que estavam disputando o título na rodada final, todo molhadinhos de suor.  Tava fazendo só 40ºC em Houston.  fonte: Indycar.com

A briga pelo título ficou restrita a Chaves e Karam, mas a situação estava difícil pro colombiano.  Sage precisava chegar apenas na terceira posição em Fontana pra garantir o título, enquanto o sulamericano precisava de uma combinação extremamente difícil para se fazer com um grid de nove carros.

Mas Chaves podia manter esperanças, ele largava da terceira posição, enquanto Karam teve problemas e largaria da última posição.  Bem, largar de último em um oval não chega a ser problema, mas vai que esse problema persiste na corrida, não custa ter esperanças. Veach, surpreendentemente, conseguiu sua segunda pole.  

Todos esperavam que em Fontana houvesse algo parecido com Indianápolis, com um comboio de pilotos brigando até os centímetros finais.  Mas não houve isso, o comboio se formou, mas não conseguiu se manter depois do meio da prova, quando eles já não tinham tanto pneu assim.

O comboio inicial formado por Muñoz, Chaves, Veach, Hawksworth e Karam se separou mais ou menos na volta 15; quando o carro de Jack Hawk começou a sentir alguns problemas depois de o mesmo tocar o muro e Zach Veach começou a sentir falta de seus pneus inteiros.


Começou com cinco, caiu pra três.
Mas a dez voltas pro fim, os pilotos já estavam todos separados.  Carlos Muñoz disparou na frente de forma que Chaves num conseguiu nem chegar perto, e não foi incomodado por Karam que ficou pra trás.  No fim, Muñoz venceu e Chaves passou em segundo.  Mas quem vibrou mesmo foi Karam, que se sagrou campeão com seu terceiro lugar.


fonte:  sagekaram.com

E é isso pessoas, assim foi o campeonato da Lights no ano passado.  Sei que esse artigo já está gigante, mas não posso deixar de fazer minhas considerações finais nessa postagem.

Confesso que posso ter errado em alguns pontos:  O campeonato pode não ter sido tão animado quanto eu fiz parecer, afinal ter corridas boas com dez carros (ou menos) é bem difícil, mas teve ótimos momentos e alguma emoção.  Hawksworth pode não ser tão ruim quanto fiz parecer, ele está aprendendo e é um jovem bastante rápido e talentoso, mas tem um defeito gigante em visão espacial.  Gabby Chaves pode não ser tão bom o quanto eu fiz parecer, mas tem tudo pra se desenvolver e ser um piloto colombiano melhor que Montoya.  Muñoz pode não ser tão azarado (deve ter usado toda a sorte na Indy 500), mas sair de um campeonato equilibrado desse com quatro vitórias e brigar pelo título mesmo com três abandonos é algo extremamente louvável e o faz merecedor de sua vaga na Andretti. O título pode não ter caído tanto no colo de Sage, ele é um piloto bastante regular e rápido principalmente em ovais, tem um futuro gigante pela frente e a Indycar será sortuda se tiver um piloto como esse no grid, e essa postagem pode não ser tão imparcial quanto um dossiê mas fiz o que pude.  Até mais!

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